sábado, 10 de outubro de 2020

Corda do Círio de Nazaré será distribuída entre paróquias da Arquidiocese de Belém

 

Fiéis seguram a corda do Círio de Nazaré / Foto: Arquidiocese de Belém

Este ano, por causa da pandemia de coronavírus, o Círio de Nazaré não contará com suas procissões multitudinárias pelas ruas de Belém, mas a tradição da Corda do Círio será mantida e chegará a cada Paróquia da Arquidiocese de Belém.

A corda, atrelada à berlinda, é uma das tradições do Círio de Nazaré e, na procissão do segundo domingo de outubro, que reúne milhões de devotos da Rainha da Amazônia, os quais buscam aproximar-se para carregar a corda.

Como neste ano a programação do Círio não contará com as procissões, mas apenas com eventos transmitidos ao vivo, será adotado outro um meio de manter essa tradição.

Conforme informou a Arquidiocese de Belém em seu site, “para que ninguém se sinta deixado de lado e que todos possam se sentir acolhidos por Nossa Senhora de Nazaré, um dos principais símbolos do Círio, a corda, que é carregada por milhares de fiéis nas procissões da Trasladação e o domingo do Círio, este ano não será dividida por estações, mas sim em partes iguais e distribuídas para as 95 paróquias da Arquidiocese, formando um grande rosário de orações e corações”.

Dessa forma, indicou, “o Círio de Nossa Senhora de Nazaré chegará aos bairros dos municípios atendidos pela Igreja de Belém, aproximando a todos da devoção mariana”.

Na sexta-feira, 9 de outubro, haverá a Missa de abertura oficial do Círio, na Basílica Santuário, presidida pelo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira. Nesta ocasião, além da apresentação do manto de Nossa Senhora, haverá a bênção da corda. As paróquias da Arquidiocese estarão representadas pelos Vigários das oito Regiões Episcopais.

No dia seguinte, cada paróquia receberá uma parte da corda, para que, no domingo do Círio, suas celebrações sejam com entrada solene da imagem de Nossa Senhora de Nazaré (da própria paróquia), envolta com a corda do Círio.

“Um simbolismo de unidade de todas as igrejas da Arquidiocese, uma representação de um grande rosário de orações e corações”, declarou Dom Alberto Taveira.

Segundo a Arquidiocese, neste mesmo dia, os fiéis podem pedir aos padres a dispensa das promessas.

A Corda do Círio de Nazaré

A corda é um dos símbolos do Círio de Nazaré e passou a fazer parte das procissões em 1885, quando, segundo relata o site oficial do Círio, uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla desde próximo ao Ver-o-Peso até as Mercês, no momento da procissão.

Como a berlinda com a imagem da Virgem de Nazaré ficou atolada e os cavalos não conseguiram retirá-la de lá, um comerciante local emprestou uma corda para que pudesse puxá-la, fazendo com que a berlinda ficasse atolada e os cavalos não conseguissem puxá-la. A partir de então, a corda foi introduzida no Círio de Nazaré e é utilizada na Trasladação e no Círio.

A corda é confeccionada em cisal torcido, possui 400 metros de comprimento (para cada uma das romarias) e duas polegadas de diâmetro. Até 2003, o formato da corda era de “U” com as duas extremidades atreladas à berlinda. A partir de 2004, por motivos de segurança, ganhou formato linear dividida em cinco estações confeccionadas em duralumínio que ajudam a dar tração à corda e ritmo às romarias.

Círio com transmissões ao vivo

O Círio de Nazaré é uma das maiores manifestações católicas do mundo. Tradicionalmente, suas romarias costumam reunir milhões de devotos de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas de Belém, sendo que a grande procissão que acontece no segundo domingo de outubro conta com um público de cerca de 2 milhões de fiéis.

Este ano, porém, devido à pandemia de Covid-19, o Círio não contará com suas grandes procissões e terá uma programação adaptada e transmitida pelos meios de comunicação: TV Nazaré, Rádio Nazaré, Facebook da Fundação Nazaré e da Arquidiocese de Belém, bem como TV Círio.

Para conferir toda a programação do Círio de Nazaré, acesse AQUI.

Fonte: Acidigital

Santo do Dia : São Daniel Comboni



São Daniel Comboni nasceu em Limone (Itália), em 1831. Único sobrevivente de oito irmãos. Aos dez anos ingressou num internato de Verona. Quando tinha dezessete anos, ouvindo contar as vicissitudes dos missionários na África, decidiu dedicar sua vida à evangelização dos africanos.

Em 1854 é ordenado sacerdote aos 23 anos de idade. Depois de uma cuidadosa preparação, estudando árabe, medicina, música etc., partiu para África em 1857.

Estando lá, impressionou-se com a terrível situação dos escravos. A prática do tráfico de escravos estava de tal maneira arraigada que, no Egito e no Sudão, o único local onde os escravos encontravam asilo eram as missões de Daniel Comboni.

Após dois anos, teve de regressar à Itália. Porém, Comboni não desanima e idealiza um projeto que ele chamou “Plano para a regeneração da África”. A ideia central do projeto era salvar a África por meio dos próprios africanos. Propunha-se fundar escolas, hospitais, universidades, ao longo de toda a costa africana. Nestes centros, se formariam os futuros cristãos, professores, enfermeiros, sacerdotes e religiosas, que depois penetrariam no interior, a fim de evangelizar as populações africanas e promover o seu desenvolvimento.

Fundou em 1867 o Instituto para as Missões na África que deu lugar ao que hoje são os Missionários Combonianos.

Em 1877 é ordenado Bispo da África Central e, logo a seguir, ordena a sacerdote um antigo escravo, primeiro padre africano daquele lugar, quando, na Europa, alguns ainda negavam ao africano a evidência de ser pessoa.

Grande missionário, Comboni era capaz de atravessar o deserto para fundar um centro missionário no sul do Sudão, como também empenhava-se em falar para associações missionárias, Bispos, em Paris, Colônia (Alemanha) etc., com o objetivo de arrecadar auxílio econômico e de pessoal, organizando grupos e equipes de missionários para a Missão na África Central.

Morreu aos 50 anos, a 10 de outubro de 1881, no meio desta gente que tanto amou. No momento da morte, abençoa os seus companheiros dizendo: “Não temais; eu morro, mas a minha obra não morrerá”. Beatificado por João Paulo II a 17 de março de 1996, São Daniel Comboni foi canonizado pelo mesmo Sumo Pontífice em 5 de outubro de 2003.

São Daniel Comboni, rogai por nós!

Liturgia Diária : 27ª Semana do Tempo Comum | Sábado

 Primeira Leitura (Gl 3,22-29)

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.

Irmãos, 22a Escritura pôs todos e tudo sob o jugo do pecado, a fim de que, pela fé em Jesus Cristo, se cumprisse a promessa em favor dos que creem. 23Antes que se inaugurasse o regime da fé, nós éramos guardados, como prisioneiros, sob o jugo da Lei. Éramos guardados para o regime da fé, que estava para ser revelado. 24Assim, a Lei foi como um pedagogo que nos conduziu até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. 25Mas, uma vez inaugurado o regime da fé, já não estamos na dependência desse pedagogo. 26Com efeito, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial (Sl 104)


— O Senhor se lembra sempre da Aliança!

— O Senhor se lembra sempre da Aliança!

— Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

— Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

— Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.




Evangelho (Lc 11,27-28)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. 

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. 28Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Compreendendo e Refletindo

“Jesus respondeu: ‘Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática’” (Lucas 11,28).

Aquilo que a mulher está exaltando: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”, não posso afirmar outra coisa a não ser: ‘Feliz, de fato, é o ventre de Maria, os seios de Maria que amamentaram Jesus, que receberam e cuidaram d’Ele”.

Quando contemplo a Virgem Maria, digo: “Que bênção! Que graça! Que bem-aventurada é essa Mulher!”. Como digo da minha mãe: “Que alegria, mamãe! Você foi o ventre que me trouxe. Seus seios que me amamentaram!”. Não posso deixar de reconhecer jamais a grandeza, a felicidade em reconhecer a mãe que me gerou e me amamentou.

Jesus não tira essa felicidade, pelo contrário, Ele a exalta e a coloca no sentido mais pleno: “A felicidade maior daquela que me trouxe, daquela que me gerou e me amamentou, foi ter ouvido a minha Palavra e a ter colocado em prática, por isso, Ela é plenamente feliz”.

Por isso, te digo: o que torna a vida humana feliz não é a nossa ligação física. É uma felicidade para uma mãe gerar um filho, é uma graça para um pai ser um pai, é uma graça você realizar o que realiza, fazer parte da Igreja e do povo de Deus, isso é graça, mas não é a graça maior.

Como precisamos nos desdobrar na prática da Palavra!

A graça maior que dá vida plena a nós, primeiro é ouvir a Palavra de Deus. Jesus vai recordar que muitos desejaram ouvir essa Palavra e não puderam ouvir; como muitos hoje desejam ouvir, mas não têm a oportunidade de ouvir como estamos ouvindo.

Vamos ouvir! Quando digo “ouvir” é voltar os ouvidos inteiramente para que a Palavra de Deus penetre em nós, esteja em nós e se cumpra em nós. Não encontre um tempo mais abençoado no seu dia do que aquele momento que você se recolhe para acolher o amor de Deus em você. Por isso, se recolha no canto que puder e que tiver condições para meditar a Palavra.

Uma vez meditando, ouvindo e deixando Deus falar ao seu coração, por meio da Sua Palavra, pratique a Palavra. Porque muitos ouvem, pregam, anunciam a Palavra, mas não a praticam. É uma tentação para a vida de cada um de nós. Como precisamos nos desdobrar na prática da Palavra!

Não podemos ouvir Deus falar de humildade e não nos esforçarmos, não trabalharmos para sermos uma pessoa humilde; não posso ver a Palavra de Deus falando sobre o amor, e dizer: “O amor é lindo. É a coisa mais perfeita”. Mas onde está o amor desdobrado nos meus atos, nas atitudes, naquilo que realizo?

Não basta ouvir a Palavra. É necessário ouvir, esse é o primeiro passo; a primeira felicidade é de quem ouve, mas a felicidade plena é de quem pratica o que ouve.

Deus abençoe você!  


Padre Roger Araújo-  Canção Nova


domingo, 4 de outubro de 2020

Publicada “Fratelli tutti”, a Encíclica social do Papa Francisco

 

Fraternidade e amizade social são os caminhos indicados pelo Pontífice para construir um mundo melhor, mais justo e pacífico, com o compromisso de todos: pessoas e instituições. Reafirmado com vigor o não à guerra e à globalização da indiferença.

Vatican News

Quais são os grandes ideais mas também os caminhos concretos para aqueles que querem construir um mundo mais justo e fraterno nas suas relações quotidianas, na vida social, na política e nas instituições? Esta é a pergunta à qual pretende responder, principalmente, “Fratelli tutti”: o Papa define-a como uma "Encíclica Social" (6) que toma o seu título das "Admoestações" de São Francisco de Assis, que usava essas palavras "para se dirigir a todos os irmãos e irmãs e lhes propor uma forma de vida com sabor do Evangelho" (1). A Encíclica tem como objetivo promover uma aspiração mundial à fraternidade e à amizade social. No pano de fundo, há a pandemia da Covid-19 que - revela Francisco - "irrompeu de forma inesperada quando eu estava escrevendo esta carta". Mas a emergência sanitária global mostrou que "ninguém se salva sozinho" e que chegou realmente o momento de "sonhar como uma única humanidade", na qual somos "todos irmãos". (7-8).

No primeiro de oito capítulos, intitulado "As sombras dum mundo fechado", o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma "cultura de muros" que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, "Um estranho no caminho". Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é "analfabeta" no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós "somos feitos para o amor" (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo "uma dimensão universal" (83) é também retomado no terceiro capítulo, "Pensar e gerar um mundo aberto": nele, Francisco exorta cada um de nós a "sair de si mesmo" para encontrar nos outros "um acrescentamento de ser" (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a "comunhão universal" (95). Afinal – recorda a Encíclica - a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua "missão educativa primária e imprescindível" (114).

O direito a viver com dignidade não pode ser negado a ninguém, afirma ainda o Papa, e uma vez que os direitos são sem fronteiras, ninguém pode ser excluído, independentemente do local onde nasceu (121). Deste ponto de vista, o Papa lembra também que é preciso pensar numa "ética das relações internacionais" (126), porque cada país é também do estrangeiro e os bens do território não podem ser negados àqueles que têm necessidade e vêm de outro lugar. O direito natural à propriedade privada será, portanto, secundário em relação ao princípio do destino universal dos bens criados (120). A Encíclica também coloca uma ênfase específica na questão da dívida externa: embora se mantenha o princípio de que toda a dívida legitimamente contraída deve ser paga, espera-se, no entanto, que isto não comprometa o crescimento e a subsistência dos países mais pobres (126).

Ao tema das migrações é, ao invés, dedicado em parte o segundo e todo o quarto capítulo, "Um coração aberto ao mundo inteiro": com as suas "vidas dilaceradas" (37), em fuga das guerras, perseguições, catástrofes naturais, traficantes sem escrúpulos, arrancados das suas comunidades de origem, os migrantes devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Nos países destinatários, o justo equilíbrio será entre a proteção dos direitos dos cidadãos e a garantia de acolhimento e assistência aos migrantes (38-40). Especificamente, o Papa aponta algumas "respostas indispensáveis" especialmente para aqueles que fogem de "graves crises humanitárias": incrementar e simplificar a concessão de vistos; abrir corredores humanitários; oferecer alojamento, segurança e serviços essenciais; oferecer possibilidade de trabalho e formação; favorecer a reunificação familiar; proteger os menores; garantir a liberdade religiosa. O que é necessário acima de tudo" - lê-se no documento -, é uma legislação (go­vernance) global para as migrações que inicie projetos a longo prazo, indo além das emergências individuais, em nome de um desenvolvimento solidário de todos os povos (129-132).

O tema do quinto capítulo é "A política melhor", ou seja, a que representa uma das formas mais preciosas da caridade porque está ao serviço do bem comum (180) e conhece a importância do povo, entendido como uma categoria aberta, disponível ao confronto e ao diálogo (160). Este é o popularismo indicado por Francisco, que se contrapõe ao "populismo" que ignora a legitimidade da noção de "povo", atraindo consensos a fim de instrumentalizar ao serviço do seu projeto pessoal (159). Mas a melhor política é também a que protege o trabalho, "uma dimensão indispensável da vida social" e procura assegurar que cada um tenha a possibilidade de desenvolver as suas próprias capacidades (162). A verdadeira estratégia contra a pobreza, afirma a Encíclica, não visa simplesmente a conter os necessitados, mas a promovê-los na perspectiva da solidariedade e da subsidiariedade (187). A tarefa da política, além disso, é encontrar uma solução para tudo o que atenta contra os direitos humanos fundamentais, tais como a exclusão social; tráfico de órgãos, e tecidos humanos, armas e drogas; exploração sexual; trabalho escravo; terrorismo e crime organizado. Forte o apelo do Papa para eliminar definitivamente o tráfico de seres humanos, "vergonha para a humanidade", e a fome, porque é "criminosa" porque a alimentação é "um direito inalienável" (188-189).

A política da qual há necessidade, sublinha ainda Francisco, é aquela centrada na dignidade humana e que não está sujeita à finança porque "o mercado por si só, não resolve tudo": os "estragos" provocados pela especulação financeira mostraram-no (168). Assumem, portanto, particular relevância os movimentos populares: verdadeiros "torrentes de energia moral", devem ser envolvidos na sociedade, de uma forma coordenada. Desta forma - afirma o Papa -, pode-se passar de uma política "para" os pobres para uma política "com" e "dos" pobres (169). Outro desejo presente na Encíclica diz respeito à reforma da ONU: perante o predomínio da dimensão econômica, de fato, a tarefa das Nações Unidas será dar uma real concretização ao conceito de "família de nações", trabalhando para o bem comum, a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos humanos. Recorrendo incansavelmente à "negociação, aos mediadores e à arbitragem" - afirma o documento pontifício - a ONU deve promover a força da lei sobre a lei da força (173-175).

Do sexto capítulo, "Diálogo e amizade social", emerge também o conceito de vida como "a arte do encontro" com todos, também com as periferias do mundo e com os povos originais, porque "de todos se pode aprender alguma coisa, nin­guém é inútil, ninguém é supérfluo" (215). Particular, então, a referência do Papa ao "milagre da amabilidade", uma atitude a ser recuperada porque é "uma estrela na escuridão" e uma "libertação da crueldade, da ansiedade que não nos deixa pensar nos outros, da urgência distraída" que prevalecem em época contemporânea (222-224). Reflete sobre o valor e a promoção da paz, o sétimo capítulo, intitulado "Percursos dum novo encontro", no qual o Papa sublinha que a paz é "proativa" e visa formar uma sociedade baseada no serviço aos outros e na busca da reconciliação e do desenvolvimento mútuo. A paz é uma "arte" em que cada um deve desempenhar o seu papel e cuja tarefa nunca termina (227-232). Ligado à paz está o perdão: devemos amar todos sem exceção - lê-se na Encíclica -, mas amar um opressor significa ajudá-lo a mudar e não permitir que ele continue a oprimir o seu próximo (241-242). Perdão não significa impunidade, mas justiça e memória, porque perdoar não significa esquecer, mas renunciar à força destrutiva do mal e da vingança. Nunca esquecer "horrores" como a Shoah, os bombardeamentos atómicos em Hiroshima e Nagasaki, perseguições e massacres étnicos - exorta o Papa - devem ser sempre recordados, novamente, para não nos anestesiarmos e manterem viva a chama da consciência coletiva. E também é importante fazer memória do bem. (246-252).

Parte do sétimo capítulo se detém, então, sobre a guerra: "uma ameaça constante", que representa a "negação de todos os direitos", "o fracasso da política e da humanidade", "a vergonhosa rendição às forças do mal". Além disso, devido às armas nucleares, químicas e biológicas que afetam muitos civis inocentes, hoje já não podemos pensar, como no passado, numa possível "guerra justa", mas temos de reafirmar fortemente "Nunca mais a guerra! A eliminação total das armas nucleares é "um imperativo moral e humanitário"; em vez disso - sugere o Papa - com o dinheiro do armamento deveria ser criado um Fundo Mundial para acabar de vez com a fome (255-262). Francisco expressa uma posição igualmente clara sobre a pena de morte: é inadmissível e deve ser abolida em todo o mundo. "O homicida não perde a sua dignidade pessoal - escreve o Papa – e o próprio Deus Se constitui seu garante" (263-269). Ao mesmo tempo, a necessidade de respeitar "a sacralidade da vida" (283) é reafirmada onde "partes da humanidade parecem sacrificáveis ", tais como os nascituros, os pobres, os deficientes, os idosos (18).

No oitavo e último capítulo, o Pontífice se detém sobre "Religiões ao serviço da fraternidade no mundo" e reitera que o terrorismo não se deve à religião, mas a interpretações erradas de textos religiosos, bem como a políticas de fome, pobreza, injustiça e opressão (282-283). Um caminho de paz entre a religiões é, portanto, possível; por isso, é necessário garantir a liberdade religiosa, direito humano fundamental para todos os crentes (279). Uma reflexão, em particular, a Encíclica  faz sobre o papel da Igreja: ela não relega a sua missão à esfera privada e, embora não fazendo política, não renuncia à dimensão política da existência, à atenção ao bem comum e à preocupação pelo desenvolvimento humano integral, segundo os princípios evangélicos (276-278).

Enfim, Francisco cita o "Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum", assinado por ele mesmo em 4 de fevereiro de 2019 em Abu Dhabi, junto com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib: desta pedra miliar do diálogo inter-religioso, o Pontífice retoma o apelo para que, em nome da fraternidade humana, o diálogo seja adoptado como caminho, a colaboração comum como conduta, e o conhecimento mútuo como método e critério (285).

Fonte: Vatican News 

Rezar pela saúde e pelos enfermos: um novo Rosário em tempos de pandemia

 

No início de outubro, o mês de Maria, foi lançado um novo e-book do Rosário para rezar em tempos de pandemia e de doença. O Rosário de Crise e Saúde pode ser descarregado gratuitamente como livro electrónico, em formato EPUB, MOBI ou PDF a partir do website www.aleteia.org

Na festa de Santa Teresa de Lisieux, santa padroeira dos missionários católicos, foi lançado um novo Rosário convidando todos a rezar por todos aqueles que foram afetados pela pandemia do coronavírus e outros tipos de doenças. Designado por o Rosário pela Crise e Saúde é um e-book cujos conteúdos foram escritos pelaCOVID-19: Comissão do Vaticano. Também a 7 de outubro, na festa de Nossa Senhora do Rosário, estará ainda disponível como um Rosário em áudio-guia no Click To Pray eRosary, a app gratuita que o ajudará a rezar esta oração mariana, cujos conteúdos foram criados pelaRede Mundial de Oração do Papa e desenvolvida pela GTI.

A importância de rezar o Rosário em tempos de pandemia

Desde que a pandemia da COVID-19 atingiu o mundo no início de 2020, muitos países têm sofrido grandemente. Não só devido à urgência sanitária, que tirou inúmeras vidas, mas também derivado às consequências socioeconómicas que continuam a atingir todo o mundo. Desde este surto que o Papa Francisco tem insistido na necessidade de rezar nestes tempos difíceis. A 30 de maio, apelou a toda a humanidade que rezasse em conjunto pedindo ajuda divina durante a pandemia do coronavírus e guiou a oração do Rosário diante da gruta de Lourdes nos jardins do Vaticano. Fê-lo acompanhado de um médico, uma enfermeira, um doente recuperado e uma pessoa que perdera um membro da família com a COVID-19:

“Na presença da dramática situação, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.”

PAPA FRANCISCO

O Santo Rosário em tempos de pandemia

Ciente da era digital em que vivemos, este novo e-book pretende ajudar os fiéis a chegar até Maria, nossa Mãe, e contemplar cada mistério à luz de um mundo em crise provocado pela COVID-19 e dos cenário dramáticos no horizonte.

Por conseguinte, o que os leitores encontrarão no e-book do Rosário pela Crise e Saúdesão testemunhos reais de pessoas afetadas pela pandemia, em várias formas. Os escritores, membros daCOVID-19: Comissão do Vaticano, pretenderam guiar os crentes unindo algumas das histórias dolorosas e difíceis de pessoas de todo o mundo à contemplação dos diferentes mistérios do Rosário.

Ao rezar, o leitor irá tomando conhecimento de algumas histórias pessoais comoventes: por exemplo, a história de Juan, que perdeu o emprego na segunda semana da emergência do coronavírus. Era a terceira vez que ficara sem nada em menos de um ano, e não conseguia aceitar a situação. Ficou cada vez mais deprimido e o seu ânimo era muito baixo. A esposa de Juan ficou resolutamente a seu lado repetiu vezes sem fim que confiava nele e que se orgulhava da sua forma de lutar. Enquanto esperam encontrar alguma coisa conseguem viver ambos com o modesto salário dela. Ela não o abandonou e é a âncora que lhe permite a ele continuar a acreditar em si mesmo. Perante esta experiência, perguntaram-nos: Já senti algumas vezes a força de Cristo na minha fraqueza? O que me prometeu Ele durante o correr da minha vida? Lembro-me das suas promessas em momentos mais difíceis?

O Padre August Zampini, Secretário Adjunto doDicastério para Promover o Desenvolvimento Integral do Ser Humano e um dos coordenadores da COVID-19: Comissão do Vaticano, disse: “Estes são tempos de sofrimento, divisão e incerteza. Mas ao mesmo tempo, este momento de desafios é uma oportunidade para mudarmos e nos prepararmos para um futuro mais saudável. Com o nosso olhar fixo em Jesus e contemplando os mistérios luminosos, dolorosos, alegres e gloriosos da Sua vida, podemos abraçar a esperança do Reino de Deus que nos abre novos horizontes. Guiados pela Virgem Maria, que soube como guardar tudo no seu coração sofredor, vamos reunir-nos em oração enquanto trabalhamos para o bem-estar das pessoas, das instituições e do planeta.”

  • Fonte: Aleteia

São Francisco de Assis: 12 fatos fascinantes que talvez você não conhecia

 

REDAÇÃO CENTRAL, 04 out. 20 / 06:00 am (ACI).- Neste dia 4 de outubro, é celebrada a festa de São Francisco de Assis, um dos santos mais conhecidos e queridos da Igreja, cujo nome foi adotado em sua honra pelo Papa Francisco.

A seguir, 12 fatos fascinantes que talvez não conhecia sobre a vida deste santo:

1. Os retratos mais antigos de São Francisco estão na Itália

O primeiro (esquerda) se encontra no mosteiro beneditino de Subiaco. Foi feito durante uma visita ao mosteiro; neste , São Francisco não tem auréola nem estigmas.

O segundo (direita) está na Basílica inferior de Assis e foi pintado por Cimabue. O afresco completo representa a Virgem com o Menino Jesus entronizados, quatro anjos e São Francisco.

2. Foi chamado Francisco pelo povo da França

Seu pai, Pedro Bernardone, foi um comerciante que trabalhava na França. Como estava neste país quando seu filho nasceu, as pessoas o apelidaram de “Francesco” (o francês), por mais que no batismo tenha recebido o nome de João.

3. Foi prisioneiro de guerra durante um ano

Quando tinha cerca de 19 anos, antes de sua conversão, uniu-se ao exército e lutou em uma guerra travada entre as cidades de Perugia e Assis. Foi feito prisioneiro durante um ano, mas finalmente foi libertado ileso.

4. Sua vida se inspirou em Mateus 10,9

Em Mateus 10,9, Jesus diz a seus discípulos: “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos”, quando saírem para pregar o Evangelho. Sentiu-se inspirado a fazer o mesmo e começou a viajar na pobreza para pregar o arrependimento.

5. Em um ano, ganhou 11 seguidores

No ano de 12010, havia 12 deles no total, ou seja, como o número dos apóstolos. Então, Francisco redigiu uma regra breve e informal que consistia principalmente nos conselhos evangélicos para alcançar a perfeição. Com ela, foram para Roma a fim de apresenta-la para a aprovação do Papa. Viajaram a pé, cantando e rezando, cheios de felicidade e vivendo das esmolas que as pessoas lhes davam.

6. O Papa Inocêncio III decidiu apoiar os franciscanos depois de um sonho sobrenatural

O Papa Inocêncio III se mostrou adverso ao dar apoio a Francisco e seu novo grupo de seguidores. Então, teve um sonho no qual viu Francisco sustentando com seu corpo a Basílica de São João de Latrão, a catedral da Diocese de Roma, que estava a ponto de desmoronar.

O Santo Padre interpretou o sonho como uma indicação de que Francisco e seu grupo poderiam servir de apoio à Igreja e, assim, deu-lhes o reconhecimento oficial como uma ordem.

7. Assistiu ao IV Concílio de Latrão, onde conheceu São Domingos de Gusmão

O IV Concílio de Latrão foi o concílio ecumênico 12 da Igreja Católica no qual se ratificou a transubstanciação e a primazia papal, entre outras coisas. São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos, também esteve presente.

8. Visitou um sultão muçulmano, pregou o Evangelho e o desafiou a uma prova “de fogo” a fim de provar a verdade do cristianismo

Durante a quinta cruzada, Francisco e um acompanhante viajaram a território muçulmano para visitar o sultão do Egito e Síria, Al-Kamil.

O santo pregou diante do sultão e, para demonstrar sua grande fé na religião cristã, desafiou os presentes a um “prova de fogo”, que consistia em que ele e um muçulmano caminhassem por uma trilha em chamas, com a ideia de que o seguidor da religião verdadeira deveria ser protegido por Deus.

Francisco se ofereceu a ir primeiro, mas Al-Kamil recusou o desafio. Entretanto, o sultão ficou tão impressionado por sua fé que deu permissão para Francisco pregar em sua terra.

9. Deteve os milagres de um franciscano falecido

Em 1220, Francisco se retirou do governo da Ordem e nomeou como seu Vigário Pedro Cattani. Entretanto, Pedro morreu apenas cinco meses depois.

As pessoas que visitaram seu túmulo reportaram muitos milagres, o que levou grandes multidões ao local, o que causava problemas na região. Por isso, Francisco rezou a Cattani para que os milagres se detivessem, e estes cessaram.

10. Recebeu os estigmas enquanto realizava um jejum de 40 dias

Os estigmas são uma condição na qual as feridas de Cristo aparecem sobrenaturalmente no corpo de uma pessoa. Um franciscano que o acompanhou disso: “De repente, teve a visão de um serafim, um anjo de seis asas em uma cruz. Este anjo lhe deu o dom das cinco chagas de Cristo”.

Isto aconteceu em 1224, durante um jejum de 40 dias no Monte Alvernia, quando se preparava para a Festa de São Miguel Arcanjo, em 29 de setembro.

11. A primeira pedra da Basílica de São Francisco de Assis foi colocada no dia seguinte de sua canonização

Francisco morreu em 3 de outubro de 1226. Foi declarado santo pelo Papa Gregório IX, em 16 de julho de 1228, e no dia seguinte o Santo Padre colocou pessoalmente a primeira pedra da nova basílica de São Francisco de Assis.

12. Seu túmulo se perdeu durante séculos até que foi redescoberto em 1818

Seu corpo foi transladado para sua basílica em 1230, mas logo foi ocultado pelos franciscanos para protegê-lo dos invasores sarracenos. A localização de seu corpo ficou esquecida e não foi redescoberta até quase seis séculos depois, em 1818.

Fonte: Acidigital

Hoje é celebrado São Francisco de Assis, exemplo de pobreza, harmonia e paz



REDAÇÃO CENTRAL, 04 out. 20 / 05:00 am (ACI).- “Conheço Jesus pobre e crucificado e isso me basta”, dizia São Francisco de Assis, cuja festa se celebra neste dia 4 de outubro. O Papa, que escolheu o nome Francisco por causa deste santo, definiu-o como homem de harmonia e de paz.

São Francisco nasceu em Assis (Itália) em 1182, em uma família abastada. Tinha muito dinheiro e o gastava com ostentação. Só se interessava por “gozar a vida”.

Em sua juventude, foi à guerra e acabou sendo feito prisioneiro. Logo depois de ser libertado, ficou doente até que escutou uma voz que lhe questionou: “Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?”.  Retornou para casa e com a oração foi entendendo que Deus queria algo a mais dele.

Começou a visitar e servir aos doentes, até dar de presente suas roupas e dinheiro. Desta maneira desenvolvia seu espírito de pobreza, humildade e compaixão.

Certo dia, enquanto rezava na Igreja de São Damião, pareceu-lhe que o crucifixo repetia três vezes: “Francisco, vai e repara a minha Igreja que, como vês, está toda em ruínas”. Então, acreditando que lhe pedia que reparasse o templo físico, foi, vendeu os vestidos da loja de seu pai, levou o dinheiro ao sacerdote do templo e pediu para viver ali.

O presbítero aceitou que ficasse, mas não o dinheiro. Seu pai o buscou, golpeou-o furiosamente e, ao ver que seu filho não queria retornar para casa, exigiu o dinheiro. Francisco, ante o conselho do Bispo, devolveu-lhe até a roupa que levava no corpo.

Mais adiante, ajudou a reconstruir a Igreja de São Damião e de São Pedro. Com o tempo, transferiu-se para uma capela chamada Porciúncula, a qual reparou e onde viveu. Pelos caminhos, costumava saudar dizendo: “A paz do Senhor esteja contigo”.

Sua radicalidade de vida foi atraindo algumas pessoas que queriam ser seus discípulos. Foi assim que, em 1210, Francisco redigiu uma breve regra e junto a seus amigos foi a Roma, onde obteve a aprovação.

O santo fez da pobreza o fundamento de sua ordem e o amor à pobreza se manifestava na maneira de se vestir, nos utensílios que usavam e nos atos. Apesar de tudo, sempre eram vistos alegres e contentes.

Sua humildade não era um desprezo sentimental de si mesmo, a não ser na convicção de que “ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais”.

“Muitos há que, insistindo em orações e serviços, fazem muitas abstinências e macerações dos seus corpos, mas por causa de uma única palavra que lhes parece ser uma injúria a seu próprio eu ou por causa de alguma coisa que se lhes tire, sempre se escandalizam e se perturbam. Estes não são pobres de espírito, porque quem é verdadeiramente pobre de espirito se odeia a si mesmo e ama quem lhe bate a face”, dizia.

Considerando-se indigno, chegou a receber só o diaconato e deu à sua Ordem o nome de frades menores porque queria que seus irmãos fossem os servos de todos e buscassem sempre os lugares mais humildes.

É atribuído a ele ter começado a tradição do “presépio” que se mantém até os dias de hoje. Além disso, Deus lhe concedeu o milagre dos estigmas.

Ao visitar Assis em 4 de outubro de 2013, o Papa Francisco disse que São Francisco “dá testemunho de respeito por tudo, dá testemunho de que o homem é chamado a salvaguardar o homem, de modo que o homem esteja no centro da criação, no lugar onde Deus – o Criador – o quis; e não instrumento dos ídolos que nós criamos! A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia e de paz”.

Fonte: Acidigital