quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Santo do Dia : São Cirilo e São Metódio - Os irmãos missionários

A vontade de amar o povo e a Deus foi o impulso que moveu a evangelização de São Cirilo e São Metódio

Nasceu na Grécia, no ano de 826. Vocacionado em busca da verdade, ele estudou, por amor, filosofia e chegou a lecionar. Um homem dado à comunhão ao ponto de ser embaixador, diplomata junto aos povos árabes. Mas tudo isso que tocava a vida de São Cirilo não preenchia completamente o seu coração, porque ele tinha uma vocação à verdade absoluta e queria se consagrar totalmente a ela, a verdade encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo.
São Cirilo abandonou tudo para viver uma grande aventura santa com seu irmão que já era monge: São Metódio. Juntos, movidos pelo Espírito, foram ao encontro dos povos eslavos, conheceram a cultura e se inculturaram. A língua, os costumes, o amor àquele povo, tudo isso foi fundamental para que São Cirilo, juntamente com seu irmão, para que pudessem apresentar o Evangelho vivo, Jesus Cristo.
Devido inovações inspiradas, eles traduziram as liturgias para a língua dos eslavos. Tiveram de ir muitas vezes para Roma e o Papa, percebendo os frutos daquela evangelização, daquela mudança litúrgica, ele pôde discernir o fruto principal que movia aqueles irmãos missionários era o amor àquele povo eslavo e, acima de tudo, o amor a Deus.
Numa dessas viagens para Roma, São Cirilo tinha um pouco mais de 40 anos e ficou enfermo. O Papa quis ordená-lo Bispo, mas Cirilo faleceu. Mas está na glória intercedendo por nós.
São Cirilo e São Metódio, rogai por nós!

Liturgia Diária ; Quarta-feira de Cinzas

Primeira Leitura (Jl 2,12-18)
Leitura da Profecia de Joel:
12“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; 13rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”.
14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus?
15Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia;16congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito.
17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem”. Por que se haveria de dizer entre os povos: “Onde está o Deus deles?”
18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo de Hoje: Responsório (Sl 50)

— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão do vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
— Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
— Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!

Segunda Leitura (2Cor 5,20–6,2)


Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 20Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus.
21Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.
6,1Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, 2pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Compreendendo e Refletindo

A Quaresma é tempo de conversão do nosso coração com jejum e penitência

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus” (Jl 2, 12-18).
O convite que Deus nos faz, no início desta Quaresma, nesta Quarta-feira de Cinzas, não é nem um outro a não ser nos voltarmos inteiros para Ele. Porque, se existe uma tentação na vida e no mundo, é a tentação de ter um coração dividido e fracionado. Ninguém que esteja me escutando agora, tenho a certeza de que, não afastou-se de Deus inteiramente. Se está me escutando é porque no seu coração tem espaço para Deus, porque, caso contrário, escutaria outras coisas que causam mais prazer a degustação do coração humano.
Se ainda escuta a Palavra de Deus é porque no seu coração tem espaço para Deus, mas não adianta ter espaço para o Senhor, se o coração é dividido, porque com isso, o coração declina-se , cai e não vive a integridade do amor de Deus. Desculpe, Deus não nos dá migalhas, e sim, se dá por inteiro a nós, e Ele quer que sejamos inteiramente d’Ele, pois, de outra forma, nosso coração continuará se machucando e tomado pela incredulidade, maldades e seduções do mundo.
Esse tempo de graça, que agora começamos, não é somente um tempo de jejum e penitência; é mais do que isso. O objetivo maior é outro, nós queremos é que nossos corações sejam inteiros de Deus, e não sejam mais dividido entre o Senhor e o mundo.
Estamos no mundo, mas somos todos de Deus. Esse é o propósito que deve guiar a nossa caminhada quaresmal.
Passamos pelo deserto da vida e das provações, mas somos todos de Deus. Rasgue e abra seu coração, mas para que vamos rasgar o nosso coração? Para tirar as coisas velhas, impuras, que não são de Deus e estão dentro do nosso coração.
Vamos tirar as profanações, as coisas estragadas, mentiras do mundo e tudo aquilo que nos rouba da presença do Senhor nosso Deus. Rasgue! A penitência ajuda; o jejum é um santo remédio; a esmola, a caridade e o amor ao próximo nos colocam no prumo e na direção certa.
Mas o fundamental é rasgar-se, jogar-se e se lançar para que, o nosso coração, não se dividida mais por ninguém e nem por nada, mas seja do Senhor, nosso Deus.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo- Canção Nova

Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)


— O Senhor esteja convosco.                                                 
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Carnaval: a maior festa popular do mundo com as cores do Brasil


Carnaval: a maior festa popular do mundo com as cores do Brasil
O carnaval é a maior festa popular do Brasil e do mundo. Nos quatro dias da manifestação cultural, o povo é embalado pelo samba, frevo, axé e por tantos outros ritmos. A diversidade da festa é característica nas multidões que brincam nas diferentes expressões da folia de cada cidade brasileira. Nas marchinhas, nas batucadas, nos sambas-enredos, nos blocos, nos bonecos gigantes, nos carros alegóricos, nas fantasias, nas plumas, nos paetês, nas purpurinas, nos confetes e nas serpentinas estão impressas as cores da beleza da cultura brasileira que dão vida à festa.

“O carnaval é uma época de festa, de reunir os amigos e vivenciar a alegria do momento. Já tive fases em que via o carnaval como momento de desapego, de extravasar. Mas hoje, nada mais é do que uma oportunidade para sair da rotina e curtir com os amigos”, declara a jornalista Priscilla Peixoto, da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Taguatinga (DF).
Sob influência das festas carnavalescas que aconteciam na Europa, a festa chegou ao Brasil em meados do século XVII. Mas, por aqui, só no final do século XIX que começaram a aparecer os primeiros blocos.
As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades, afirma o historiador André Diniz, no livro Almanaque do Carnaval. Segundo a obra, a primeira marchinha “Ó abre alas” foi feita em 1899, por Chiquinha Gonzaga, para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro.
No Brasil, o carnaval se expressa em três grandes eixos. No Rio de Janeiro e em São Paulo, predominam os desfiles das Escolas de Samba e dos blocos de rua. Já em Pernambuco, os bonecos gigantes dão o tom ao frevo de rua e em Salvador a folia é por conta dos trios de axé que arrastam multidões. É nessas três vertentes que o brasileiro se diverte nos quatro dias que antecedem o início da Quaresma, período de quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a Páscoa.

FÉ E SAMBA



Igor Ricardo, da paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro 25 de agosto, em Duque de Caxias (RJ), nasceu em uma família católica, mas também do samba.
“Eu fui criado indo para a Igreja aos domingos, mas ao mesmo tempo cresci nas quadras das escolas de samba. Meus familiares – pais e tios – são ligados ao samba”, disse explicando como concilia a sua devoção à Igreja e também ao carnaval.
Segundo ele, é possível vivenciar o carnaval e ser católico já que são duas coisas totalmente distintas. “A minha fé não é abalada em momento nenhum pelo carnaval. Me sinto à vontade em dizer que sou católico e não me sinto rejeitado por ser um ambiente que têm muitas pessoas de outras religiões”, ressalta.
O mesmo acontece nas quadras das escolas que frequenta: “Eu não me sinto invadido, nem desrespeitado no samba por ser católico”, disse.

Um bom exemplo da relação da fé com o carnaval tornou-se samba enredo nas mãos dos carnavalescos da escola de samba Unidos da Vila Maria, em São Paulo (SP), em 2017. A escola homenageou a padroeira do Brasil com o enredo “Aparecida – A Rainha do Brasil. 300 anos de amor e fé no coração do povo brasileiro”. A agremiação lembrou os 300 anos da aparição da imagem da padroeira do Brasil, no Rio Paraíba do Sul (SP).
A homenagem contou com o aval do arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, e por representantes da arquidiocese e do Santuário Nacional de Aparecida. O pedido feito pela Unidos de Vila Maria chegou à arquidiocese em 2015 e foi levado ao conselho Pro-Santuário Nacional de Aparecida, encarregado de acompanhar, em nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a vida pastoral e administrativa do Santuário.
Após vários pedidos de esclarecimentos, por unanimidade, a Arquidiocese de São Paulo deu parecer favorável à iniciativa, mas fez algumas recomendações conforme nota publicada no site da arquidiocese de São Paulo.

“Alguns critérios tiveram de ser observados: o respeito à imagem de Nossa Senhora Aparecida, à fé e à religiosidade do povo católico; fidelidade aos fatos históricos; apresentação da genuína piedade mariana católica, sem sincretismos; decoro no desfile da escola, sem exposição de nudez e a supervisão dos preparativos pelo Santuário de Aparecida e pela Arquidiocese de São Paulo”, destacou.
O assessor de imprensa da Arquidiocese de São Paulo, Rafael Alberto, um dos representantes da Igreja que ajudou a Escola a desenvolver o enredo, disse que a agremiação aceitou sem reservas todos esses critérios. Indicado pela arquidiocese, ele participou de tudo: supervisionou o desenvolvimento do enredo, avaliou a letra do samba até a elaboração das fantasias, incluindo a da madrinha da bateria.
À época, o cardeal Odilo Scherer chegou a perguntar se o sambódromo é o lugar mais adequando para homenagear a padroeira do Brasil e concluiu: “Até pode ser, pois tudo depende da intenção e da forma como as coisas são feitas. No caso em questão, a intenção é boa e a forma também. O lugar seria impróprio para honrar a puríssima Virgem Maria? Mas será que Maria não gostaria de chegar lá, onde mais se faz necessária a sua presença?”, problematizou.

O jovem Igor Ricardo vivenciou, em 2017, uma experiência de fé no carnaval. Como jornalista, ele fez uma reportagem com um padre que desfilou como passista em uma escola em uma ala tradicional onde desfilam os passistas. Ele perguntou ao padre: “É possível vivenciar o carnaval sendo católico?”. A resposta do padre mexeu com suas certezas. O religioso afirmou que o pecado está na cabeça das pessoas e no ato praticado por elas. “A minha fé independe de eu estar sambando. Eu sambo pela arte e pela cultura, não para cometer o pecado”, acrescentou o padre passista. Essa resposta, disse Igor, mudou a sua visão de fé como católico e também como amante da cultura da escola de samba.

Priscilla Peixoto – Arquivo Pessoal
A jovem Priscila Peixoto também não vê problemas em vivenciar o carnaval sendo católica. “Independentemente da religião, o nosso caráter, nossa essência e nossa crença não devem ser abalados pelo calor de um momento. É uma festa como outra qualquer. A gente tem que desapegar desse estigma de que um cristão não pode se divertir e tem que estar somente na Igreja. Todo lugar é lugar de evangelizar”, frisou.
Segundo Priscila, é importante termos a consciência de que tudo na vida tem limites. “Se estamos em uma festa e esquecemos nossos valores, bebemos além da conta, estamos exercendo o livre arbítrio de forma equivocada. Mas nada nunca me impediu de ser cristã, de beber sim, de conhecer pessoas e de saber até onde eu posso ir. A maturidade nos traz isso e a fé confirma”, avalia.

O carnaval é uma expressão cultural que tem inúmeras manifestações e deve ser vivenciado de forma a expressar a alegria pelo canto e pela dança. Por outro lado, o Arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Krieger adverte que o bem-aventurado Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, lembra que nem toda cultura é, por si mesma, valiosa. “Cabe a nós, portadores da mensagem de Jesus Cristo, penetrar nas culturas e introduzir nelas os valores do Evangelho. Foi isso que fizeram os cristãos com lugares e festas pagãs”, disse.
Neste Ano Nacional do Laicato, o arcebispo reforça que o carnaval é um imenso desafio para a ação evangelizadora dos leigos e leigas. “Que o Espírito Santo os ilumine nessa tarefa”, pediu o bispo.

Fonte: CNBB