terça-feira, 2 de junho de 2015

Espírito Santo

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)


"Vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai, enchei de graça divina, os corações que criastes...
Por ti conhecemos o Pai, e conhecemos também o Filho, porque de ambos procedeis, o cremos firmemente."
A Igreja, em distintas ocasiões, canta esse hino suplicando a força do Espírito de Deus. Força essa necessária nos espaços de estudo, prece e diálogo; força necessária nas escolhas, decisões, encaminhamentos.

"Vem, Espírito Santo". O Espírito de Deus sempre vem! Ele já estava presente nas origens. Ele continua presente na história e acompanha toda a obra da criação e da redenção. É por isso que a comunidade de fé, desde sempre, sabe-se sustentada pela sua presença. Tal certeza é repercussão das palavras de Jesus: "Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade". (Jo 14, 16-7).
O Espírito Santo de Deus é luz a orientar nossos passos; é guia em nossas decisões; é consolador nas intempéries da vida; é pai dos pobres, doador de dons, luz dos corações. Assim, pode-se perceber que o Espírito Santo é ânimo e resistência; concede persistência e horizontes; consola, pacifica e acalma; é vida!
O Espírito é compreendido também como luz. A luz é condição para quase tudo que existe. É difícil definir o que seja a luz. Ela possui velocidade enorme; atravessa o universo, proporcionando-lhe consistência. Jesus é apresentado como "luz do mundo" (Jo 1,4). Nós mesmos, segundo as Escrituras Sagradas, somos chamados a nos tornar 'filhos e filhas da luz'. "Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo" (Mt 5,13-4).
Como 'filhos e filhas da luz', sentimo-nos desafiados por fragilidades e limitações. Se, por um lado há algo no ser humano que o lança em direção ao Infinito, há também algo que o segura próximo ao limitado e contingente, condição que nos faz 'sempre e de novo', invocar o Espírito Criador, Consolador e Renovador, a fim de, com seu auxílio, jamais percamos o rumo ou a direção. Mas não só. Invocando-o, pedimos também afabilidade, sensibilidade, compreensibilidade, pois sentimos o peso da dureza e da rigidez, das obtusidades e desvios que caracterizam a natureza humana.
O cultivo da abertura ao Espírito de Deus alimenta a necessária e salutar disposição para o novo, além de nos permitir ser surpreendidos pela salvação (salus = saúde, salvação) que somente o Deus Criador pode conceder, fazendo novas todas as coisas.
A Igreja em todos os tempos não se cansa de cantar: "Vem, Espírito Santo". Sob sua inspiração e ação não há engano. Fazendo-se presente no caminho dos discípulos e discípulas de todos os tempos, o Espírito concede ânimo, consolo e segurança, penetrando suas ações e decisões.
Presente desde as origens da história, o Espírito é mestre interior a inspirar e orientar a todos rumo ao Reino definitivo anunciado e inaugurado por Jesus de Nazaré. O Espírito da Verdade vai orientando e guiando a Igreja de todos os tempos em direção a "toda a verdade" (Jo 16,13). Sob a força do Espírito Santo, Deus continua revelando à Igreja seus desígnios.
É pela força do Paráclito que os artistas criam, poetas cantam, profetas denunciam, jovens, mulheres e homens rezam e assumem a prática do bem, da verdade e do belo. É o vigor da luz beatíssima que sustenta a muitos no seguimento do Crucificado-Ressuscitado, no testemunho e anúncio do 'Reino e sua justiça'.
"O Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; leva-nos a rezar e a dizer 'Pai' a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia" (Papa Francisco).
Deixemo-nos surpreender por Deus e seu Espírito! Por isso, rezamos: "Vem, Espírito Santo... Enche o íntimo do coração de teus fiéis... Lava o que é sórdido, irriga o que é árido, sana o que é doente... Dá o mérito da virtude, o êxito da salvação, o perene gozo".
Fonte: CNBB

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