Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

"Vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai, enchei de graça divina, os corações que criastes...
Por ti conhecemos o Pai, e conhecemos também o Filho, porque de ambos procedeis, o cremos firmemente."
A Igreja, em distintas ocasiões, canta esse hino suplicando a força do Espírito de Deus. Força essa necessária nos espaços de estudo, prece e diálogo; força necessária nas escolhas, decisões, encaminhamentos.
"Vem, Espírito Santo". O Espírito de Deus sempre vem! Ele já estava presente nas origens. Ele continua presente na história e acompanha toda a obra da criação e da redenção. É por isso que a comunidade de fé, desde sempre, sabe-se sustentada pela sua presença. Tal certeza é repercussão das palavras de Jesus: "Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade". (Jo 14, 16-7).
O Espírito Santo de Deus é luz a orientar nossos passos; é guia em nossas decisões; é consolador nas intempéries da vida; é pai dos pobres, doador de dons, luz dos corações. Assim, pode-se perceber que o Espírito Santo é ânimo e resistência; concede persistência e horizontes; consola, pacifica e acalma; é vida!
O Espírito é compreendido também como luz. A luz é condição para quase tudo que existe. É difícil definir o que seja a luz. Ela possui velocidade enorme; atravessa o universo, proporcionando-lhe consistência. Jesus é apresentado como "luz do mundo" (Jo 1,4). Nós mesmos, segundo as Escrituras Sagradas, somos chamados a nos tornar 'filhos e filhas da luz'. "Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo" (Mt 5,13-4).
Como 'filhos e filhas da luz', sentimo-nos desafiados por fragilidades e limitações. Se, por um lado há algo no ser humano que o lança em direção ao Infinito, há também algo que o segura próximo ao limitado e contingente, condição que nos faz 'sempre e de novo', invocar o Espírito Criador, Consolador e Renovador, a fim de, com seu auxílio, jamais percamos o rumo ou a direção. Mas não só. Invocando-o, pedimos também afabilidade, sensibilidade, compreensibilidade, pois sentimos o peso da dureza e da rigidez, das obtusidades e desvios que caracterizam a natureza humana.
O cultivo da abertura ao Espírito de Deus alimenta a necessária e salutar disposição para o novo, além de nos permitir ser surpreendidos pela salvação (salus = saúde, salvação) que somente o Deus Criador pode conceder, fazendo novas todas as coisas.
A Igreja em todos os tempos não se cansa de cantar: "Vem, Espírito Santo". Sob sua inspiração e ação não há engano. Fazendo-se presente no caminho dos discípulos e discípulas de todos os tempos, o Espírito concede ânimo, consolo e segurança, penetrando suas ações e decisões.
Presente desde as origens da história, o Espírito é mestre interior a inspirar e orientar a todos rumo ao Reino definitivo anunciado e inaugurado por Jesus de Nazaré. O Espírito da Verdade vai orientando e guiando a Igreja de todos os tempos em direção a "toda a verdade" (Jo 16,13). Sob a força do Espírito Santo, Deus continua revelando à Igreja seus desígnios.
É pela força do Paráclito que os artistas criam, poetas cantam, profetas denunciam, jovens, mulheres e homens rezam e assumem a prática do bem, da verdade e do belo. É o vigor da luz beatíssima que sustenta a muitos no seguimento do Crucificado-Ressuscitado, no testemunho e anúncio do 'Reino e sua justiça'.
"O Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; leva-nos a rezar e a dizer 'Pai' a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia" (Papa Francisco).
Deixemo-nos surpreender por Deus e seu Espírito! Por isso, rezamos: "Vem, Espírito Santo... Enche o íntimo do coração de teus fiéis... Lava o que é sórdido, irriga o que é árido, sana o que é doente... Dá o mérito da virtude, o êxito da salvação, o perene gozo".
Fonte: CNBB
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