2013-09-11 Rádio Vaticana
Com a sua carta, publicada nas três primeiras páginas da edição de hoje de La Reppublica, o Papa põe em acto um dos objectivos daquela Encíclica: um diálogo sério e rigoroso com um não crente que em todo o caso permanece interessado e fascinado pelas questões ligadas à Fé. Um diálogo que assume todo o seu sentido nas nossas sociedades tão pouco sensíveis à transcendência e à questão de Deus. Nomeadamente o paradoxo de entender que a Fé, que deveria iluminar a vida dos Homens, ser considerada, desde a época moderna, como um amontoado de superstições oposto à luz da Razão. Daqui a necessidade de empreender um diálogo aberto, sem preconceitos, para um encontro fecundo. Um diálogo que não é mundanidade, mas um imperativo, para o crente, que tem a obrigação de testemunhar a sua fé e de testemunhar Cristo.
Assim, o Papa recorda que a sua Fé nasceu do encontro com Jesus, um encontro pessoal que tocou o seu coração e deu um sentido à sua existência. Um encontro que se tornou possível graças à comunidade dos crentes, a Igreja, que torna acessíveis as Escrituras, que dispensa os Sacramentos, que assenta na fraternidade e na atenção aos irmãos e irmãs mais pobres. É a partir deste ponto central na sua vida, a sua Fé, que o Papa começa o seu diálogo com o jornalista de La Reppublica. Francisco parte de Cristo, da sua vida, da sua mensagem – o coração da Fé cristã, o exemplo a seguir. A sua incarnação, a sua partilha das nossas vitórias ou falências, das nossas alegrias e tristezas, numa palavra, da nossa condição – testemunha o amor de Deus pelos Homens, que são todos filhos de Deus, à imagem de Cristo. Um amor mais forte do que o pecado, do que a morte.
“Pergunta-me se o Deus dos cristãos perdoa àqueles que não crêem e não procuraram a fé” – escreve o Papa, que coloca como premissa o facto de que “a misericórdia de Deus não tem limites, se uma pessoa se Lhe dirige com coração sincero e contrito”. E logo acrescenta: “Para quem não crê em Deus, a questão é obedecer à sua consciência. Escutá-la e obedecer-lhe significa tomar decisões perante o que é advertido como bem ou mal. E é sobre esta decisão que se joga a bondade ou maldade de uma nossa acção. Relativamente à Verdade absoluta, o Papa Francisco observa que, mesmo para os cristãos, a verdade é sempre uma relação, relação com Jesus, e portanto caminho permanente, o que ainda assim não a torna num elemento “variável e subjectivo”.
Para a Fé cristã, a Verdade é o Amor de Deus por nós, em Jesus Cristo. O “caminho” para a encontrar é feito de humildade e de abertura para a acolher e exprimir. “Apesar de todas as suas lentidões, infidelidades, erros e pecados que possa ter cometido e que pode ainda cometer através dos que a compõem, a Igreja – creia-me - não tem outro sentido nem outro fim que não seja testemunhar Jesus” – conclui o Papa. (PG)Foto: Papa Francisco (10 setembro, à saída do Centro Astalli, do Serviço dos Jesuítas para os Refugiados, em Roma).
Fonte: News.VA
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