"A
sociedade atual muitas vezes esquece o Evangelho, precisa de um exemplo
de comunhão entre os cristãos que supere toda e qualquer divisão."
Assim se expressou o Papa Bento XVI ao presidir na tarde desta
sexta-feira, 25, na Basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, às
segundas Vésperas da festa da Conversão de São Paulo.
A
celebração concluiu a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: um dom
de Deus que necessita desses gestos concretos para curar recordações e
relações, disse o Pontífice. “Ressaltamos que a Igreja no Brasil celebra
a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos entre as solenidades da
Ascensão do Senhor e Pentecostes.”
Na
homilia da celebração, o Santo Padre recordou os cristãos na Índia, "por
vezes chamados a dar testemunho da fé em condições difíceis".
Celebrando
as segundas Vésperas com representantes de outras confissões cristãs,
reunidos em torno do túmulo do apóstolo Paulo, Bento XVI falou sobre a
unidade dos cristãos como meio privilegiado, pressuposto para anunciar a
fé de modo crível a quem não conhece Cristo ou a quem, mesmo já tendo
recebido o dom precioso do Evangelho, o esqueceu.
A unidade
entre os cristãos, antes de ser fruto de esforços humanos, é obra e dom
do Espírito Santo, explicou o Pontífice. A oração, o ecumenismo
espiritual é o coração do empenho ecumênico, que sem a fé se reduziria a
uma forma de contrato ao qual aderir por um interesse comum. Portanto, a
premissa para uma mútua fraternidade é a comunhão com o Pai:
“O
diálogo, quando reflete a prioridade da fé, permite abrir-se à ação de
Deus com a firme confiança de que sozinhos não podemos construir a
unidade, mas é o Espírito Santo que nos guia rumo à plena comunhão, e
faz colher a riqueza espiritual presente nas diferentes Igrejas e
Comunidades eclesiais.”
Segundo o
Papa, a sociedade atual incide cada vez menos o Evangelho e está
necessitada de reconciliação, diálogo e compreensão. Diante deste
cenário, disse o Papa, as Igrejas e as Comunidades eclesiais são
chamadas a acolher o desafio de, juntas, anunciar Cristo, oferecendo ao
mundo um luminoso exemplo na busca da comunhão.
"Ao tempo
em que caminhamos rumo à plena unidade, é necessário buscar então uma
colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em vista da
transmissão da fé ao mundo contemporâneo", ressaltou.
Todavia,
as questões doutrinais que ainda separaram os cristãos, não devem ser
subestimadas ou minimizadas: devem ser enfrentadas com coragem, em
espírito de fraternidade e respeito recíproco, acrescentou Bento XVI.
“O
ecumenismo não dará frutos duradouros se não for acompanhado de gestos
concretos de conversão que favoreçam a cura das recordações e das
relações,” prosseguiu.
O dom da
unidade é inseparável do dom da fé, e a fé é inseparável da santidade
pessoal, bem como da busca da justiça. Pensando nos cristãos da Índia
que prepararam os subsídios para a reflexão durante a Semana de Oração
deste ano, celebrada com o tema "O que o Senhor exige de nós" – extraído
do livro do profeta Miquéias –, o Papa recordou as condições difíceis
em que eles por vezes são chamados a dar testemunho:
"’Caminhar
humildemente com Deus’ significa, em primeiro lugar, caminhar na
radicalidade da fé, como Abraão, confiando em Deus, aliás, colocando
n'Ele toda nossa esperança e aspiração, mas significa também caminhar
para além das barreiras, do ódio, do racismo e da discriminação social e
religiosa que dividem e prejudicam a sociedade inteira."
Os
representantes do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, da Igreja
Anglicana, das Igrejas ortodoxas, das Igrejas ortodoxas orientais e das
diferentes comunidades eclesiais participaram das segundas Vésperas
presididas pelo Santo Padre.
Em nome
de todos, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade
dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, saudou o Pontífice.
Nenhum comentário:
Postar um comentário