Dom Orani Tempesta: a arquidiocese do Rio de Janeiro lançará para o mundo o hino oficial da JMJ Rio 2013
RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 14 de setembro de 2012 (ZENIT.org)
- No dia da Exaltação da Santa Cruz, a Arquidiocese de São Sebastião do
Rio de Janeiro lançará para o mundo, através do Comité Organizador
Local da JMJ Rio 2013, o Hino Oficial desse evento jovem que está
movimentando a Igreja de nossa cidade.
O lançamento será no Bairro
de Santa Cruz, que nesse dia completa 445 anos, e onde acontecerá
também a Vigília e a Missa de Envio no encerramento da JMJ em julho do
próximo ano.
Estamos todos unidos à cruz da JMJ, que ora está na região Amazônica e
que já atravessou mais da metade do país. Ela foi enviada pelo Beato
Papa João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude, para
que o povo jovem anunciasse Jesus Cristo a todas as nações.
A cruz, hoje acompanhada pelo ícone de Nossa Senhora, chegará ao Rio
de Janeiro às vésperas da Jornada. Será então o grande momento do
protagonismo juvenil capaz de transformar o mundo para melhor. É esse o
sentido de nossa oração e é também esse o sentido do hino oficial da
Jornada Mundial da Juventude que está sendo lançado nesta festa.
Foram muitas as contribuições (mais de 180) que vieram do mundo
inteiro. Uma equipe especializada escolheu os vinte possíveis hinos,
que, depois de outra seleção, chegou-se aos três mais cotados. Todos
poderiam ajudar o jovem a cantar sua fé e sua esperança. Porém, tínhamos
que escolher apenas um deles. Agora é conhecê-lo, divulgá-lo,
traduzi-lo nas diversas línguas e manifestar a alegria jovem que brota
do coração do Redentor que bate forte pelo povo que Ele salvou.
A festa da exaltação da Santa Cruz remonta ao século IV. Segundo a
“Crônica de Alexandria”, Helena, a mãe do Imperador Constantino,
encontrou a Cruz original da crucificação de Jesus. Isso teria sido em
14 de setembro do ano 320. Sobre esses fatos surge a comemoração anual, o
que é atestado por volta do quinto século. A data é comum tanto no
Ocidente quanto no Oriente, quando o Papa Sergio I (687-701) ordenou a
sua festa.
Porém, outra explicação mais catequética é que a data de 14 de
setembro foi preparada com o simbolismo dos 40 dias. Na verdade, 28-29
de junho – festa dos apóstolos Pedro e Paulo – comemora-se no Judaísmo a
transfiguração de Moisés no Monte Sinai (Êxodo 34, 29-35); após 40
dias, a seis de agosto, nós celebramos a Transfiguração do Senhor; e,
finalmente, 40 dias depois, em 14 de setembro, a festa da Santa Cruz.
A escolha também foi ditada, certamente, por outras idéias teológicas
como, por exemplo, uma referência à festa das Tendas, que varia a cada
ano a partir de meados de setembro para outubro, quando se celebra a
festa da luz, o santuário e o altar. Precisamente o que a Cruz e a
Ressurreição do Senhor tinham cumprido através da economia do memorial
permanente da redenção, que se deu precisamente na cruz.
A cruz é para os cristãos a árvore da vida, o tálamo, o trono, o
altar da nova e eterna aliança. Uma vez que Cristo, novo Adão,
adormecido na Cruz, deu à luz o admirável sacramento da Igreja, a cruz
se torna o sinal do senhorio de Cristo sobre aqueles que são
configurados no Batismo com Ele na morte e na glória. Na Patrística, é o
sinal do Filho do Homem que aparecerá no final dos tempos. O amor
todo se manifesta na Cruz.
Santa Teresa d’Ávila disse em seus colóquios de amor com Cristo: “a
cruz é vida e conforto, o único caminho para o céu”. Assim, a Cruz,
antes de ser sinal de tortura e de sofrimento, é sinal de misericórdia,
esperança, abrigo, reflexão, inspiração, perdão, paixão, amor, paz e
vitória sobre o sofrimento e a dor.
Jesus Cristo se ofereceu livremente à Paixão da Cruz e abriu o
sentido e o destino de nossa vida. Com Ele temos na Cruz os braços
abertos e o coração aberto a serviço do Pai. Nele conseguimos ver e
sentir a esperança, a eternidade.
A Cruz é uma história de amor, o sentido maior do esvaziamento
(Kenosis) do Filho, onde Ele demonstra que Seu amor não tem limites, e
que mesmo o medo da morte não poderia manchar o seu compromisso maior:
fazer a vontade do Pai.
A Sua morte foi, sim, o início de Sua glorificação, pois o próprio
Pai O exaltou. O que se exalta não é a cruz/sofrimento. O que se
exalta é o amor incondicional de um Deus que partilhou a nossa condição
humana e comprometeu-se com a realização do Reino até o fim. Na Cruz,
Cristo, hoje Ressuscitado, deu a vida por nós. Por isso “nossa glória é a
Cruz onde nos salvou Jesus”.
Temos que exaltar o Cristo que, tendo amado os seus, amou-os até o
fim (Jo 13,1). E exaltar a Deus que deu Seu filho unigênito para que
todos tenham vida em Seu nome (Jo 3, 16 e Gn 22, 2).
O próprio Deus quis tornar-se um de nós, até mesmo no sofrimento e na
tristeza de alma. Um Deus que nos envolve com Seu amor extremado,
infinito, demonstrado não em grandes mistérios, mas em verdade e em
vida.
Cada vez que fazemos o sinal da cruz invocando a Santíssima Trindade
recordamos desse mistério. Por isso trazemos a cruzem nossas Igrejas,
casas, locais de trabalho, conosco – acreditamos sem um Deus que deu a vida
por nós e tornou a cruz um sinal de salvação. O cristão sabe, pela
cruz, que a nossa limitação nunca será capaz, nunca será suficiente para
contemplarmos toda essa imensidade de amor. Mas, nela, na Cruz, podemos
experimentar esse amor. E a única chave de compreensão de nossa
existência é certamente pelo amor. Só o amor explica a nossa vida, e nos
solicita para a vida. Assim celebramos a festa da Exaltação da Santa
Cruz, ou a festa da Exaltação do Supremo Amor.
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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