domingo, 30 de janeiro de 2022

DOM VILSOM BASSO: IGREJA ACOLHE ESPIRITUALMENTE NO TEMPLO, E TAMBÉM NA HORA DO SOFRIMENTO

 

Também o Maranhão enfrenta consequências das chuvas, cheias de rios, enchentes e alagamentos. Assim como a região da diocese de Marabá (PA), a diocese de Imperatriz também tem municípios banhados pelo Rio Tocantins cujo nível atingiu, nesta terça-feira, 13,4 metros.

Em entrevista ao padre Luís Modino, publicada em Vatican News, o bispo de Imperatriz, dom Vilsom Basso, partilha o que tem visto nas visitas às comunidades e as iniciativas para responder à situação. Está previsto para o final do mês o lançamento de uma campanha do Regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para ser uma ação conjunta de todas as Igrejas particulares do Maranhão, agregando às ações que tem sido feitas em cada diocese.

Dom Vilsom também relaciona os fenômenos climáticos das últimas semanas no Brasil com as mudanças climáticas, é “um momento duríssimo, mas ao mesmo tempo um momento importante para a gente conscientizar e fazer a nossa parte”. Da parte da Igreja, ele acredita que há de dar testemunho e “fazer ouvir a sua voz diante das autoridades”.

Aos atingidos, uma palavra de esperança:

“Eu quero deixar uma palavra de esperança. Dizia também para eles que a Igreja é assim, ela acolhe espiritualmente no templo, e que agora ela acolhe também na hora do sofrimento.”

Confira a entrevista na íntegra:

 

Qual a situação que está vivendo nas últimas semanas o Estado do Maranhão e a região onde o senhor é bispo diante das fortes chuvas e as enchentes que estão acontecendo?

Todo o Maranhão é cortado por grandes rios, e aqui em Imperatriz é o Rio Tocantins, que nasce quase em Brasília, e vai pegando todas essas chuvas, ele está 13 metros acima do nível. De fato, ele saiu e tem alagado vários bairros da cidade de Imperatriz, com mais de mil desabrigados.

Estive visitando dois grupos de desabrigados, são pessoas que a gente conhece, comunidades carentes que a gente acompanha. Uma dessas comunidades, Nossa Senhora dos Navegantes, da Beira Rio, nós apoiamos uma horta comunitária lá, com 29 famílias, uma área grande, e ficou totalmente alagada.

Tudo o que fizemos o ano passado, inclusive como apoio de um projeto da REPAM-Brasil e a Diocese de Imperatriz, essas hortas comunitárias está tudo debaixo da água. Famílias numa experiência de horta comunitária, para uma vida melhor para eles, para vender e ter uma qualidade de vida maior.

Tem o Rio Itapecuru, que nasce na diocese de Balsas e passa por dentro da diocese de Imperatriz e de Coroatá, que também está bem fora, tem alagado muitos bairros, residências destas dioceses. E também o Rio Grajau, que depois se junta com o Mearim, todos eles têm crescido bastante e saído dos seus leitos. São muitas famílias atingidas em todo o Estado do Maranhão.

 

Alagamentos em Imperatriz (MA)
Alagamentos em Imperatriz (MA) | Foto: reprodução/Facebook

Como a Igreja do Maranhão está tentando responder diante desta situação, quais são os passos que estão sendo dados como Igreja para ser um auxílio para tantas famílias que sofrem?

Até esse momento é uma ação de cada diocese. Nós aqui em Imperatriz, desde o momento que começou, fizemos uma campanha de doação de alimentos, de roupas, utensílios domésticos, milhares de cestas básicas, conseguimos através de uma empresa 40 geladeiras novas, para famílias que perderam as geladeiras e faz chegar até elas.

Aqui na Diocese de Imperatriz é um trabalho bem-organizado, fomos a primeira instituição, Igreja, que assumiu esse trabalho. Um trabalho que a gente já fazia antes, durante a pandemia, fizemos a campanha “Por um Natal sem fome”, onde distribuímos para as famílias mais de 30 toneladas de alimentos, e imediatamente, veio essa enchente.

As outras dioceses, Balsas, Grajau, Caxias, Coroatá e Bacabal, que são as mais atingidas por esses rios que por ali passam, tem essa ação em cada diocese. Do dia 25 a 29 de janeiro, teremos a reunião dos bispos do Maranhão, e uma das pautas é uma ação conjunta como Igreja do Maranhão. Até o momento, uma ação que cada diocese está fazendo, pela urgência, agora no final do mês sairá uma campanha como Igreja católica no Maranhão, Regional Nordeste 5, como pauta da reunião que teremos no final do mês dos bispos do Maranhão em São Luís do Maranhão.

 

A gente vê que as enchentes e as secas, em consequências das mudanças climáticas, cada vez estão mais presentes no Brasil e no mundo. Como a Igreja pode ajudar a conscientizar o povo, principalmente os católicos, sobre a necessidade de cuidar da Casa Comum?

É um fato, e eu sou testemunha porque eu estive visitando minha família no Sul do Brasil por uns dias, e de fato lá a perda é muito grande, com perda de produções, de soja, de milho, afetando, porque no Rio Grande do Sul tem muitos pequenos produtores. Isso é um fato, aqui no Nordeste, Norte, chuva demais e no Sul faltando.

Nós acreditamos que a Igreja tem sim um papel decisivo. A partir do próprio Sínodo da Amazônia, essa ecologia integral, tem que cuidar do Planeta para que as pessoas, que são a parte principal, possam ter uma vida digna e não vivam todas essas calamidades. Acreditamos que há uma necessidade dessa consciência global, mas acima de tudo a possibilidade de cada diocese, cada paróquia, cada comunidade, fazer ações concretas, tornar o mundo melhor na realidade que a gente vive.

Sem dúvida, a Igreja católica tem um papel decisivo, e nós com a capilaridade que temos, em todas as comunidades do país, devemos fazer mais do que nunca esse trabalho. Porque se alguém não acreditava em mudanças climáticas, agora, com o que estamos vivendo em nosso país, não tem como não estar consciente disso. Se considera um momento duríssimo, mas ao mesmo tempo um momento importante para a gente conscientizar e fazer a nossa parte.

 

O senhor fala que não tem como não ter consciência disso, mas a gente vê essa falta de consciência muitas vezes no poder público, que se desentende diante do sofrimento. Como impulsionar desde a Igreja políticas públicas que realmente cobrem e fiscalizem esse cuidado do meio ambiente e esse compromisso para evitar, na medida do possível, essas catástrofes que continuamente acontecem no Brasil?

Todo nosso trabalho como Igreja é na dimensão do Reino, da colherinha de fermento, da pitada de sal, de ser sal, de ser luz. Em primeiro lugar, a Igreja deve dar testemunho de que é possível, na consciência de que somos pequenos, mas que as coisas do Reino funcionam assim. A primeira parte é nós como Igreja darmos testemunho de ações que mudem para melhor essa realidade.

Em segundo lugar, acredito, sim, que como organização, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, os regionais, as dioceses, fazer ouvir a sua voz diante das autoridades. Tanto nacional, como estadual, como municipais, e exercer através de lideranças que nós temos em todas as instâncias, senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, que são pessoas da caminhada, são pessoas da comunidade, são pessoas que tem essa consciência, política e ecológica. E a través deles exercer essa força, exigindo, cobrando, políticas públicas que preservem a natureza, que preservem o meio ambiente, e todas as políticas sociais que melhorem as condições de vida do nosso povo.

Vejo uma ação em diferentes níveis, no pequeno, mostrando que o Reino de Deus caminha na semente, no grão de mostarda, na pitadinha de sal, na colherinha de fermento. Mostrando num nível maior, cobrando pela força que temos, como nossas organizações de Igreja. E depois, a través das nossas lideranças que estão nas diferentes instâncias, nacionais, regionais, estaduais, municipais, fazer chegar até elas, e através delas, essas reivindicações e essas necessidades. Por aí, eu vejo que é possível de fato, exercer e fazer acontecer nas mudanças necessárias.

 

Como bispo, como pastor da Igreja, qual a mensagem que o senhor quer enviar para todas as pessoas atingidas pelas enchentes?

Eu estive agora visitando pessoas que eu conheço, a essa experiência que fazemos de apoio às hortas comunitárias, e que estão desabrigadas, que perderam tudo. E eu percebi nelas a alegria, o bispo está aqui. Ele estava na horta comunitária, ia lá, conversava, nos apoiava, e agora no sofrimento, ele está aqui também.

Eu acredito em primeiro lugar nisso, ser uma presença humana, solidaria, de alguém que estende a mão, porque isso já é uma força. E aí sim, exercer nossa solidariedade com a organização que temos, e cobrar dos poderes públicos, que eles possam exercer o que é sua competência e responsabilidade.

Eu quero deixar uma palavra de esperança. Dizia também para eles que a Igreja é assim, ela acolhe espiritualmente no templo, e que agora ela acolhe também na hora do sofrimento. Nós abrimos uma de nossas paróquias para acolher pessoas desabrigadas. Agora nós estamos exercendo plenamente a nossa maternidade. Uma Igreja que é Mãe, que acolhe, que estimula, que dá esperança e que recebe dentro de suas portas, dentro de suas casas, aqueles que perderam seu lugar. É hora de esperança, é hora de solidariedade, é hora de seguir caminhando, porque o Reino de Deus acontece assim, nas pequenas ações e obras de fé, esperança e caridade que realizamos.        

 Fonte: CNBB

Artigo : EU TE FIZ PROFETA DAS NAÇÕES

 Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 



Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Celebramos neste domingo, o quarto domingo do tempo comum e estamos caminhando nessa primeira parte do tempo comum que vai até a terça-feira antes da quaresma. Chegamos ao final do mês de janeiro com tantas realizações e caminhadas, mas ainda temos a oportunidade de fazermos um ano bom para nós e para aqueles que nos cercam. É sempre tempo de construir comunhão na família, na comunidade, na paróquia e na Igreja Arquidiocesana! Liturgicamente, ainda temos muito o que celebrar durante esse ano e contamos com a ajuda de todo o povo de Deus, as famílias se reunirem em torno do altar para celebrar e agradecer ao Deus da vida, particularmente, neste tempo de Sínodo.  

O evangelho deste domingo é a continuação da semana passada, onde Jesus termina de ler o trecho do livro do profeta Isaías e assume para Ele como seu programa de vida. As pessoas começam a se perguntar entre si sobre quem era Jesus e a capacidade que tinha de ensinar. Nunca duvidemos de nossa capacidade ou da capacidade dos outros, pois Deus nos capacita e nos prepara para anunciarmos o Evangelho, para sermos profetas nos dias de hoje. Deus nos prepara desde o nosso batismo e, através do Espírito Santo, somos chamados a ser sacerdotes, profetas e reis.  

O tempo comum é um tempo marcado pela esperança e pelo anúncio do Reino de Deus. Somos chamados a anunciar esse reino de Deus a todos. Um reino de justiça, paz, amor e perdão. Ao anunciarmos esse reino, seremos profetas nos dias de hoje. Não tenhamos medo de anunciar a fé nos dias de hoje, ainda mais que atualmente se torna cada vez mais urgente.  

Na primeira leitura da missa deste domingo (Jr 1, 4-5.17 – 19) ouvimos que a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta, dizendo que desde o ventre materno, Deus o escolheu e o preparou para anunciar a Palavra de Deus as nações. A marca do profeta é não ter medo de anunciar a verdade. O profeta anuncia a justiça e denuncia as injustiças. O Senhor o preparou e o fortaleceu para que não fosse derrotado. Da mesma forma nós hoje, somos preparados pelo Senhor desde o ventre de nossa mãe para sermos profetas da verdade e do amor. As pessoas estão sedentas da Palavra de Deus, temos que levar a Palavra a essas pessoas.  

O salmo responsorial é o 70 (71). O refrão do salmo segue a linha da primeira leitura e de toda a liturgia de hoje. O Senhor nos chama para a vida inteira anunciarmos a sua palavra e as graças incontáveis que Deus nos concede. A dizer para aqueles que estão vacilantes na fé: “Deus é bom o tempo todo, todo o tempo Deus é bom”. 

A segunda leitura da missa é da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1 Cor 12, 31 -13, 13): Paulo diz que devemos aspirar os dons mais elevados, mas não devemos nos esquecer da caridade, podemos exercer o ministério mais elevado na Igreja, mas se não formos caridosos de nada adianta. Tudo pode desaparecer, a profecia, os ministérios, mas a caridade não acabará nunca.  

O evangelho deste domingo (Lc 4, 21 -30) é a continuação do evangelho da semana passada. Jesus termina de ler o trecho do livro do profeta Isaías que fala a respeito D’Ele, e que se refere ao seu programa de vida. Jesus põe em prática durante a sua vida, tudo aquilo que Ele acabou de ler.  

As pessoas na sinagoga tinham os olhos “fixos” em Jesus, mas começaram a se perguntar entre si, quem era Jesus e de onde Ele veio. Pondo em dúvida a sua sabedoria e seus ensinamentos. Mas como disse o profeta Jeremias na primeira leitura, Deus nos prepara desde o ventre materno para anunciarmos a sua Palavra, e com certeza preparou o seu filho Jesus e o consagrou por meio do batismo.  

Com isso, Jesus não pôde fazer ali, em sua terra natal muitos milagres, teve que se retirar e ir a outros lugares, como ele mesmo diz: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (4, 24). Israel não soube receber bem o seu profeta, o desprezaram e assim ele teve que se retirar. “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão”.  

Sejamos profetas nos dias de hoje, não tenhamos medo de anunciar a Palavra de Deus. Ele nos escolheu desde o ventre materno e nos consagrou por meio do nosso batismo. Sejamos anunciadores da palavra em nossa comunidade paroquial, como catequistas, ministros, leitores, músicos, enfim. Aspiremos os dons mais elevados, não esquecendo nunca da caridade.  

A caridade é benigna é compassiva, tudo passa, mas a caridade permanece. Nesse ano de 2022, terceiro da pandemia da Covid-19, sejamos caridosos uns com os outros, estendendo a mão para aqueles que mais precisam. Nós sabemos que Jesus é o profeta, o filho de Deus. Ouçamos a sua palavra em nosso coração. 

 Fonte: CNBB

Por que devemos fazer a vontade de Deus?

 

PRAY

Fred de Noyelle | Godong

Mário Scandiuzzi - publicado em 30/01/22

Quando Ele nos chama não é para realizar os nossos desejos, mas Seus planos

O capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos começa narrando a conversão de Saulo. O grande perseguidor dos cristãos é cercado “por uma luz resplandecente vinda do céu (v. 3). Caindo de sua montaria, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (v. 4). 

Depois disso, Saulo ficou três dias sem ver, sem comer e sem beber. Em Damasco vivia o discípulo chamado Ananias. E o Senhor, numa visão disse-lhe para que procurasse por Saulo. 

O discípulo então respondeu ao Senhor: “Muitos já me falaram deste homem, quantos males já fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome” (v. 13-14). A este questionamento, o Senhor respondeu: “Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido que levará o meu nome diante dos reis e dos filhos de Israel” (v. 15). 

Nós somos humanos e diante dos mistérios de Deus temos um conhecimento limitado. Saulo era temido por sua perseguição e, aos olhos de qualquer cristão, uma ameaça. Mas Deus viu nele um importante instrumento para levar a mensagem do Evangelho. 

No primeiro momento, Ananias pensou o que qualquer pessoa pensaria e teve medo de se aproximar de Saulo. Afinal, quem quer ir de encontro ao maior perseguidor de cristãos da época? Foi preciso fé e coragem para acreditar naquilo que Deus estava pedindo. 

Se Ananias seguisse aquilo que pensava ser certo, não iria até Saulo. Mas ele aceitou o plano de Deus. Impôs suas mãos sobre o temido homem. No mesmo instante Saulo voltou a enxergar e ficou cheio do Espírito Santo. 

Como Deus age em nossa vida

É assim que Deus age em nossa vida, quando deixamos que Ele realize Seus planos. Ele transforma, Ele dá vida nova, Ele realiza grandes coisas. 

Saulo teve seu encontro pessoal com Jesus. Ananias acreditou no plano de Deus. Corações que foram transformados para receber as graças do Espírito Santo. 

Ananias foi o instrumento para que Deus realizasse grandes coisas através de Saulo, que passou a se chamar Paulo e de perseguidor, se tornou o grande apóstolo que hoje conhecemos.  

Não importa o tamanho da missão, mas sim o amor com que aceitamos o plano do Pai em nossa vida. 

Fonte: Aleteia

Papa: pandemia não é desculpa para negligenciar a justiça no trabalho

 



A pandemia agravou situações difíceis para muitos trabalhadores, mas não se torna uma desculpa para justificar omissões na justiça e na segurança. Esta é a esperança expressa pelo Papa durante a audiência na Sala Clementina, no Vaticano, a cerca de cem membros da Associação Italiana de Químicos do Couro

Paolo Ondarza - Cidade do Vaticano

Solidariedade, qualidade do trabalho, laços intergeracionais, proteção da Casa Comum. Estes são os pontos centrais do discurso do Papa a uma delegação de membros da Associação Italiana de Químicos do Couro, recebida no final da manhã deste sábado, 29, no Vaticano. Observando as dificuldades no mundo do trabalho agravadas por dois anos de pandemia, Francisco exortou a manter alta a guarda na justiça e na segurança:

A crise pode ser encarada como uma oportunidade para crescer juntos na solidariedade e na qualidade do trabalho. Que o exemplo e a intercessão de São José os ajude a não ceder ao desânimo, a valorizar com criatividade seus talentos e sua grande experiência para seguir em frente e abrir novos caminhos.

Um ponto de referência para todos aqueles que trabalham com coro no mundo, a Associação Italiana de Químicos do Couro reúne técnicos, graduados ou diplomados, funcionários das indústrias de curtumes e tinturarias e de todas as empresas de um setor muito específico noqual os conhecimentos e técnicas científicas são aplicados a uma antiga tradição:

Vocês são uma categoria muito específica de trabalhadores, que no grande “poliedro” da sociedade global oferece uma contribuição original e característica. É muito importante encontrar a sabedoria dos idosos e o entusiasmo dos jovens: imagino os jovens que se apaixonam por um setor original como o de vocês, e têm necessidade de encontrar "velhos do ofício", que têm muito a ensinar, e não somente no nível técnico, mas também no humano.

Recordando seus anos de juventude e os estudos em um instituto técnico com ênfase na química na Argentina, o Papa disse estar próximo da categoria dos trabalhadores recebidos em audiência.

Por fim, refletindo sobre o impacto ambiental das atividades que utilizam produtos químicos para o tratamento de materiais destinados ao uso cotidiano, não deixou de chamar a atenção para os cuidados com a Casa Comum:É muito precioso o fazer uma associação, pois são compartilhados conhecimentos, experiências, além de atualizações jurídicas e técnicas; e assim se ajuda a crescer juntos em um estilo de responsabilidade social e ecológica. Isto é muito importante!

A Secção Italiana da Sociedade Internacional de Químicos do Couro foi fundada em 1904. Promover a cultura científica do mundo do couro é um dos primeiros objetivos desta realidade, comprometida também em criar contatos entre os colaboradores do mundo do curtimento e a apoiar ativamente a formação escolar com bolsas de estudo nos principais distritos de curtumes italianos.

Fonte: Vatican News

Santo do Dia : Santa Jacinta Marescotti

 

Jacinta Marescotti que, então, tinha como nome de batismo Clarice, nasceu no ano de 1585, em Roma. Pertencia a uma família muito nobre, religiosa, com posses, mas que possuía, principalmente, a devoção e o amor acima de tudo. Seus pais eram o príncipe Marco Antônio Marescotti e Otávia Orsini, os dois faziam de tudo para que os filhos conhecessem Jesus e recebessem uma ótima educação.

Ainda menina, foi enviada para um convento para a sua educação, numa escola franciscana. Sua irmã Inocência já era uma religiosa franciscana. Os pais desejavam para Clarice o mesmo caminho que a irmã seguia. No entanto, já moça, ela tinha o desejo de se casar e constituir sua família. Conheceu um jovem marquês por quem se apaixonou, mas coube-lhe o destino dele se casar com Ortênsia, sua irmã mais nova.

Decepcionada, Clarice decidiu não perdoar o pai por ter entregue à irmã o homem com quem ela queria se casar. Começou, então, a tomar outros caminhos para sua vida, entregando-se cada vez mais ao pecado. Desse modo, seu pai a enviou ao Mosteiro de São Bernardino, em Viterbo, onde ela havia estudado ainda pequena. Clarice não desanimou, recebeu o nome de Jacinta e submeteu-se ao hábito. Professou seu voto de castidade e tornou-se Terciária Franciscana, mas não fez os votos de pobreza, não abriu mão de suas roupas refinadas nem de uma moradia refinada.

Viveu desta maneira por 15 anos, até que, com o assassinato do pai, ela começou a questionar a importância dos títulos, dos bens e do luxo. Em seguida, ela adoeceu seriamente e compreendeu que o Senhor a aguardava. Invocou ao Senhor dizendo: “Ó Deus, eu Vos suplico, dai sentido à minha vida, dai-me esperança, dai-me salvação”. Curando-se da enfermidade, pediu perdão às coirmãs,  abriu mão de todo o luxo e dedicou-se a uma total entrega ao Senhor.

Os próximos 24 anos de sua vida foram de privações e de doação ao próximo, especialmente aos pobres e doentes. Com o auxílio financeiro de velhos amigos, conseguiu dirigir obras que prestavam assistência sociais aos necessitados; fundou asilos e orfanatos. Tudo o que recebia, dedicava aos pobres.

Jacinta faleceu em 30 de janeiro de 1640, foi sepultada na igreja do convento onde se converteu, em Viterbo. Foi canonizada em 24 de maio de 1807 pelo Papa Pio VII.

Santa Jacinta Marescotti, rogai por nós!

Liturgia Diária : COR LITÚRGICA: VERDE4º Domingo do Tempo Comum




Primeira Leitura (Jr 1,4-5.17-19)                         

Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

Nos dias de Josias, rei de Judá, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações.

17Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles.

18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.


Responsório (Sl 70)

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:/ que eu não seja envergonhado para sempre!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!/ Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

— Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Porque sois a minha força e meu amparo,/ o meu refúgio, proteção e segurança! / Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

— Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,/ em vós confio desde a minha juventude!/ Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,/ desde o seio maternal, o meu amparo.

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossa justiça e vossas graças incontáveis./ Vós me ensinastes desde a minha juventude,/ e até hoje canto as vossas maravilhas.




Segunda Leitura (1Cor 12,31-13,13)                     

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.

13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.

3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.

9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.

12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.

13Atualmente, permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade. 

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.


Anúncio do Evangelho (Lc 4,21-30 )                      


                             

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”

23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.

24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.

27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Compreendendo e Refletindo

“E diziam: ‘Não é este o filho de José?’. ‘Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio’” (Lucas 4,22.24-26).

Nazaré é a pátria de Jesus, e o Profeta não é bem aceito na Sua terra, não só na Sua terra, mas também na Sua carne, na Sua identidade e na Sua pessoa. Eles se escandalizaram porque Jesus tem uma carne semelhante a nossa, Jesus é homem como nós. Eles não aceitam o Messias nos moldes de Jesus. É aquela nossa velha mania do espetáculo, porque a simplicidade com que o Messias se revela não agrada o coração dos Seus compatriotas.

Não podemos desconsiderar as coisas simples da nossa vida, porque são nelas que Deus age. São nessas coisas simples do nosso cotidiano que Deus age. Ele estava ali, presente em Jesus de Nazaré, que cresceu e viveu no meio do Seu povo e da Sua gente.

Deus agiu na vida daquela viúva, agiu na vida daquele sírio para mostrar que a ação d’Ele não conhece limites

Nosso fechamento mental de quem pensa estar mais perto das coisas de Deus. Os parentes de Jesus não consideravam n’Ele a presença do Messias, eles consideravam possuir Jesus, porque, muitas vezes, aqueles parentes saíram para agarrar Jesus dizendo que Ele estava louco, e pretendiam amarrar, segurar Deus.

Deus, às vezes, age naquilo que está mais longe, e não no que está perto, porque, muitas vezes, Deus tem uma forma de agir na nossa vida que desconhecemos, porque vai além daquilo que pensamos, vai além daquelas realidades que imaginamos na nossa cabeça muito fechada.

Vejam vocês: uma viúva em Sarepta e Naamã, o sírio eram pessoas que estavam totalmente fora daquilo que era o ambiente judaico, mas ali Deus agiu. Deus agiu na vida daquela viúva, agiu na vida daquele sírio, curando-o da sua lepra para mostrar que a ação d’Ele não conhece limites. E a ação de Deus vai muito mais além do que nós podemos imaginar. Alguém em crise está sempre disposto a ser salvo da sua situação.

Fome e doença. A viúva estava passando fome, Naamã estava doente. Realidades da fragilidade humana, realidades que talvez façam parte da sua vida. Esteja você passando necessidades, esteja acamado, enfrentando uma enfermidade, enfrentando a covid-19, são fragilidades humanas nas quais Deus age.

Não temos o direito de pretender nada, mas devemos acolher tudo como um dom de Deus, porque o dom de Deus extrapola a nossa humanidade, ele vai muito mais além do que podemos imaginar.

Permita que Deus surpreenda você hoje. Permita que Deus, hoje, com a Sua graça, ultrapasse as suas expectativas, que Ele fale no seu coração e aja na sua vida.

Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Padre Donizete Ferreira- Canção Nova