domingo, 6 de dezembro de 2020

Arcebispo detona interrupção de Missa: "Ocorre onde perseguem os cristãos"

 

Missa de Crisma

SHUTTERSTOCK

"Se não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, fica difícil conversar", afirma dom Wilson

Arcebispo detona interrupção de Missa de Crisma em Santa Catarina: dom Wilson Tadeu Jönck, arcebispo de Florianópolis, deplorou a forma como autoridades da cidade de Botuverá, na arquidiocese de Florianópolis, interromperam uma Santa Missa em que 78 pessoas estavam recebendo o sacramento da Crisma, no último sábado, 28 de novembro.

As autoridades responsáveis pela interrupção alegaram que a celebração religiosa violava normas de prevenção contra a covid-19. A Santa Missa estava sendo celebrada no salão da Paróquia São José, justamente para facilitar o distanciamento social.

As providências que tinham sido tomadas

Segundo declarações do pároco, pe. Paulo Riffel, ao site local Olhar do Vale, a vigilância sanitária do município de Botuverá visitou o salão paroquial na quinta-feira de manhã, “olhou e ajudou a organizar os espaços”. À noite, porém, “sem me comunicar nada, mandaram uma mensagem por WhatsApp que deveria ser cancelado”.

Na sexta-feira, o sacerdote se reuniu com o prefeito: “Conversamos, analisamos, juntamente com o jurídico, e foi então liberada a celebração”. O pe. Paulo destaca que foi respeitado o limite máximo de ocupação de até 30% do espaço para cultos religiosos: seriam usados 312 dos 1.200 lugares disponíveis no local.

De fato, a prefeitura de Botuverá declarou mediante nota:

“Em reunião havida com o Prefeito Municipal, Assessor Jurídico da Prefeitura e o Padre, cogitou-se a realização da missa, considerando-se que a realização de missas e cultos em igrejas ou templos de qualquer culto, bem como qualquer reunião presencial de cunho religioso, estaria condicionada ao cumprimento das regras dispostas”.

O próprio dom Wilson Tadeu Jönck, em nota veiculada pela Arquidiocese de Florianópolis, confirmou que todas as paróquias “são orientadas a seguir as normas lançadas pela autoridade sanitária com referência aos cuidados preventivos com relação à COVID-19”.

Tais cuidados são os exigidos pelo governo do Estado de Santa Catarina, conforme o arcebispo explicita:

“Em todos os lugares de culto, os assentos estão demarcados de acordo com a capacidade estipulada pelos decretos do Estado; é fornecido álcool gel para todos os participantes e é obrigatório o uso de máscara. Nós nos consideramos colaboradores do Estado no seu esforço no combate à pandemia”.

No tocante à celebração em Botuverá, dom Wilson complementa:

“Tudo estava organizado seguindo à risca as normas da autoridade sanitária: distanciamento, lugares demarcados para todos os participantes, fornecimento de álcool gel e todos os presentes usavam máscaras”.

A intervenção em Botuverá

Apesar de todos os cuidados, prevaleceram interpretações que trazem insegurança jurídica pela falta de clareza e uniformidade.

A própria nota da prefeitura, de fato, mesmo tendo reconhecido que a reunião com a paróquia previa o cumprimento dos protocolos sanitários, acaba, porém, acrescentando:

“Não foi este o entendimento do Ministério Público, bem como da Secretaria de Estado de Saúde, por se tratar de ‘evento’, além do entendimento de impossibilidade de garantia de cumprimento das regras vigentes diante do porte do evento”.

A nota da prefeitura (que pode ser lida na íntegra em seu site oficial) prossegue dizendo:

“Infelizmente, na sexta-feira à tarde, a Secretaria de Saúde recebeu a informação de que a cerimônia não seria cancelada. Ainda nesta sexta-feira, a secretária de saúde e a vigilância sanitária estiveram presencialmente na paróquia, na certeza do convencimento deste adiamento ou no mínimo da possibilidade de realização em diferentes momentos, o que também não foi aceito. Diante da recusa, no sábado, o pároco foi oficiado da impossibilidade da realização do evento, porém novamente os alertas foram ignorados”.

Ou seja, a interrupção da Santa Missa se basearia na interpretação de que a cerimônia religiosa deveria ser considerada genericamente como um “evento social”.

Arcebispo detona interrupção de Missa

Dom Wilson reage:

“Causa revolta quando o argumento usado é o de que, pelo fato de a missa ser celebrada no salão, ela se tornava um evento e este era proibido”.

Foi com essa interpretação, conforme o relato do pároco, que a secretária de saúde de Botuverá, Márcia Adriana Cansian, chegou ao salão paroquial com uma equipe da vigilância sanitária e da polícia para interromper a celebração da Santa Missa.

O pe. Paulo comenta:

“Conseguimos levar até o final da crisma, sendo crismados os participantes. Mas na hora da comunhão, foi-nos avisado que iriam entrar com os policiais. Então, o bispo decidiu fazer a oração final, agradecer e dar a bênção”.

Dom Wilson fez questão de enfatizar o que mais o feriu:

“Foi a ordem de interromper a missa. E foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos meus mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu”.

O pe. Paulo Riffel definiu o acontecimento como “um atentado contra a fé católica”. E comenta:

“Foram impedidos de comungar. Fico muito triste. O bispo, que é autoridade máxima, em nenhum momento foi notificado ou comunicado antes. Pegaram-no de surpresa”.

Realmente, dom Wilson declarou mediante a nota da arquidiocese:

“Ora, se não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, se torna difícil conversar. Havia uma insistência para se achar um motivo para implicar. Sinceramente, não consigo encontrar o motivo para tal implicância. Mas deve haver um motivo”.

E denuncia:

“Tenho lido nos noticiários que tais fatos acontecem em regiões onde há perseguição contra os cristãos. Aproveitam quando a comunidade está reunida para atacar. Não esperava passar por esta experiência em Botuverá”.


Fonte: Aleteia 

 

 

Missa de Crisma é interrompida por policiais e autoridades de saúde

 


Vigilância sanitária alega que a celebração desobedecia as normas restritivas contra a Covid-19; bispo nega e fala em perseguição religiosa

Autoridades sanitárias e policiais interromperam uma Missa de Crisma no município de Botuverá, Santa Catarina. O fato aconteceu no dia 28 de novembro de 2020.

Segundo a Arquidiocese de Florianópolis, 78 crismandos participavam da celebração. O Arcebispo Metropolitano de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, era quem presidia a Missa. De acordo com ele, os participantes seguiam à risca todas as normas de segurança para evitar a proliferação do coronavírus, como o uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento social, por exemplo.

Entretanto, na metade da celebração, a secretária de saúde de Botuverá chegou com a polícia e a vigilância sanitária. As autoridades civis, então, interromperam a Missa, alegando violação das medidas restritivas contra a Covid-19

Missa sem comunhão

Após um entendimento, os participantes conseguiram receber o sacramento da Crisma. No entanto, as autoridades ameaçaram usar a força policial para finalizar a Missa. Então, na hora da Comunhão, o arcebispo resolveu terminar a celebração e seguiu para a oração final. Todos, portanto, ficaram sem receber a Eucaristia.

“Devo dizer que, pessoalmente, a parte que mais me feriu foi a ordem de interromper a missa. E foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu”, afirmou o Dom Wilson em nota de esclarecimento.

Celebração autorizada

O Padre Paulo Riffel, pároco da Paróquia São José (onde tudo aconteceu), explicou ao site Gaudium Press que a realização da celebração no salão paroquial tinha sido autorizada anteriormente pelas autoridades sanitárias municipais. Ele conta, inclusive, que técnicos da vigilância sanitária estiveram no salão paroquial para orientar a disposição das cadeiras e, assim, fazer cumprir o distanciamento social.

Além disso, o padre diz que se reuniu com o prefeito e que, após análise jurídica, ele permitiu a realização da Missa.

No entanto, um dia antes da celebração, a prefeitura voltou a solicitar o adiamento da Missa. Em nota oficial, o município, entretanto, alega que a proibição se devia ao fato de o Ministério público entender a celebração religiosa como “evento social” o que está proibido no município, por causa do avanço no número de casos de Covid.

Mas existe outra instrução normativa do governo do Estado que determina diretrizes específicas para as celebrações religiosas. É a Portaria 736, de 23 de setembro de 2020.

O documento, de fato, estabelece que, em regiões com risco potencial gravíssimo de contaminação, a lotação máxima dos templos religiosos deve ser de 30% da capacidade.

A paróquia São José seguia, de fato, essa norma. Tanto, que realizava a Crisma no salão paroquial, local mais fácil para cumprir as normas, observando o distanciamento social.

Ameaça à liberdade religiosa

Em nota oficial, Dom Wilson Tadeu Jönck disse que a interrupção da Missa lembrou os casos de perseguição aos cristãos. “Tais fatos acontecem em regiões onde há perseguição contra os cristãos. Aproveitam quando a comunidade está reunida para atacar. Não esperava passar por esta experiência em Botuverá”, afirmou o arcebispo.

Da mesma forma, o padre Paulo Riffel classificou o ocorrido como um “atentado contra a fé católica”, já que os fiéis foram impedidos de receber a Sagrada Eucaristia.

Fonte: Aleteia

Carta de Jesus para você: da minha cruz à sua solidão

 

JEZUS MIŁOSIERNY

faak | Shutterstock

Oleada Joven - publicado em 06/12/20

A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me olha e não me vê, e às vezes perde a esperança em me encontrar

Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.

A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.

Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o amor, que foi minha razão para viver e para morrer.

Salvação

Eu fui livre até o fim; tive um ideal claro e o defendi com o meu sangue para salvar você. Fui mestre e servidor, sou sensível à amizade e há muito tempo espero pela sua.

Ninguém como eu conhece sua alma, seus pensamentos, seu proceder, e sei muito bem quão grande é o seu valor. Sei que talvez sua vida pareça pobre aos olhos do mundo, mas sei também que você tem muito para dar, e tenho certeza de que, dentro do seu coração, há um tesouro escondido: conheça-se e então você reservará um lugar para mim.

Se você soubesse quanto tempo faz que bato à porta do seu coração e não recebo resposta! Às vezes sofro quando você me ignora e me condena, como Pilatos; também sofro quando você me nega, como Pedro; e quando me trai, como Judas.

Hoje, eu lhe peço que se una à minha dor, que carregue sua pequena cruz junto à minha. Peço-lhe paciência com relação aos seus inimigos, amor ao seu cônjuge, responsabilidade com seus filhos, tolerância com os idosos, compreensão com seus irmãos, compaixão pelo que sofre, serviço com todos, assim como eu vivi e lhe ensinei.

Estou com você

Eu não gostaria de voltar a vê-lo egoísta, rebelde, inconformado, pessimista. Gostaria que sua vida fosse alegre, sempre jovem e cristã. Cada vez que você desanimar, procure-me e me encontrará; cada vez que você se sentir cansado, converse comigo, conte-me seus problemas.

Cada vez que você achar que não serve para nada, não se deprima, não se ache inferior, não se esqueça de que precisarei da sua pequenez para entrar na alma do seu próximo.

Cada vez que você se sentir sozinho na estrada, não se esqueça de que estou com você. Não se canse de me pedir, que eu não me cansarei de lhe dar; não se canse de me seguir, que eu não me cansarei de acompanhar você.

Nunca o deixarei sozinho.

Fonte: Aleteia

Papa explica dois aspectos principais da conversão do Advento que nos preparam para o Natal

 

Papa Francisco na oração do Ângelus. Foto: Vatican Media

Vaticano, 06 dez. 20 / 01:53 pm (ACI).- O Papa Francisco explicou que o Advento “é um caminho de conversão” que nos prepara “para receber o Senhor no Natal”, para o qual descreveu os dois aspectos principais deste caminho de conversão.

Assim indicou o Santo Padre neste domingo, 6 de dezembro, antes da oração do Ângelus perante os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Em primeiro lugar, o Pontífice destacou que "a conversão envolve a dor pelos pecados cometidos, o desejo de se livrar deles, o propósito de excluí-los da própria vida para sempre" e acrescentou que "para excluir o pecado, é preciso também rejeitar tudo o que está ligado a ele: a mentalidade mundana, a superestimação do conforto, do prazer, do bem-estar, das riquezas”.

Em segundo lugar, o Papa Francisco disse que “o outro aspecto da conversão é a busca de Deus e de seu reino. O abandono do conforto e da mentalidade mundana não é por si só um objetivo, mas visa alcançar algo maior, ou seja, o reino de Deus, a comunhão com Deus, a amizade com Deus”.

No entanto, o Santo Padre reconheceu que “não é fácil, porque há tantos laços que nos mantêm próximos ao pecado: volubilidade, desânimo, malícia, ambientes nocivos, maus exemplos”.

Por isso, o Papa destacou o exemplo de São João Batista que foi "um homem austero, que renuncia ao supérfluo e busca o essencial".

Nesse sentido, o Pontífice comentou o trecho do Evangelho de São Marcos da Liturgia deste segundo Domingo do Advento (Mc, 1,1-18) que apresenta a figura de São João Batista que “assinalou aos seus contemporâneos um caminho de fé semelhante à que o Advento nos propõe, enquanto nos preparamos para receber o Senhor no Natal”, pois é “um caminho de conversão”.

Desta forma, o Santo Padre recordou que na Bíblia a palavra conversão “significa primeiro mudar a direção e a orientação; e depois também mudar a maneira de pensar" e acrescentou que "na vida moral e espiritual, converter-se significa passar do mal ao bem, do pecado ao amor de Deus".

“Isso é o que o Batista ensinava, que no deserto da Judeia proclamava “um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. Receber o batismo era um sinal externo e visível da conversão daqueles que escutavam a sua pregação e decidiam fazer penitência. Esse batismo ocorria com imersão em água, mas era inútil sem a vontade de se arrepender e de mudar de vida”, frisou.

Nesse sentido, o Papa advertiu contra a tentação de pensar que “é impossível se converter verdadeiramente, e em vez de se converter do mundo para Deus, corre-se o risco de permanecer na 'areia movediça' de uma existência medíocre”.

"O que podemos fazer nestes casos? Antes de tudo lembremo-nos de que a conversão é uma graça, portanto, deve ser pedida a Deus com força. Ninguém pode se converter sozinho. Nós nos convertemos verdadeiramente na medida em que nos abrimos à beleza, à bondade, à ternura de Deus. Deus não é um pai ruim, é terno, ama-nos muito, como o bom pastor…”, afirmou.

E para isso, o Santo Padre recomendou invocar a Santíssima Virgem Maria, que no dia 8 de dezembro celebraremos como a Imaculada Conceição, para nos “desapegarmos cada vez mais do pecado e da mundanização, para nos abrirmos a Deus, à Sua palavra, ao Seu amor que regenera e salva”.

A seguir, o Evangelho comentado pelo Papa Francisco:

São Marcos 1,1-8

"1.Princípio da Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías: 2.Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho. 3.Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas. 4.João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5.E saíam para ir ter com ele toda a Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6.João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7.Ele pôs-se a proclamar: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8.Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo”.

Fonte: Acidigital

Papa Francisco: Árvore de Natal e presépio são sinais de esperança


Árvore de Natal e presépio na Praça de São Pedro em 2015. Foto: Lauren Cater / ACI Prensa

 Vaticano, 06 dez. 20 / 02:22 pm (ACI).- O Papa Francisco destacou que a árvore de Natal e o presépio “são sinais de esperança, especialmente neste tempo difícil”.

No final do Ângelus dominical, o Santo Padre disse aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro que a árvore de Natal chegou e que estão preparando o presépio.

Neste sentido, o Pontífice recordou que em muitas casas "estes dois sinais do Natal" são preparados para "a alegria das crianças ... e também dos grandes" e acrescentou que "são sinais de esperança, especialmente neste tempo difícil".

Por isso, o Papa pediu não se deter no sinal "mas de ir ao sentido, isto é, a Jesus: ao amor de Deus que Ele nos revelou, de ir à infinita bondade que fez brilhar o mundo".

“Não há nenhuma pandemia, nenhuma crise que possa extinguir esta luz. Deixemo-la entrar em nossos corações: estendamos nossas mãos àqueles que mais necessitam, assim Deus nascerá de novo em nós e em nosso meio”, advertiu o Papa.

Por fim, o Santo Padre desejou a todos um bom domingo e pediu: "Não se esqueçam de rezar por mim".

Fonte: Acidigital

Santo do Dia : São Nicolau

 

O santo deste dia é São Nicolau, muito amado pelos cristãos e alvo de inúmeras lendas. Filho de pais ricos com profunda vida de oração, nasceu Nicolau no ano 275 em Pátara, na Ásia Menor. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição que os cristãos viviam.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que, ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento, e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que, nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro.

Sagrado Bispo de Mira, Nicolau conquistou a todos com sua caridade, zelo, espírito de oração e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e condenado à morte, mas, felizmente, salvou-se em 313, pois foi publicado o edito de Milão que concedia a liberdade religiosa.

São Nicolau participou do Concilio de Niceia, onde Jesus foi declarado consubstancial ao Pai. Entrou Nicolau no Céu em 324 ao morrer em Mira com fama de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao povo.

São Nicolau, rogai por nós!

Liturgia Diária : 2º Domingo do Advento

 Primeira Leitura (Is 40,1-5.9-11)

Leitura do Livro do Profeta Isaías:

1“Consolai o meu povo, consolai-o! — diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados”. 3Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou.

9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’”.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial (Sl 84)

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!

— Quero ouvir o que o Senhor irá falar:/ é a paz que ele vai anunciar;/ a paz para o seu povo e seus amigos,/ para os que voltam ao Senhor seu coração./ Está perto a salvação dos que o temem,/ e a glória habitará em nossa terra.

— A verdade e o amor se encontrarão,/ a justiça e a paz se abraçarão;/ da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

— O Senhor nos dará tudo o que é bom,/ e a nossa terra nos dará suas colheitas;/ a justiça andará na sua frente/ e a salvação há de seguir os passos seus.


Segunda Leitura (2Pd 3,8-14)

Leitura da Segunda Carta de São Pedro: 

8Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se.

10O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. 11Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, 12enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão?

13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.


Anúncio do Evangelho (Mc 1,1-8)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’”

4Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão.

6João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Compreendendo e Refletindo

Marcos 1,1-8: Uma voz clama no deserto - Fé na ousadia de Deus!

MARCOS 1,1-8: UMA VOZ CLAMA NO DESERTO - FÉ NA OUSADIA DE DEUS!


Por Odete Adriano
 
Esta reflexão é sobre o segundo domingo do Advento. Advento é tempo de reflexão diante do plano de Deus para a humanidade. É tempo de refletir como estamos orientando nossas vidas em relação ao propósito de Deus. Advento também é vinda, chegada. Ele vem. Jesus vem!

É um período especial, pois antecede o Natal, e traz nada menos que três desafios à cristandade. Esse período (1) quer nos lembrar do Advento histórico, passado. (2) Quer nos lembrar do Senhor que quer ser, hoje, nosso hóspede, portanto, o aspecto presente. (3) Finalmente, quer nos remeter ao futuro: o aspecto escatológico do mesmo.

O Advento é época de recuperar os grandes feitos de Deus. Eles são fundamentais para a nossa fé cristã e orientadores para a nossa convivência na comunidade e no mundo, em testemunho e serviço. Recuperar os fatos, no Advento, significa, conforme Isaías, novo fascínio, força e vigor para superar nossos cansaços, desesperanças, desânimo, vontade de desistir e cultivar nossa fé - esperança no Senhor. Advento é esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas. É esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante de tantas coisas que afligem nossa alma e ferem nosso corpo.

Advento é, por isso, época de não só pensar em doces e presentes, mas, acima de tudo, é convite para olhar em direção ao que realmente importa, ou seja, a oferta da vida com esperança, em Cristo Jesus. É tempo de encontrar o novo.

O "evangelho" de Jesus não vem dos palácios

Os primeiros versos do Evangelho segundo Marcos retomam a profecia do Antigo Testamento e a conduzem ao Novo, ao evento do Espírito. O Espírito perfaz o novo! Marcos ressalta que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é a Boa Nova da salvação para a humanidade. Como o mensageiro antigo (Isaías 52,7), João Batista proclama o alegre anúncio, que culmina em Jesus (Marcos 1,14-15) e ressoa nas comunidades cristãs como apelo a anunciar a mensagem de libertação no mundo inteiro (Marcos 13,10; 14,9).

Sabe-se que, para o evangelista, as palavras e ações de Jesus são "evangelho". "Evangelho" é uma palavra que era utilizada pelas autoridades para anunciar as suas ações. Contudo, para o evangelista Marcos, o "evangelho" de Jesus não vem dos palácios, mas da periferia de Nazaré (W. Marxen). O evangelho é alegria, não é imposto, como o evangelho imperial. Aqui nos é apresentado Jesus Cristo como "Filho de Deus", uma expressão que é central para o Evangelho segundo Marcos (cf. Marcos 1,11; 15,39).

Em seguida, Marcos 1,2-8 apresenta o precursor, João Batista. Jesus está na linha da profecia! João Batista é o profeta anunciado em Isaías. Restaura Israel a partir do deserto, como Moisés o fez com o povo que saiu do Egito, como tinha sido a prática de Elias no Horebe. João Batista, o profeta, tem seu foco no deserto. Para a história de Israel, o deserto é símbolo de vida, de resistência, vida restaurada, nova.

A profecia de João Batista apela à conversão, ao arrependimento. Isso é antiga tradição profética. O arrependimento é o eixo da renovação. 

Fé na renovada ousadia de Deus e olhos fixos no futuro

O povo de Deus sempre teve os olhos fixos no futuro, com esperança na vinda definitiva do Senhor (Isaías). Marcos nos chama a olhar à nossa volta e enxergar dentro de nossa história a vinda de Deus: João é o novo Elias (1 Reis 1,8), isto é, a profecia que volta a ser proclamada, o povo se reúne e se organiza para recomeçar como nos tempos do "deserto", enquanto os poderosos se abalam por se sentirem desmascarados (Mateus 3,7). Em Jesus de Nazaré, é Deus mesmo quem opera a restauração das pessoas.

Assim como se deu com Elias, João foi perseguido e morto covardemente, mas a palavra ressurge em Jesus (Marcos 1,14-15; 6,16). Também Jesus foi perseguido e assassinado, mas a caminhada da Palavra prossegue com seus discípulos e discípulas.

Ouvir de Elias, de João, de Jesus... é ouvir falar da renovada ousadia de Deus, a ousadia da liberdade, que não aceita calar-se nunca, nem teme os poderosos do mundo. Sempre de novo a Palavra ressurge para anunciar que são possíveis "novos céus e nova terra" (2 Pedro 3,13; Marcos 1,9-13; 9,2-13). A Palavra volta a levantar-se para denunciar os obstáculos que se antepõem ao propósito de Deus e proclamar que só há uma maneira de viver nessa nova realidade: "endireitar" os caminhos, reconhecer os erros pessoais e coletivos, refazer as relações pelo perdão, a igualdade e a partilha (Lucas 3,10-14). Aí, sim, o "deserto" se transforma em larga estrada, em jardim do Senhor.

O deserto era o lugar onde frequentemente se refugiava quem se sentia à margem do sistema e se punha na oposição. Lá estavam os essênios, pessoas que romperam com o templo e se consideravam vanguarda do novo povo. Para lá se dirigia quem se proclamava profeta ou messias e pretendia organizar a resistência popular. Por lá andavam guerrilheiros (sicários, zelotas) e bandidos. O movimento de João é de protesto e resistência, por isso foi preso e morto. Herodes o temia.

Batismos e rituais de purificações eram práticas comuns no ambiente dos fariseus e dos essênios. No movimento de João não são os sacrifícios que purificam do pecado, mas a confissão e o arrependimento, a mudança de vida. O povo não peregrina em direção ao templo, mas sai das cidades, como num êxodo, em direção ao deserto. É como se fosse preciso sair de novo do Egito, "a casa da servidão". E, pelo Jordão, entrar na Terra Prometida. Sob a expressão "remissão dos pecados" está escondida a antiga esperança da "remissão das dívidas" prevista para o Ano do Jubileu (Levítico 25). O novo tempo anunciado por João é a possibilidade, com Jesus, de restauração radical da convivência do povo em sociedade, segundo os ideais da igualdade e da justiça. Para isso é que se prevê a "imersão" (batismo) no Espírito Santo. Será como passar pelo fogo (Mateus 3,11; Malaquias 3,2) que purifica e destrói, para que algo novo possa surgir. Essa novidade era esperada desde o final do exílio na Babilônia e é dela que falavam profetas e profetisas no grupo de discípulos de Isaías (Is 40-66).

Deus sabe o caminho que devemos andar

João Batista, o precursor, propõe a conversão como meio para preparar o caminho do Senhor e acelerar a chegada de um mundo novo de justiça. Deus caminha pelo deserto da história, ensinando-nos a endireitar as veredas através de gestos solidários de amor e paz.

Dietrich Bonhoeffer dizia: "Eu não entendo os Teus caminhos, Senhor. Mas Tu sabes os caminhos que devo andar!" E é verdade! Deus sabe o caminho que devemos andar. Sabe, quanto mais procuro vivenciar e entender as coisas que Deus quer de mim, mais me surpreende o quanto Deus vem ao meu, ao nosso encontro nas áreas mais essenciais e carentes da vida: "significado, pertencimento, saúde, liberdade e comunidade". É que Deus - que é um Deus de amor e, consequentemente, de salvação - vem ao nosso encontro nas áreas mais necessitadas da existência humana e comunitária.

Por isso, "Ficai atentos, preparem-se". Ficai Atentos! A Esperança não pode esmorecer, mas resistir. Esperança Teimosa! Nascida do discernimento. Construída mesmo no tempo de sofrimento e esmorecimento! O tempo que vivemos é tempo de resistir pela solidariedade ao egoísmo e ao individualismo que nos consomem. Ser sensível é ser humano! Olhar o mundo sem indiferença. Com compaixão e afeto que movam à transformação! Vivamos intensamente este Tempo do Advento! Pois o Advento nos ensina: Não canse de esperar, o que esperamos vai chegar!
 


Fonte: CEBI