domingo, 6 de dezembro de 2020

Carta de Jesus para você: da minha cruz à sua solidão

 

JEZUS MIŁOSIERNY

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Oleada Joven - publicado em 06/12/20

A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me olha e não me vê, e às vezes perde a esperança em me encontrar

Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.

A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.

Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o amor, que foi minha razão para viver e para morrer.

Salvação

Eu fui livre até o fim; tive um ideal claro e o defendi com o meu sangue para salvar você. Fui mestre e servidor, sou sensível à amizade e há muito tempo espero pela sua.

Ninguém como eu conhece sua alma, seus pensamentos, seu proceder, e sei muito bem quão grande é o seu valor. Sei que talvez sua vida pareça pobre aos olhos do mundo, mas sei também que você tem muito para dar, e tenho certeza de que, dentro do seu coração, há um tesouro escondido: conheça-se e então você reservará um lugar para mim.

Se você soubesse quanto tempo faz que bato à porta do seu coração e não recebo resposta! Às vezes sofro quando você me ignora e me condena, como Pilatos; também sofro quando você me nega, como Pedro; e quando me trai, como Judas.

Hoje, eu lhe peço que se una à minha dor, que carregue sua pequena cruz junto à minha. Peço-lhe paciência com relação aos seus inimigos, amor ao seu cônjuge, responsabilidade com seus filhos, tolerância com os idosos, compreensão com seus irmãos, compaixão pelo que sofre, serviço com todos, assim como eu vivi e lhe ensinei.

Estou com você

Eu não gostaria de voltar a vê-lo egoísta, rebelde, inconformado, pessimista. Gostaria que sua vida fosse alegre, sempre jovem e cristã. Cada vez que você desanimar, procure-me e me encontrará; cada vez que você se sentir cansado, converse comigo, conte-me seus problemas.

Cada vez que você achar que não serve para nada, não se deprima, não se ache inferior, não se esqueça de que precisarei da sua pequenez para entrar na alma do seu próximo.

Cada vez que você se sentir sozinho na estrada, não se esqueça de que estou com você. Não se canse de me pedir, que eu não me cansarei de lhe dar; não se canse de me seguir, que eu não me cansarei de acompanhar você.

Nunca o deixarei sozinho.

Fonte: Aleteia

Papa explica dois aspectos principais da conversão do Advento que nos preparam para o Natal

 

Papa Francisco na oração do Ângelus. Foto: Vatican Media

Vaticano, 06 dez. 20 / 01:53 pm (ACI).- O Papa Francisco explicou que o Advento “é um caminho de conversão” que nos prepara “para receber o Senhor no Natal”, para o qual descreveu os dois aspectos principais deste caminho de conversão.

Assim indicou o Santo Padre neste domingo, 6 de dezembro, antes da oração do Ângelus perante os fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Em primeiro lugar, o Pontífice destacou que "a conversão envolve a dor pelos pecados cometidos, o desejo de se livrar deles, o propósito de excluí-los da própria vida para sempre" e acrescentou que "para excluir o pecado, é preciso também rejeitar tudo o que está ligado a ele: a mentalidade mundana, a superestimação do conforto, do prazer, do bem-estar, das riquezas”.

Em segundo lugar, o Papa Francisco disse que “o outro aspecto da conversão é a busca de Deus e de seu reino. O abandono do conforto e da mentalidade mundana não é por si só um objetivo, mas visa alcançar algo maior, ou seja, o reino de Deus, a comunhão com Deus, a amizade com Deus”.

No entanto, o Santo Padre reconheceu que “não é fácil, porque há tantos laços que nos mantêm próximos ao pecado: volubilidade, desânimo, malícia, ambientes nocivos, maus exemplos”.

Por isso, o Papa destacou o exemplo de São João Batista que foi "um homem austero, que renuncia ao supérfluo e busca o essencial".

Nesse sentido, o Pontífice comentou o trecho do Evangelho de São Marcos da Liturgia deste segundo Domingo do Advento (Mc, 1,1-18) que apresenta a figura de São João Batista que “assinalou aos seus contemporâneos um caminho de fé semelhante à que o Advento nos propõe, enquanto nos preparamos para receber o Senhor no Natal”, pois é “um caminho de conversão”.

Desta forma, o Santo Padre recordou que na Bíblia a palavra conversão “significa primeiro mudar a direção e a orientação; e depois também mudar a maneira de pensar" e acrescentou que "na vida moral e espiritual, converter-se significa passar do mal ao bem, do pecado ao amor de Deus".

“Isso é o que o Batista ensinava, que no deserto da Judeia proclamava “um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. Receber o batismo era um sinal externo e visível da conversão daqueles que escutavam a sua pregação e decidiam fazer penitência. Esse batismo ocorria com imersão em água, mas era inútil sem a vontade de se arrepender e de mudar de vida”, frisou.

Nesse sentido, o Papa advertiu contra a tentação de pensar que “é impossível se converter verdadeiramente, e em vez de se converter do mundo para Deus, corre-se o risco de permanecer na 'areia movediça' de uma existência medíocre”.

"O que podemos fazer nestes casos? Antes de tudo lembremo-nos de que a conversão é uma graça, portanto, deve ser pedida a Deus com força. Ninguém pode se converter sozinho. Nós nos convertemos verdadeiramente na medida em que nos abrimos à beleza, à bondade, à ternura de Deus. Deus não é um pai ruim, é terno, ama-nos muito, como o bom pastor…”, afirmou.

E para isso, o Santo Padre recomendou invocar a Santíssima Virgem Maria, que no dia 8 de dezembro celebraremos como a Imaculada Conceição, para nos “desapegarmos cada vez mais do pecado e da mundanização, para nos abrirmos a Deus, à Sua palavra, ao Seu amor que regenera e salva”.

A seguir, o Evangelho comentado pelo Papa Francisco:

São Marcos 1,1-8

"1.Princípio da Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías: 2.Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho. 3.Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas. 4.João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5.E saíam para ir ter com ele toda a Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6.João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7.Ele pôs-se a proclamar: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8.Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo”.

Fonte: Acidigital

Papa Francisco: Árvore de Natal e presépio são sinais de esperança


Árvore de Natal e presépio na Praça de São Pedro em 2015. Foto: Lauren Cater / ACI Prensa

 Vaticano, 06 dez. 20 / 02:22 pm (ACI).- O Papa Francisco destacou que a árvore de Natal e o presépio “são sinais de esperança, especialmente neste tempo difícil”.

No final do Ângelus dominical, o Santo Padre disse aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro que a árvore de Natal chegou e que estão preparando o presépio.

Neste sentido, o Pontífice recordou que em muitas casas "estes dois sinais do Natal" são preparados para "a alegria das crianças ... e também dos grandes" e acrescentou que "são sinais de esperança, especialmente neste tempo difícil".

Por isso, o Papa pediu não se deter no sinal "mas de ir ao sentido, isto é, a Jesus: ao amor de Deus que Ele nos revelou, de ir à infinita bondade que fez brilhar o mundo".

“Não há nenhuma pandemia, nenhuma crise que possa extinguir esta luz. Deixemo-la entrar em nossos corações: estendamos nossas mãos àqueles que mais necessitam, assim Deus nascerá de novo em nós e em nosso meio”, advertiu o Papa.

Por fim, o Santo Padre desejou a todos um bom domingo e pediu: "Não se esqueçam de rezar por mim".

Fonte: Acidigital

Santo do Dia : São Nicolau

 

O santo deste dia é São Nicolau, muito amado pelos cristãos e alvo de inúmeras lendas. Filho de pais ricos com profunda vida de oração, nasceu Nicolau no ano 275 em Pátara, na Ásia Menor. Tornou-se sacerdote da diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de perseguição que os cristãos viviam.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que, ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento, e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que, nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro.

Sagrado Bispo de Mira, Nicolau conquistou a todos com sua caridade, zelo, espírito de oração e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e condenado à morte, mas, felizmente, salvou-se em 313, pois foi publicado o edito de Milão que concedia a liberdade religiosa.

São Nicolau participou do Concilio de Niceia, onde Jesus foi declarado consubstancial ao Pai. Entrou Nicolau no Céu em 324 ao morrer em Mira com fama de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao povo.

São Nicolau, rogai por nós!

Liturgia Diária : 2º Domingo do Advento

 Primeira Leitura (Is 40,1-5.9-11)

Leitura do Livro do Profeta Isaías:

1“Consolai o meu povo, consolai-o! — diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados”. 3Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou.

9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’”.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial (Sl 84)

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!

— Quero ouvir o que o Senhor irá falar:/ é a paz que ele vai anunciar;/ a paz para o seu povo e seus amigos,/ para os que voltam ao Senhor seu coração./ Está perto a salvação dos que o temem,/ e a glória habitará em nossa terra.

— A verdade e o amor se encontrarão,/ a justiça e a paz se abraçarão;/ da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

— O Senhor nos dará tudo o que é bom,/ e a nossa terra nos dará suas colheitas;/ a justiça andará na sua frente/ e a salvação há de seguir os passos seus.


Segunda Leitura (2Pd 3,8-14)

Leitura da Segunda Carta de São Pedro: 

8Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se.

10O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. 11Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, 12enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão?

13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.


Anúncio do Evangelho (Mc 1,1-8)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’”

4Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão.

6João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Compreendendo e Refletindo

Marcos 1,1-8: Uma voz clama no deserto - Fé na ousadia de Deus!

MARCOS 1,1-8: UMA VOZ CLAMA NO DESERTO - FÉ NA OUSADIA DE DEUS!


Por Odete Adriano
 
Esta reflexão é sobre o segundo domingo do Advento. Advento é tempo de reflexão diante do plano de Deus para a humanidade. É tempo de refletir como estamos orientando nossas vidas em relação ao propósito de Deus. Advento também é vinda, chegada. Ele vem. Jesus vem!

É um período especial, pois antecede o Natal, e traz nada menos que três desafios à cristandade. Esse período (1) quer nos lembrar do Advento histórico, passado. (2) Quer nos lembrar do Senhor que quer ser, hoje, nosso hóspede, portanto, o aspecto presente. (3) Finalmente, quer nos remeter ao futuro: o aspecto escatológico do mesmo.

O Advento é época de recuperar os grandes feitos de Deus. Eles são fundamentais para a nossa fé cristã e orientadores para a nossa convivência na comunidade e no mundo, em testemunho e serviço. Recuperar os fatos, no Advento, significa, conforme Isaías, novo fascínio, força e vigor para superar nossos cansaços, desesperanças, desânimo, vontade de desistir e cultivar nossa fé - esperança no Senhor. Advento é esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas. É esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante de tantas coisas que afligem nossa alma e ferem nosso corpo.

Advento é, por isso, época de não só pensar em doces e presentes, mas, acima de tudo, é convite para olhar em direção ao que realmente importa, ou seja, a oferta da vida com esperança, em Cristo Jesus. É tempo de encontrar o novo.

O "evangelho" de Jesus não vem dos palácios

Os primeiros versos do Evangelho segundo Marcos retomam a profecia do Antigo Testamento e a conduzem ao Novo, ao evento do Espírito. O Espírito perfaz o novo! Marcos ressalta que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é a Boa Nova da salvação para a humanidade. Como o mensageiro antigo (Isaías 52,7), João Batista proclama o alegre anúncio, que culmina em Jesus (Marcos 1,14-15) e ressoa nas comunidades cristãs como apelo a anunciar a mensagem de libertação no mundo inteiro (Marcos 13,10; 14,9).

Sabe-se que, para o evangelista, as palavras e ações de Jesus são "evangelho". "Evangelho" é uma palavra que era utilizada pelas autoridades para anunciar as suas ações. Contudo, para o evangelista Marcos, o "evangelho" de Jesus não vem dos palácios, mas da periferia de Nazaré (W. Marxen). O evangelho é alegria, não é imposto, como o evangelho imperial. Aqui nos é apresentado Jesus Cristo como "Filho de Deus", uma expressão que é central para o Evangelho segundo Marcos (cf. Marcos 1,11; 15,39).

Em seguida, Marcos 1,2-8 apresenta o precursor, João Batista. Jesus está na linha da profecia! João Batista é o profeta anunciado em Isaías. Restaura Israel a partir do deserto, como Moisés o fez com o povo que saiu do Egito, como tinha sido a prática de Elias no Horebe. João Batista, o profeta, tem seu foco no deserto. Para a história de Israel, o deserto é símbolo de vida, de resistência, vida restaurada, nova.

A profecia de João Batista apela à conversão, ao arrependimento. Isso é antiga tradição profética. O arrependimento é o eixo da renovação. 

Fé na renovada ousadia de Deus e olhos fixos no futuro

O povo de Deus sempre teve os olhos fixos no futuro, com esperança na vinda definitiva do Senhor (Isaías). Marcos nos chama a olhar à nossa volta e enxergar dentro de nossa história a vinda de Deus: João é o novo Elias (1 Reis 1,8), isto é, a profecia que volta a ser proclamada, o povo se reúne e se organiza para recomeçar como nos tempos do "deserto", enquanto os poderosos se abalam por se sentirem desmascarados (Mateus 3,7). Em Jesus de Nazaré, é Deus mesmo quem opera a restauração das pessoas.

Assim como se deu com Elias, João foi perseguido e morto covardemente, mas a palavra ressurge em Jesus (Marcos 1,14-15; 6,16). Também Jesus foi perseguido e assassinado, mas a caminhada da Palavra prossegue com seus discípulos e discípulas.

Ouvir de Elias, de João, de Jesus... é ouvir falar da renovada ousadia de Deus, a ousadia da liberdade, que não aceita calar-se nunca, nem teme os poderosos do mundo. Sempre de novo a Palavra ressurge para anunciar que são possíveis "novos céus e nova terra" (2 Pedro 3,13; Marcos 1,9-13; 9,2-13). A Palavra volta a levantar-se para denunciar os obstáculos que se antepõem ao propósito de Deus e proclamar que só há uma maneira de viver nessa nova realidade: "endireitar" os caminhos, reconhecer os erros pessoais e coletivos, refazer as relações pelo perdão, a igualdade e a partilha (Lucas 3,10-14). Aí, sim, o "deserto" se transforma em larga estrada, em jardim do Senhor.

O deserto era o lugar onde frequentemente se refugiava quem se sentia à margem do sistema e se punha na oposição. Lá estavam os essênios, pessoas que romperam com o templo e se consideravam vanguarda do novo povo. Para lá se dirigia quem se proclamava profeta ou messias e pretendia organizar a resistência popular. Por lá andavam guerrilheiros (sicários, zelotas) e bandidos. O movimento de João é de protesto e resistência, por isso foi preso e morto. Herodes o temia.

Batismos e rituais de purificações eram práticas comuns no ambiente dos fariseus e dos essênios. No movimento de João não são os sacrifícios que purificam do pecado, mas a confissão e o arrependimento, a mudança de vida. O povo não peregrina em direção ao templo, mas sai das cidades, como num êxodo, em direção ao deserto. É como se fosse preciso sair de novo do Egito, "a casa da servidão". E, pelo Jordão, entrar na Terra Prometida. Sob a expressão "remissão dos pecados" está escondida a antiga esperança da "remissão das dívidas" prevista para o Ano do Jubileu (Levítico 25). O novo tempo anunciado por João é a possibilidade, com Jesus, de restauração radical da convivência do povo em sociedade, segundo os ideais da igualdade e da justiça. Para isso é que se prevê a "imersão" (batismo) no Espírito Santo. Será como passar pelo fogo (Mateus 3,11; Malaquias 3,2) que purifica e destrói, para que algo novo possa surgir. Essa novidade era esperada desde o final do exílio na Babilônia e é dela que falavam profetas e profetisas no grupo de discípulos de Isaías (Is 40-66).

Deus sabe o caminho que devemos andar

João Batista, o precursor, propõe a conversão como meio para preparar o caminho do Senhor e acelerar a chegada de um mundo novo de justiça. Deus caminha pelo deserto da história, ensinando-nos a endireitar as veredas através de gestos solidários de amor e paz.

Dietrich Bonhoeffer dizia: "Eu não entendo os Teus caminhos, Senhor. Mas Tu sabes os caminhos que devo andar!" E é verdade! Deus sabe o caminho que devemos andar. Sabe, quanto mais procuro vivenciar e entender as coisas que Deus quer de mim, mais me surpreende o quanto Deus vem ao meu, ao nosso encontro nas áreas mais essenciais e carentes da vida: "significado, pertencimento, saúde, liberdade e comunidade". É que Deus - que é um Deus de amor e, consequentemente, de salvação - vem ao nosso encontro nas áreas mais necessitadas da existência humana e comunitária.

Por isso, "Ficai atentos, preparem-se". Ficai Atentos! A Esperança não pode esmorecer, mas resistir. Esperança Teimosa! Nascida do discernimento. Construída mesmo no tempo de sofrimento e esmorecimento! O tempo que vivemos é tempo de resistir pela solidariedade ao egoísmo e ao individualismo que nos consomem. Ser sensível é ser humano! Olhar o mundo sem indiferença. Com compaixão e afeto que movam à transformação! Vivamos intensamente este Tempo do Advento! Pois o Advento nos ensina: Não canse de esperar, o que esperamos vai chegar!
 


Fonte: CEBI

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Oração do Advento

 

© Falco / CC



Para rezar agora, com fé e confiança em Deus


Senhor, meu Deus,
teu Filho há de vir nas próximas semanas!
Que meu coração seja como
terra boa para recebê-lo.
Que cada momento destes próximos dias
sirva para que eu possa refletir
sobre minha vida e o meu ser.
Onde tantos acham que precisam
só de coisas materiais
que eu possa levar o alimento espiritual.
Onde tantos buscam só o ter,
que eu possa mostrar o quanto vale o ser.
Mostrar que Natal não é simplesmente
o nascimento de Jesus,
mas a vinda do Salvador
acima do comércio desenfreado.

Senhor, meu Deus,
agradeço por poder reviver
plenamente este evento todos os anos
e com ele sentir tua presença
cada vez mais perto de mim.
Peço à Virgem Maria,
Mãe tão agraciada nesta data,
que abençoe as pessoas mais desfavorecidas
e que elas consigam encontrar em Deus
forças para trilharem seus caminhos.
Jesus, estamos te aguardando,
procurando ser cada vez melhores,
cada vez mais humanos
e santos em nossos dias.
Tua chegada nos fortalecerá
e será para nós motivo de glória!
Que Deus nos abençoe
e nos acompanhe!

AMÉM!

Fonte: Aleteia

Como manter a saúde mental enquanto a pandemia continua

 

JAPAN, WOMAN, MASK

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Jim Schroeder - publicado em 02/12/20

Não se torne uma estatística: siga estas dicas para se manter bem durante este período desafiador

À medida que a pandemia continua fazendo vítimas, está se tornando claro que a COVID-19 trouxe mais do que doenças infecciosas para nossas comunidades. Algumas das consequências, por exemplo, são os problemas de saúde mental – inclusive no local de trabalho.

Um estudo recente indica que 35% dos trabalhadores americanos desenvolveram a depressão em meio à pandemia. Entretanto, poucos estão realmente procurando ajuda profissional.

Além disso, há também algumas estatísticas reveladoras. Primeiramente, parece que a geração mais jovem de trabalhadores, incluindo os da Geração Z, está lutando mais, especialmente quando comparada com seus colegas mais velhos (Baby Boomers). Os resultados também indicam que as mulheres, mais do que os homens, relatam desafios com desatenção e energia reduzida. Além disso, 65% dos trabalhadores relatam se sentir cronicamente distraídos no trabalho.

Outro dado alarmante é que dos que citaram sintomas relacionados à depressão, apenas 1 em cada 10 procurou um colega para desabafar. E mais: somente 7% deles procuraram ajuda profissional.

Os “4 Grandes” da saúde mental

Cada vez mais se acumulam evidências de que os impactos a longo prazo da COVID-19 para a saúde mental podem ser horríveis se não priorizarmos a saúde mental nas próximas semanas e meses. Para fazer isso, devemos primeiro começar com os “4 Grandes” elementos essenciais para a saúde mental: sono, dieta, atividade e tempo de tela / tecnologia.

Existem estudos que indicam que essas áreas têm impacto direto em nosso funcionamento psicológico. E a pandemia comprovou isso. Primeiramente, é fundamental observar que, embora possa ser difícil controlar certos resultados (por exemplo, obter mais sono esta noite), o que está sempre disponível para nós são nossos hábitos. Ou seja: os processos que empregamos rotineiramente fazem uma grande diferença no curto e longo prazo.

Por outro lado, o Advento é um ótimo momento para começar novos hábitos. Portanto, aproveite.

Mudando hábitos

Não importa a sua situação atual com relação aos exercícios; escolha uma meta simples e razoável e comprometa-se com ela. Pode ser uma caminhada de 20 minutos pela manhã duas vezes por semana, por exemplo. Você também pode aumentar 10 minutos no seu tempo de bicicleta ergométrica.

No que diz respeito à dieta, o objetivo é sempre aumentar a ingestão de água e de alimentos integrais e naturais. Portanto, você pode se comprometer a fazer uma refeição completamente natural por dia. Da mesma forma, ao invés de refrigerante, prefira ingerir muita água.

Em relação aos hábitos do sono tente, por exemplo, ir para a cama 10 minutos mais cedo do que o normal e desligar todas as tecnologias 30 minutos antes de dormir (as telas tendem a dificultar o adormecimento).

Além disso, talvez você deva dedicar apenas 10 minutos por dia para olhar as notícias e as redes sociais. Qualquer que seja o objetivo, deve ser razoável e prático em comparação com seus hábitos atuais. Só assim você terá a chance de estabelecer uma rotina mais saudável.

Gratidão, empatia e desafios

Além dos “4 Grandes”, devemos trabalhar cada vez mais para cultivar alguns hábitos específicos.

Como Victor Frankl – um homem que quase perdeu sua família inteira no Holocausto – disse certa vez: “Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas é escolher a própria atitude em qualquer conjunto de circunstâncias.”

Portanto, se quisermos enfrentar os desafios inevitáveis ​​da pandemia, devemos trabalhar para promover três perspectivas principais em nós e em nossos filhos: gratidão X decepção, empatia X egocentrismo e desafio X desespero.

É perfeitamente normal sentir-se desapontado, absorvido em si mesmo ou deprimido e desesperado. Mas é extremamente importante se reorientar contínua e intencionalmente para a gratidão, a empatia e o desafio, se quisermos ser resilientes em nossa situação atual.

Viver o agora

Há mais um foco significativo que permanece primordial quando se trata de manter a saúde mental. É a oportunidade que temos AGORA – e isso não muda , mesmo que estejamos sentados na prisão ou deitados em uma cama de hospital. Todos nós precisamos planejar o futuro e estarmos cientes do passado. Mas quando nossos corações e almas estão em qualquer lugar, exceto no momento presente, isso é opressor e imobilizador. E é um grande fator para o desenvolvimento de instabilidade na saúde mental.

Não importa, então, onde nos encontremos em relação a esta pandemia. De fato, qualquer movimento positivo exigirá um discernimento atento do que é necessário no momento. Talvez para você isso seja uma simples respiração de limpeza e alguns minutos de silêncio por dia. Além disso, pode ser a vontade de encontrar um amigo ou colega e falar honestamente sobre as dificuldades que o atormentam. Talvez signifique aproveitar os serviços de um terapeuta. Ou quiça signifique deixar o telefone em casa e dar uma caminhada para começar ou terminar o dia.

Enfim, 2020 parece não ter limites quando se trata de nos apresentar desafios. No entanto, o fato é que  cada momento de nossas vidas nos apresentam opções para tomar um caminho melhor, não importa onde estivemos ou o que está à frente.

Jim Schroeder é casado, pai de oito filhos, psicólogo pediatra e atleta de resistência.

Fonte:Aleteia