Como forma de comemoração
de seu patrono, a Arquidiocese de São Paulo prepara um tríduo para os
dias 22, 23 e 24, com a temática do Ano da Fé. No dia 25, acontecerá uma
Missa Solene, às 9h, na Catedral da Sé, e por ocasião do feriado de
aniversário da capital paulista, serão celebradas Missas em todas as
paróquias.
Na solenidade, os fiéis
poderão ganhar a indulgência plenária prevista para o Ano da Fé,
informou o cardeal em nota publicada no site da arquidiocese.
São Paulo, homem de fé
No dia 25 de janeiro, a
Arquidiocese de São Paulo comemora a festa de seu Patrono, o Apóstolo
São Paulo. No Ano da Fé, convém voltar para São Paulo um olhar especial,
para perceber nele o homem de fé e a testemunha firme e qualificada de
Cristo.
A sua fé, enquanto fariseu
zeloso, talvez era a do estudioso das Escrituras, do intelectual, que
procurava entender a letra dos testemunhos dos antepassados; era um
encarregado intransigente de zelar pela prática intransigente e sem
desvios de tudo o que se prescrevia na religião. Ele mesmo escreve que
era zeloso mais que ninguém (cf Fl 3,6). Mas com o zelo dessa
religiosidade formal, ele perseguiu os cristãos, que considerava
desviados da fé (cf At 9,1-2). Mas, qual fé?!
Às portas de Damasco, ele
teve o encontro inesperado com Cristo, em pessoa, que lhe fala: “Saulo,
Saulo, por que me persegues?”. Suas convicções são sacudidas por aquela
voz. Sua fé estava baseada na letra; agora, a letra tem voz e se revela
como pessoa! “Quem és tu, Senhor?” (At 9,5). A fé muda de base: das
doutrinas e preceitos, passa a se confrontar com aquele que lhe fala e
sobre quem versam doutrinas e letras.
Saulo tem a experiência
marcante de sua fé cristã: o encontro pessoal com aquele mesmo que
estava perseguindo e queria combater. Compreende e se entrega: “que devo
fazer, Senhor?” (cf At 22,10). Está disposto a aprender tudo de novo; e
será o que vai fazer, na escola de Gamaliel e no seu retiro de três
anos “na Arábia”, como ele mesmo informa (cf Gl 1,17). Saulo já é
“Paulo”, que significa “pequeno”, humilde.
E a imensa energia de seu
caráter será posta, agora, inteiramente a serviço de Cristo, que teve
misericórdia dele e o alcançou... A experiência do perdão, da
misericórdia alcançada e da escolha que Cristo fez dele para ser
apóstolo e missionário do Evangelho entre os povos não saem mais de sua
cabeça e fazem seu coração transbordar: “Ele me amou e por mim se
entregou!” (cf Cl 2,20).
Uma vez encontrado e
reconhecido Jesus Cristo, Paulo aposta sua vida inteiramente nele: “para
mim, o viver é Cristo”. Não lhe interessam mais as glórias deste mundo,
nem mede esforços e fadigas para anunciar o nome de Cristo entre os
povos, tentando atraí-los para Cristo, para terem, como ele teve, a
experiência do encontro e do perdão. A fé, para ele, não será mais algo
abstrato, mas referida à pessoa de Jesus Cristo, que lhe abriu todos os
tesouros da compreensão e da graça.
A fé, para Paulo, é adesão
viva e firme à pessoa de Jesus e, por meio dele, à pessoa de Deus. Essa
adesão é perseverante, mesmo no meio das maiores dificuldades e
provações, que deve enfrentar por causa de Cristo. Finalmente, essa fé
mantém-se firme também nas prisões, torturas e no martírio.
Para Paulo, a fé é um novo
modo de compreender o mundo, a vida, a conduta humana. A fé torna sábio
“em Cristo”, leva a um “estar com Cristo”, a “viver de Cristo”, a
esperar com firme confiança e a obedecer a Deus, por meio de Cristo. A
fé significa, para Paulo, uma participação na vida, na morte e na
ressurreição com Cristo. A fé é dom recebido e acolhido com gratidão e
correspondido com coerência e conversão constante.
Como apóstolo e
missionário, ele “gera filhos na fé” e os educa no Evangelho; suas
cartas testemunham de maneira abundante esse zelo paternal em relação às
diversas comunidades que tiveram origem com sua pregação e ação
missionária. As recomendações a Timóteo e a Filémon mostram as
qualidades de seu coração de pai e educador na fé. Aproximando-se do
martírio, ele pode dizer com serenidade: “completei a minha corrida,
guardei a fé!” (2Tm 4,7).
Olhando para esse
Apóstolo, sentimo-nos encorajados a imitar seu exemplo de homem de fé,
de testemunha de Cristo. Muitos outros, em tempos difíceis ao longo da
história do Cristianismo, inspiraram-se nele e ajudaram a Igreja a
recobrar ânimo e nova vitalidade missionária. Tempos de “nova
evangelização”, como os que vivemos, requerem a mesma atitude... Olhemos
para o exemplo de São Paulo e peçamos sua intercessão.
Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo
Fonte: cancaonova
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