2014-10-27 Rádio Vaticana
Redzioch – “Não se pode compreender João Paulo II sem falar da oração, sem falar dele como um místico, porque João Paulo II tinha uma relação mística com o Senhor. As primeiras vezes que eu ia à capela privada para a Missa e via o Papa no genuflexório, era uma coisa que me agitava: ele rezava com todo o corpo, com expressões faciais; às vezes levantava a cabeça para o alto, como se visse alguém, como se conversasse com alguém. Sobre o genuflexório, ele tinha um maço de notas: eram os pedidos das pessoas, que solicitavam as coisas concretas... O papa não rezava em modo abstrato, mas para coisas concretas, pedidos das pessoas. Uma vez, um colaborador dele encontrou uma página dupla da edição polonesa do ‘L’Osservatore Romano’ com a gráfica da Cúria e com todos os nomes dos colaboradores da Cúria, e questionou o Papa para que servia, pensando que o Papa estudasse o organograma vaticano. O Papa disse candidamente: “Mas eu, todos os dias, rezo por cada um de vocês!”
Rádio Vaticano – Há um aspecto da sua santidade que gostaria de ressaltar?
Redzioch – O primeiro, a sua pobreza. Por toda a vida, a família de Wojtyla foi pobre, inclusive quando jovem, quando Wojtyla se tornou sacerdote, ele não tinha nada. A coisa mais importante é que ele não valorizava as coisas materiais. Quando estava nos Palácios de Cracóvia, da Cúria ou do Pontifício, ele usava coisas, mas de pessoa não tinha nada... Um outro aspecto é o misticismo de Karol Wojtyla: é muito difícil falar da vida mística, porque são coisas tão profundas, tão íntimas. Eu pensei que seria possível aproximar Wojtyla místico através da poesia dele. E porque propriamente através da poesia dele? Porque qualquer outro escrito – os documentos, as Encíclicas, as homelias e qualquer outro escrito – foi direcionado a alguém. Wojtyla também era um poeta e as poesias ele as escreveu para si mesmo: a poesia é um desabafo da alma. Se quisermos entender Karol Wojtyla místico, deveríamos ler e reler as poesias dele.” (AC)
Fonte: News.VA
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