| Por: DOM PAULO MENDES PEIXOTO ARCEBISPO DE UBERABA - MG www.bispado.org.br |
“Deus ama quem dá com alegria” (II Cor 9,7).
(Por Dom Leonardo)
(Por Dom Leonardo)
- A missão pede entrega, doação e generosidade.
- Dízimo é participar no anúncio do “Evangelho da Alegria”.
- Anúncio que acontece como presença da comunidade dos cristãos.
- O Papa Francisco diz que a Igreja esteja em permanente missão.
- A conversão pastoral exige renovação na ação missionária.
- Sair da mera pastoral de conservação e ser mais dinâmica.
- É importante cultivar a vida comunitária com chave missionária.
- Para isso a Igreja retoma a Pastoral do Dízimo como caminho.
- O dízimo é uma forma de sustentação da ação missionária.
- É urgente pensar em estruturas pastorais para ajudar na missão.
- O dízimo deve se situar no âmbito da fé e na Pastoral de Conjunto.
- A perspectiva principal da Pastoral do Dízimo é a Evangelização.
- O atual texto foi muito bem partilhado por todo nosso episcopado.
- Após longamente refletido, foi provado no Conselho Permanente.
Introdução
- Desde a década de 50 do século passado a CNBB fala do dízimo.
- A vida comunitária é fundamental para a renovação da paróquia.
- Para chegar ao texto atual foi feito um percurso longo de reflexão.
- A Assembleia Geral da CNBB de 2016 delegou ao Conselho Permanente a aprovação oficial do texto que ora temos.
- O dízimo é apresentado na perspectiva da evangelização, como um dos elementos da “conversão pastoral e paroquial”.
- Pela diversidade pastoral e o caminho percorrido pelas Igrejas particulares, foi desaconselhado um plano nacional do dízimo.
- O documento apenas indica elementos bíblicos e teológicos.
- Esclarece conceitos e termos que ajudem a compreender o dizimo.
- Oferece orientações gerais e linguagem propositiva sobre o dízimo.
- São duas partes, conceitos e orientações sobre sua implantação.
- Respeita o caminho já feito pelas pastorais e vem como anexo.
CAP I – A compreensão do dízimo
- Dízimo e pastoral têm que ter uma correta e ampla compreensão.
- Saber o que é o dízimo e quais são os seus reais fundamentos.
- Na base estão os princípios bíblicos, cristológicos e eclesiais.
- Conhecer suas dimensões e finalidades no âmbito da fé cristã.
- A Pastoral do Dízimo esteja ligada à Pastoral de Conjunto, tendo como objetivo principal realizar a perspectiva da evangelização.
1. O que é o dízimo?
- Expressão de fé, comunhão, participação e ação evangelizadora.
- Ele é contribuição sistemática e periódica, que supõe pessoas evangelizadas e comprometidas com a evangelização da Igreja.
- Características do dízimo: supõe experiência de Deus e amor fraterno, compromisso moral, consciência, sistemático e periódico.
- O dízimo é compromisso de fé, relacionado à experiência de Deus.
- Na intimidade com Cristo o cristão vive a oblatividade e a partilha.
- Está relacionado com o amor fraterno que circula na comunidade.
- Fruto de uma caridade ativa, prática dizimista de quem tem fé.
- Sendo um compromisso moral, o dízimo nasce de decisão pessoal.
- Ele exprime uma pertença afetiva à Igreja vivida em comunidade.
- O dízimo expressa fé em Deus, comunhão e participação livre.
- Não é fruto de lei, mas decisão da consciência iluminada pela fé.
- Escolher o dízimo, a quantia depende de decisão da consciência.
- Supõe iluminação da Palavra de fé e necessidade da comunidade.
- Palavras de São Paulo: “Cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria” (II Cor 9,7).
- No Antigo Testamento, dízimo era a 10ª parte dos bens próprios.
- A Igreja não determina nenhuma porcentagem predefinida e nem a forma como isso deve ser feito, que depende da cada lugar.
- A contribuição deve ser sistemática, estável e de forma periódica.
- Pode ser quando o fiel recebe o salário ou no tempo da colheita.
- O dízimo não se reduz apenas a sustentação econômica de pessoal ou manutenção de estruturas, mas tem objetivo evangelizador.
2. Os fundamentos bíblicos do dízimo
- A contribuição com o dízimo nasce de um coração agradecido.
- Sua fundamentação está na Sagrada Escritura lida na Igreja.
- Deus é dono de tudo e o dízimo significa esse reconhecimento.
- Além de reconhecimento, é também gesto de agradecimento.
- O dízimo favorece na comunhão de bens vivida pela comunidade.
- Abraão agradece a Deus dando o dízimo de tudo (Gn 14,17-20).
- Jacó também dá o dízimo na experiência com Deus (Gn 28,18-22).
- Ele é oferecido pelos patriarcas como reconhecimento e gratidão.
- Com Moisés, o dízimo é visto como preceito (Lv 27,30).
- Passa a ser ajuda no sustento dos levitas pelos serviços litúrgicos.
- Os levitas entregavam aos sacerdotes o dízimo dos dízimos, sendo auxílio para os carentes: estrangeiros, viúvas, órfãos (Nm 18,26).
- Era também meio pedagógico para exercitar o temor do Senhor (Dt 14, 22-23), entregue anualmente ou trimestralmente.
- Quando anualmente, era levado ao lugar do culto (Dt 12,5).
- Quando trienalmente, era entregue aos levitas para sustento dos pobres (Dt 14,28-29).
- Após o Exílio, o povo se tornou mais fiel ao dízimo (II Cr 31,5-7).
- A abundância era tanta que sobrava das primícias (II Cr 31,10).
- A fidelidade ao dízimo era fruto da nova organização litúrgica (Ne 10,36-39).
- Neemias censura o desleixo pela casa de Deus por falta de dízimo (Ne 13,10-11).
- Com isso, todos passaram a levar os dízimos de cereais, vinho e azeite (Ne 13,12).
- Amós condena o culto sem conversão, sem sacrifícios e sem o dízimo (Am 4,4-5).
- Malaquias condena a infidelidade ao dízimo e ofertas (Ml 3,8-10).
- Os profetas ligam o dízimo com a fidelidade do povo à Aliança.
- O dízimo não é simples formalismo do culto, mas vida interior.
- A prática do dízimo dos Evangelhos vem da prática judaica.
- Jesus foi contra a prática dos fariseus e escribas, preocupados com a lei do dízimo sem a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23,23).
- O fariseu se sente superior ao publicano porque diz pagar dízimo.
- O fariseu da parábola não voltou justificado (Lc 18,9-14).
- A partilha entre os discípulos de Jesus não era chamada de dízimo.
- Os discípulos ajudavam o Senhor com os seus bens (Lc 8,1-3).
- Entre os discípulos de Jesus havia uma bolsa comum (Jo 13,29).
- Jesus apresenta o exemplo da viúva pobre que deu apenas duas moedas de prata (Mc 12,41-44).
- Nas primeiras comunidades cristãs, o que cada um possuía era colocado para todos.
- Os bens pessoais se tornaram comunitários por livre decisão.
- Era expressão natural do amor por Cristo e pelos irmãos.
- A partilha fazia parte da vida das primeiras comunidades cristãs (At 2,42-47).
- A coleta era o modelo de partilha entre as comunidades cristãs para ajudar quem passava fome (Rm 15,26-27; ICor 16,1-4).
- Essa prática cristã inspira a dimensão caritativa do dízimo hoje.
- São Paulo diz que cada fiel deve dar “conforme tiver decidido em seu coração”, e “Deus ama quem dá com alegria (2Cor 9,7).
- No Novo Testamento o dízimo, por lei, deve sustentar os sacerdotes, socorrer necessitados e manifestar o temor de Deus.
- Hoje não está baseado em lei, mas na decisão livre da consciência.
- A partilha não é cálculo de porcentagem, mas ação de graças.
- A tônica predominante deve ser o amor a Deus e aos irmãos.
- Fazendo percurso bíblico, concluímos que a consciência do dízimo vem do reconhecer quem é Deus e gratidão que temos a ele.
- A entrega do dízimo não pode ser preceito, mas pulsar do coração.
- Mais do que isto, é a alegria de se sentir amado por Deus.
- É um princípio interior, baseado no amor de Deus, universal e incondicional, e relaciona o dízimo com a misericórdia e a justiça.
- Tanto o dízimo do AT, como a partilha do NT, ambos brotam da fé.
- A vida moral está ligada à vida litúrgica, daí a Pastoral do Dízimo.
- A visão bíblica do dízimo é diferente da “teologia da prosperidade”.
- Dízimo não é negociata com Deus, senão a visão seria distorcida.
- Para isto, evitar interpretação fundamentalista da bíblia, texto fora do contexto, separando Antigo Testamento do Novo Testamento.
3. As dimensões do dízimo
- Religiosa, porque Deus é senhor de todos os bens; eclesial, para manter as estruturas; missionária, partilha; caritativa, caridade.
- O dízimo está relacionado à fé e à pertença a uma comunidade.
- Ser comunidade cristã forma corpo e corresponsabilidade nele.
- Aí o dízimo tem dimensão religiosa, baseado na comunidade de fé.
- A dimensão eclesial faz com que o dízimo sustente o culto divino.
- Com a partilha a Igreja sustenta a dimensão missionária de ajuda.
- Aqui tem sentido falar de “paróquias-irmãs” e de “Igrejas-irmãs”.
- Para ninguém passar falta, proclama-se da dimensão caritativa.
- Na Igreja primitiva, tudo “era distribuído a cada um” (At 4,35-35).
- Os apóstolos pediram para não se esquecer dos pobres (Gl 2,10).
- A opção pelos pobres é dimensão constitutiva da missão da Igreja.
- Na diaconia da caridade, a Igreja deve ouvir o clamor dos pobres.
- O dízimo fornece condições para uma “organização articulada”.
4. As finalidades do dízimo
- Organizar o culto divino, prover o sustento do clero e demais ministros, praticar obras de apostolado, de missão e de caridade.
- As finalidades do dízimo decorrem de sua natureza e dimensões.
- O dízimo deve coincidir com as “obras de apostolado” da Igreja.
- No Código de Direito Canônico: “os fieis têm obrigação de socorrer as necessidades da Igreja”, para exercer os seus fins (c. 222 § 1).
- Devem promover a justiça social e socorrer os necessitados.
CAP II – Orientações para a Pastoral do Dízimo
- A Pastoral do Dízimo esteja relacionada à Pastoral de Conjunto.
- Ela tem por finalidade motivar, planejar, organizar e executar iniciativas para implantação e funcionamento do dízimo.
1. Implantação do dízimo
- Na implantação do dízimo, os fieis tenham a oportunidade de conhecê-lo bem para assumi-lo com motivações corretas.
- Saber bem o que ele é, os seus fundamentos e as suas finalidades.
- Cuidar bem do modo de apresentar o dízimo, evitando confusões.
- Começar a implantação com um período de sensibilização, de conscientização e formação de agentes para a Pastoral do Dízimo.
- Organizar uma campanha que inclua equipe de coordenação, tema, peças de divulgação, prazos, planejamento, agentes etc.
- A Pastoral do Dízimo deve envolver todas as pastorais da paroquia, os movimentos, os serviços e as novas comunidades.
- Ter amplo diálogo para aprofundar as convicções de todos os agentes, sejam ministros ordenados e os diversos colaboradores.
- Os resultados vão depender de um amplo processo participativo.
- É importante realizar Assembleias Pastorais para promover o diálogo, a participação e a corresponsabilidade necessários.
- O Papa Francisco: “o que é de todos deve ser por todos tratado”.
- Ele recorda a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja.
- Sinal de que o povo deve ser ouvido na implantação do dízimo.
- O dízimo deve ser uma forma habitual de contribuição, que nasce da formação da consciência fundamentada na gratuidade de Deus.
- Refletir sobre a real conveniência de continuar cobrando as taxas, as espórtulas, as festas, as campanhas e as promoções.
- As festas não precisam ser abolidas, pois ajudam na convivência.
- As campanhas devem continuar, com finalidades específicas sem prejudicar a consciência sobre o dízimo e nem pesar as famílias.
- As coletas especiais se distinguem do dízimo pela finalidade que têm, não devem ser muitas e nem prejudicar a Pastoral do Dízimo.
- Fundamentais: conhecimento, planejamento, colaboração, adesão, material, distinção entre dízimo e outras formas, prestação de contas e transparência, ligação entre dízimo e evangelização.
2. A organização e o funcionamento da Pastoral do Dízimo
- A Pastoral do Dízimo necessita de equipes organizadas nas paróquias, nas dioceses e nos regionais com pessoas preparadas.
- O bispo e o pároco têm papel fundamental na Pastoral do Dízimo.
- A equipe diocesana deve fazer campanhas de conscientização.
- Se possível, haja equipe nos regionais da CNBB, para promover encontros para troca de experiências entre as dioceses.
- Essa equipe se encarregue de preparar materiais sobre o dízimo.
- A equipe esteja bem integrada em todo regional para mobilizá-lo.
- O dízimo seja paroquial e de ajuda nas suas necessidades locais.
- Dízimo é diferente de outras doações, para fins não da paróquia.
- A Pastoral do Dízimo tem diversas modalidades, dependendo do lugar onde é realizado e do momento de entrega da contribuição.
- Numa Igreja particular, o sistema do dízimo deve ser unificado.
- Para uns o recolhimento é feito no expediente da secretaria, ou no plantão do dízimo, ou também durante as celebrações litúrgicas.
- Os sistemas de carnês e de envelopes têm sido os mais comuns.
- O uso de débito automático enfraquece a consciência eclesial.
- O dízimo nas celebrações não pode ser confundido com as ofertas.
- O dízimo é caracterizado pela legislação brasileira como doação.
- Mas ela exige documento comprobatório de receitas e despesas.
- Recomenda-se: registrar as contribuições, dar recibo a quem o pedir, usar conta da instituição e nunca em nome de pessoa física.
- Não é recomendável recolher o dízimo nas casas, porque isso enfraquece a responsabilidade do dizimista e há perigo de assalto.
- Respeitar o direito de privacidade e anonimato aos que pedem.
- Fazer divulgação periódica, mas com discrição para evitar riscos.
- É importante divulgar as aplicações feitas com o dízimo paroquial.
- Levar em conta uma linguagem unificada dentro das regiões.
- As palavras mais indicadas são: contribuir ou partilhar o dízimo.
- Haja integração entre Pastoral do Dízimo e o Conselho Econômico.
- É bom que algum membro do dízimo seja também do Conselho.
- Relação também entre Pastoral do Dízimo e Conselho Pastoral.
- Isso contribui com a pastoral orgânica paroquial e diocesana.
- Elementos: ter equipe, participação dos ordenados, unificação, divulgação, aspectos legais, linguagem, harmonia pastoral.
3. Os agentes da Pastoral do Dízimo
- Os agentes de pastoral devem dar testemunho de ser dizimistas.
- Os ordenados sejam dizimistas e agentes da Pastoral do Dízimo.
- Os agentes sejam bem formados, bem entrosados e em equipes.
- A formação do dízimo é fundamental nos seus diversos aspectos.
- O conteúdo seja bíblico-teológico, humano e técnico-organizativo.
- Uma formação com metodologia e conteúdos adequados.
- O material seja de boa qualidade e disponíveis para os agentes.
4. O dízimo na Pastoral de Conjunto
- A Pastoral do Dízimo cria solidariedade das pessoas na vida da comunidade, que significa vivência concreta da catolicidade e da missionariedade da Igreja paroquial ou diocesana.
- O dízimo reforça o sentido de pertença a uma Igreja particular concreta e aprofunda a compreensão da Pastoral de Conjunto.
- A Pastoral do Dízimo cultiva um profundo sentido missionário e as pessoas se abrem para ajudar as comunidades mais necessitadas.
- Como meio ordinário de sustentação, a comunidade se abre para necessidades supra paroquiais: Seminário, cúria, bispo, padres.
- A formação sobre o dízimo deve fazer parte da iniciação à vida cristã, envolver a catequese, as crianças, a formação dos noivos.
- Em alguns lugares existe o “dízimo de crianças”, ou o “diziminho”.
- Dar formação sobre o dízimo aos futuros ministros ordenados.
- O dízimo é pastoral de cooperação, abertura, de Igreja particular, de catequese e de presença nos conselhos e Assembleias.
5. Motivação permanente
- O dízimo está relacionado com o crescimento e a vivência da fé.
- Ele cresce conjuntamente com a qualidade de vida cristã.
- O que promove o crescimento da fé promove também o dízimo.
- Fazer uma motivação permanente de cultivo integral do dízimo.
- Ele se sustenta a partir da experiência de Deus na vida cristã.
- Não se sustenta quando a preocupação é só com os dividendos.
- Elementos: atuação dos ministros ordenados, testemunho, gestão participativa e transparente, colaboração fraterna e missionária.
Conclusão
- Essas orientações são de referência e de retomada da opção da Igreja pelo dízimo, como forma habitual de manutenção das comunidades cristãs e de evangelização.
- A partilha é elemento da fé apostólica e da solidariedade fraterna.
- Queremos contribuir para a consolidação da Pastoral do Dízimo e estimular as comunidades cristãs a fazer a opção pelo dízimo.
- Confiamos a opção a Nossa Senhora Aparecida como nas Bodas de Caná, que notou a falta de vinho e procurou providenciá-lo.
Oração
Pai santo, contemplando Jesus Cristo, vosso Filho bem amado que se entregou por nós na cruz, e tocado pelo amor que o Espírito Santo derrama em nós, manifesto, com esta contribuição, minha pertença à Igreja, solidário com sua missão e com os mais necessitados. De todo coração, ó Pai, contribuo com o que posso: recebei, ó Senhor. Amém.
Síntese feita por
Dom Paulo Mendes Peixoto.
Dom Paulo Mendes Peixoto.
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