Dom Irineu Roman
Bispo Auxiliar da arquidiocese do Belém



Irmãos e irmãs!
Neste dia 27 de setembro celebramos o Dia Mundial do Turismo. A Organização Mundial do Turismo (OMT) escolheu como tema para este dia: “Turismo para todos: promover a acessibilidade universal”. O Cardeal Antonio Maria Vegliò – Presidente e responsável por esse departamento no Vaticano nos apresenta uma bela reflexão que vamos comentar neste artigo. Queremos aproveitar dessa oportunidade para aprofundar a temática do Turismo, tendo em vista o desenvolvimento e crescimento dessa Pastoral na Igreja.
Convém lembrar que hoje são muitas as pessoas que se movem por este mundo afora por motivos religiosos, de trabalho, de lazer e descanso. O pastor, o Bom Pastor, atento a esse fenômeno, acompanha o deslocamento de suas ovelhas e tem sobre elas um olhar de compaixão e misericórdia (cf.  Mc 6,34). Esse olhar, essa atenção e os gestos de acolhida e solidariedade que se multiplicam em favor dos que se movem se constituem no núcleo do que se costuma chamar as Pastorais da Mobilidade Humana, onde a pastoral do Turismo tem sua vertente.
Vamos então ao artigo do Cardeal Vegliò, por ocasião do dia Mundial do Turismo, o qual nos lembra das numerosas virtudes e potencialidades do turismo: “estamos convictos de que o turismo humanize porque é ocasião para o repouso, oportunidade para o conhecimento recíproco de povos e culturas, instrumento de desenvolvimento econômico, promotor da paz e de diálogo, possibilidade para a educação e para o crescimento pessoal, momento para o encontro com a natureza e âmbito para o crescimento espiritual”, assim se expressa o Cardeal Vegliò em sua carta do último dia 24 de junho de 2016. Nesta linha proposta pelo Cardeal, lembremos o que nos ensina o autor da carta aos Hebreus: “Não descuideis da hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedam anjos, sem o perceber” (cf. Hb 13,2). Mas ele comenta que o turismo não é só uma oportunidade, mas deve ser um direito de todos e não ser limitado a determinadas faixas sociais ou a algumas zonas geográficas precisas. É louvável essa iniciativa da OMT, quando fala do turismo como um “direito de todos”, que vem a ser de fato a concretização do direito “ao repouso e ao lazer, compreendendo nisto uma razoável limitação das horas de trabalho e férias periódicas retribuídas” (cf. Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 24, ano 1948).
Constata-se que o turismo vem se desenvolvendo gradativamente como uma grande oportunidade para todos, porém, são ainda muitas as pessoas que continuam a ser excluídas desse direito. Por isso a necessidade urgente de levarmos em frente e concretizarmos com o máximo de empenho possível a Pastoral do Turismo em todas as instâncias.
A OMT nos propõe, portanto, em nível internacional, o “turismo para todos” que o Cardeal Vegliò comenta a partir de três conceitos bem definidos: “turismo acessível”, “turismo sustentável” e “turismo social”. Vamos então à definição desses conceitos: Por “turismo acessível”; compreendemos o esforço por garantir que as destinações e serviços turísticos sejam acessível a todos, independente do perfil cultural, dos limites permanentes ou temporários (físicos, mentais ou sensoriais) ou das necessidades particulares, como as que requerem, por exemplo, as crianças e os anciãos.
O conceito de “turismo sustentável” inclui o compromisso por obter que esta atividade humana seja a mais respeitosa possível da diversidade cultural e ambiental do lugar que acolhe (...). A Encíclica Laudato Si do Papa Francisco pode ser de grande ajuda na boa gestão da criação que Deus confiou ao ser humano. Essa questão será objeto de estudo e aprofundamento no III Encontro Nacional da Pastoral do Turismo, com o tema: “Ecologia Integral e a Pastoral do Turismo à luz da Laudato Si”, a realizar-se em Caldas Novas – Goiás, de 09 a 12/11/2016.
Por fim, o “turismo social”, o qual pretende que não sejam excluídos aqueles que têm uma cultura diferente, menos recursos econômicos ou que vivem em regiões mais desfavorecidas. Nesse grupo encontram-se os jovens, as famílias numerosas, as pessoas com desabilidade e os anciãos, como nos lembra o Código Mundial de Ética do Turismo.
Lembremos que o potencial turístico de nosso país é imenso, sendo que enquanto Pastoral do Turismo, estamos caminhando bem, mas temos ainda muito que fazer para promover um “turismo para todos” que seja ético e sustentável e que evite toda espécie de discriminação. Por isso, convocamos os envolvidos na execução desse projeto (políticos, empresários, consumidores e as instituições) voltadas à prestação desse serviço a colaborar para o engrandecimento da Pastoral do Turismo.
O Cardeal Vegliò nos lembra em seu artigo, que “a Igreja avalia positivamente os esforços que estão sendo realizados a favor de um “turismo para todos”, a serviço da realização da pessoa e do desenvolvimento social”. Por fim queremos agradecer à CNBB e de modo particular à Pastoral do Turismo, que não mede esforços para desenvolver essa ação e tem um compromisso eclesial a favor de um “turismo para todos” compreendido como “testemunho da predileção especial de Deus pelos mais humildes”.
Saudações Fraternas,