Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo
As comemorações da Semana da Pátria são
uma oportunidade para colocar em pauta a nação brasileira. O que fazer
para homenagear a Pátria? Como e o que comemorar? Do que se lamentar ou
orgulhar? Enfim, o que é importante na Semana da Pátria?
Recordar a história da nação sempre se
faz necessário. Conhecer melhor o passado mais distante até os
acontecimentos mais recentes ajuda a situar o tempo presente. Esta terra
acolheu e acolhe imigrantes em busca de melhores condições de vida para
si, para os familiares e descendentes. Pessoas de povos diferentes
encontraram seu espaço aqui como nova Pátria. Do encontro desta
variedade de origens foi-se moldando o povo brasileiro. Nos registros da
história, encontram-se poucas pessoas como construtoras do país. Não
pode ser esquecida a multidão anônima que exerceu um papel fundamental
para o desenvolvimento do Brasil, particularmente os indígenas, os
escravos e trabalhadores de atividades menos valorizadas, seja pelo
salário, pelo reconhecimento ou pelo seu espaço social.
A nação brasileira é marcada por
frequentes crises - sejam de ordem econômica, social, política,
estrutural. Desde a Proclamação da Independência elas se manifestam
gerando instabilidade e insegurança. Agora, vive-se mais uma. As crises
oferecem-se como uma oportunidade de fazer os ajustes e rever as
estruturas existentes promovendo as devidas reformas.
A nação é maior que o governo. A
responsabilidade de cuidar da Pátria amada não é exclusividade do
governo, por mais necessário que seja. Sem autoridades legitimamente
constituídas a nação vira um caos e a realização do bem comum torna-se
inviável. As estruturas governamentais são imprescindíveis, mas elas não
podem e nem devem impedir iniciativas pessoais, de grupos, de
associações da sociedade civil na construção da nação. As ações
governamentais não conseguem realizar tudo o que é necessário. Na
doutrina social da Igreja defendem-se princípios, como a subsidiariedade
e a participação. O estado coloca-se em atitude de ajuda, de subsídio,
de apoio, promoção e incremento em relação às iniciativas da sociedade
civil e de pessoas. Não pode impedir as iniciativas, tolher a liberdade e
tirar a responsabilidade.
“Brasil, um sonho intenso, um raio
vívido. De amor e de esperança à terra desce” canta o Hino Nacional. São
grandes os sonhos para a Pátria amada. Sonha quem está vivo, quem não
está conformado. Sonha o otimista que tem os pés no chão. Muitos sonhos
ainda estão distantes de se concretizarem, mesmo parcialmente. E quando
um sonho é realizado, logo se sonha com algo novo. O mesmo hino que
ensina a sonhar, também convida para a esperança. Esperança que é
virtude teologal. Sem a esperança o sonho se torna uma ilusão. Com a
esperança o sonho de torna projeto, estímulo, incentivo, desafio. Os
antepassados fizeram a sua parte com seus sonhos, agora é a hora de
fazer a nossa parte.
Fonte: CNBB
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