sábado, 9 de maio de 2015

O casamento entre a festa, o amor e a Aliança

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)


O mês de maio é um dos períodos "casamenteiros" que os noivos escolhem para sua união, e por tanto propício para uma reflexão aprofundada sobre esta instituição e seus desafios. O matrimônio é constituído por uma dimensão social (a festa e o reconhecimento civil-canônico), o amor, na sua dimensão de comunhão interpessoal (que instrui e motiva o consentimento) e a Aliança que trata da dimensão sacramental e religiosa (pacto diante de Deus e o seu povo).

No entanto não raro estas dimensões estão desintegradas ou faltosas, isto é, observamos em muitos casamentos a ausência ou a insuficiência da dimensão religiosa, o que empobrece os outros aspectos. Na dimensão social assistimos a uma reduzida participação das famílias e da comunidade em benefício de uma espetacularização e esvaziamento da festa, interferindo não poucas vezes também na própria liturgia a presença de equipes de cerimonial, alheias a maioria das vezes ao significado do ritual e da celebração sacramental.
No aspecto da união centrada no amor conjugal que deveria motivar e inspirar o consentimento matrimonial, adverte-se por vezes nos nubentes um sentimento vago de parceria ou afeto, expresso em musicas totalmente contrárias ao amor matrimonial cristãos como: tema de Lara, o Fantasma da Opera, em Algum lugar do passado e outras que descaracterizam a adesão a uma entrega total e comunhão da vida toda que implica o pacto conjugal.
Na dimensão religiosa e sacramental nota-se repetidamente em muitas ocasiões o esquecimento de Cristo, da fé, do clima sagrado que não pode ser produzido artificialmente, mas é uma consequência de uma caminhada e de um projeto cristão de família. Tudo isto nos leva a repensar a preparação matrimonial, é necessário oferecer mais aos nubentes, um verdadeiro itinerário de fé e de aprofundamento do amor conjugal, bem como cuidar da mistagogia e simbologia da liturgia do casamento cristão, para que os noivos possam descobrir a beleza e a dignidade do casar-se no Senhor como afirma São Paulo. Deus seja louvado!
Fonte: CNBB

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