segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Abrir-se para ouvir a voz de Deus!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG) 


A libertação total e integral do homem vem sempre de Deus. É isso o resumo da liturgia deste quarto domingo do tempo comum em que somos chamados a “não endurecer nossos corações!”.

O livro do Deuteronômio nos apresenta Moisés que diz: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar. Foi exatamente o que pediste ao Senhor teu Deus, no monte Horeb”(Dt 18,15-16). Caberá ao profeta comunicar tudo o que Deus mandar. Nesse sentido a liturgia nos ensina a “não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!”(Sl 94).
No Evangelho deste domingo Jesus entra na sinagoga e ensina com autoridade e todos ficam muito assustados, porque queriam viver uma religião da superficialidade. O demônio, ao entrar na sinagoga grita: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”(Mc 1,23-24). Jesus, imediatamente, manda o demônio calar-se e sair do homem possuído. Imediatamente o demônio sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu.
O poder de Jesus de expulsar o demônio e de vencer o mal é fantástico. É o poder da graça contra o pecado. É o mistério da salvação que vence a iniquidade da maldade. Vencer o demônio é uma batalha diária em nossa vida que conseguiremos quando vivemos na graça e na ternura de Deus. Não vamos nos preocupar com as coisas do “mundo”, com a “disputa de poder”, a perversidade e as coisas passageiras. Os autênticos profetas são aqueles que são perseguidos pelos poderes constituídos, porque incomodam.
É Deus quem vai pedir contas de nossos atos. Há muitas pessoas que massacram o irmão e o oprimem para “demonstrar o seu falso poder”. A palavra do profeta continua atual e cortante: “Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome!”.
Vamos ouvir a voz de Deus. Vamos prestar atenção nas palavras dos profetas de nossos tempos e, acima de tudo, não vamos endurecer os nossos corações, mais abri-los para que a Palavra de Deus tenha o poder de libertar o homem de toda escravidão e curá-lo de toda a enfermidade. O mal não resiste à força da graça, por isso é a Palavra de Deus que nos renova e nos transforma em pessoas livres.
Não vamos endurecer nossos corações ao mal. Toda maldade, orquestrada, perpetrada contra o irmão, volta em carga mil vezes maiores. Busquemos a alegria do Senhor em nossas vidas e sejamos canais desta graça santificante.
Fonte: CNBB

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