quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Papa a bispos franceses: prosseguir empenho generoso em favor dos que sofrem em várias partes do mundo

2014-11-05 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem – assinada pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin – ao arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa, Dom Georges Pontier, por ocasião da abertura da plenária, esta segunda-feira, no Santuário Mariano de Lourdes.
O Pontífice faz votos de que os trabalhos da Assembléia possam "contribuir para manter aceso o ardor missionário" das dioceses francesas "pelo anúncio da alegria do Evangelho" no país.
Os diferentes temas no centro da plenária – afirma a mensagem – "refletem vossa preocupação em construir uma igreja 'de portas abertas', onde há espaço para cada um com a sua vida fatigante. O Espírito do Senhor nos impele a abrir novos caminhos a fim de que a Palavra de vida possa ser oferecida a todos".
O Papa convida os bispos franceses a prosseguirem o compromisso generoso em favor dos cristãos no Oriente Médio, tão provados, bem como de tantos que sofrem em várias partes do mundo.
Abrindo a plenária, Dom Pontier disse que a família qual célula fundamental da sociedade e "portadora de vida" precisa ser apoiada, e não de intervenções legislativas que a tornam mais frágil.
O pronunciamento foi dedicado em boa parte ao tema do recente Sínodo Extraordinário dos Bispos e, em particular, a algumas questões no centro do debate político na França que serão debatidos pela Assembleia: o chamado matrimônio para todos, a procriação assistida, a gestação substitutiva e o final da vida.
O arcebispo de Marselha ressaltou, na abertura dos trabalhos, que a imagem positiva que a família ainda tem na França é hoje ameaçada por "uma cultura individualista, pouco sensível às repercussões sobre os outros das escolhas pessoais" que a tornam mais frágil.
"Acrescenta-se a esta uma cultura que se deixa levar por uma definição sem fim de novos direitos individuais, sem avaliar as conseqüências negativas sobre a concepção do homem e sobre a necessária solidariedade à vida social", observou.
Desse modo, o legítimo esforço em fazer avançar a paridade entre os sexos "chegou ao ponto de dar legitimidade a concepções filosóficas militantes que negam a bonita complementaridade portadora de vida entre o homem e a mulher, inscrita na própria natureza de cada ser humano".
Também a natureza do matrimônio é distorcida: "Ao invés de encontrar soluções oportunas para as questões apresentadas por situações particulares, se quer legiferar como se tivesse que impor a todos aquilo que é reivindicado como útil ou legítimo para alguém. Muitas vezes isso se dá no desprezo aos mais frágeis: de um lado, às crianças na fase inicial de suas vidas e, de outro, aos doentes e aos anciãos ao término de suas existências".
É o caso da procriação assistida e da gestação substitutiva, onde, afirmou o presidente dos bispos franceses, "é evidente que se entra num processo que considera a criança como um bem de consumo qualquer". Quanto ao fim da vida, Dom Pontier reiterou a posição da Igreja: "O acesso aos tratamentos paliativos deve tornar-se possível e efetivo".
No pronunciamento de abertura foi dado amplo espaço também aos preocupantes desdobramentos da atualidade internacional: da guerra na Ucrânia ao conflito palestino-israelense, ao drama dos cristãos e das outras minorias perseguidas no Oriente Médio.
A esse propósito, o arcebispo de Marselha expressou gratidão aos muçulmanos franceses que denunciaram os crimes cometidos pelo autoproclamado Estado islâmico. (RL)

Fonte: News.VA

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