ROMA, 05 Mar. 13 / 02:00 pm (ACI/Europa Press).-
A Capela Sistina fecha suas portas ao público a partir de hoje,
terça-feira 5 de março para iniciar os preparativos do próximo Conclave
que escolherá o sucessor de Bento XVI.
Do mesmo modo, conforme indica um comunicado dos museus vaticanos,
não será possível, por parte do público, visitar neste período o
Apartamento Borgia e a Coleção de Arte Religiosa Moderna.
A data do início do Conclave será anunciada proximamente quando o
Colégio Cardenalício a tenha decidido em alguma das congregações gerais
que estão sendo realizadas na Sala Nova do Sínodo dos Bispos.
Os 115 cardeais
eleitores que se reunirão no Conclave para escolher o novo Papa votarão
frente ao afresco do Juízo Final pintado por Michelangelo na parede do
altar da Capela Sistina, que mostra a Cristo representado no instante
que precede à emissão do veredicto do Julgamento.
Assim, o afresco poderia servir de referência aos cardeais quando se
dirigirem a votar durante os escrutínios, já que o farão ante o olhar de
quem um dia também lhes julgará, conforme indicou em declarações a
Europa Press o Bispo Auxiliar de Madri, Dom César Franco.
"Não há dúvidas de que quando os cardeais vão votar têm ali uma
referência impressionante para fazê-lo olhando a quem um dia lhes
julgará", indicou.
Recolhido à oração
Dom César Franco explicou que a Capela Sistina, onde tradicionalmente
são celebrados os Conclaves, é um lugar "recolhido, de oração" com um
altar e frente ao afresco que representa o Julgamento de Cristo no final
dos tempos.
Para o Bispo Auxiliar de Madri, "quando se conhece a Capela Sistina,
pode-se perceber que é um âmbito extraordinário" para celebrar um
acontecimento deste tipo.
A Capela Sistina deve seu nome ao Papa Sisto IV della Rovere,
Pontífice desde 1471 até 1484, quem ordenou a reconstrução da antiga
Capela Magna entre o ano de 1477 até 1480.
A decoração, do século XV, foi realizada por uma equipe de pintores
formada originariamente por Pietro Perugino, Sandro Botticelli, Domenico
Ghirlandaio, Cosimo Rosselli, ajudados por seus respectivos atelieres e
por alguns de seus colaboradores entre os que destacam Biagio di
Antonio, Bartolomeo della Gatta e Lucas Signorelli.
Assim, nas paredes foram pintaram falsas cortinas, as Histórias de
Moisés e de Cristo e os retratos dos Pontífices. Além disso, sobre a
abóbada, Pier Matteo d'Amelia pintou um céu estrelado. A realização dos
afrescos começou em 1481 e foi concluída em 1482.
Desta época também datam o coro e o escudo pontifício em cima da
porta de entrada. Em 15 de agosto de 1483 Sisto IV consagrou a nova
capela à Virgem da Assunção.
A reforma de Michelangelo em 1508
Já no século XVI, Julio II della Rovere (Pontífice desde 1503 até
1513), sobrinho de Sisto IV, decidiu modificar parcialmente a decoração
desta, confiando esta tarefa a Michelangelo em 1508, quem pintou a
abóbada e as lunettes, na parte alta das paredes. Em outubro de 1512 o
trabalho tinha terminado e o dia de Todos os Santos, inaugurou a Sistina
com uma Missa solene.
Nos nove quadros centrais estão representadas as Histórias do
Gênesis, da Criação até a Queda do homem, do Dilúvio e do novo renascer
da humanidade com a família de Noé.
Para fins de 1533, Clemente VII de' Medici (Pontífice desde 1523 até
1534) encarregou a Michelangelo que modificasse mais uma vez a decoração
da Sistina pintando na parede do altar o Juízo Final, afresco no que o
artista quis representar o retorno glorioso de Cristo à luz dos textos
do Novo Testamento.
Michelangelo iniciou a grandiosa obra em 1536 e a concluiu no outono
de 1541. Entre 1979 e 1999, os afrescos da Capela Sistina foram
restaurados completamente. Fonte: Acidigital
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