Estamos diante de um texto que relaciona a lei e os
profetas com o Reino dos Céus. Na primeira parte, vemos o cumprimento da
lei e dos profetas na pessoa de Jesus Cristo. Num tom severo, Jesus –
dirigindo-se aos cristãos vindos do Judaísmo – diz que n’Ele toda a lei e
os profetas encontram a perfeição.
Além disso, Jesus abre o coração do seu discurso sobre a verdadeira
justiça. O problema da justiça farisaica tinha sido levantado
abertamente e, agora, este pernicioso sistema será destruído
metodicamente pelas penetrantes e autoritárias observações do Senhor.
Não foi uma demasiada devoção à lei que provocou o devastador ataque
de Jesus aos fariseus, mas sim a falsidade e a pouca devoção. Com
hipocrisia arrogante, eles haviam produzido uma paródia vazia da lei do
Senhor. Jesus rejeita essa ilusão e a expõe – tal como é – à luz da
verdadeira e imutável justiça divina.
A atitude de Jesus, em face da lei, deve ser descrita como negativa.
Os publicanos e os pecadores precedem os escribas e fariseus no Reino
dos Céus (Mt 21, 28-32), e os pecadores arrependidos são melhores do que
os justos (escribas e fariseus) que não têm arrependimento (Lc 15,
1-10).
As bem-aventuranças não contêm nenhum elogio à observância da lei. O
reconhecimento, por parte do Pai Celeste, depende da confissão de Jesus.
Assim, Jesus declara-se o Senhor do sábado. O publicano arrependido é
perdoado, ao passo que o fariseu justo não o é. Aqueles que se
reconhecem pecadores pedem perdão e obedecem a todas as ordens do seu
Senhor, são servos inúteis que não fazem mais do que o seu dever, mas o
seu Senhor escutará as suas súplicas. Ao contrário dos escribas e
fariseus, que apropriam-se da chave do Reino dos Céus, de modo que nem
eles entram nem permitem que outros entrem. É necessário que o novo povo
mude de atitudes diante da Lei, pois esta, em relação às palavras de
Jesus, assemelha-se a “um remendo de pano novo colocado numa roupa
velha” ou “ao vinho novo guardado em odres velhos”. Jesus, como Filho do
Reino, está livre das obrigações impostas pela lei.
O tratamento que lhe dá aqui não tem nada da maneira rabínica; sua
antítese é: “Dizia-se” e “Eu vos digo que isto é verdade: enquanto o céu
e a terra durarem, nada será tirado da lei – nem a menor letra, nem
qualquer acento”.
Portanto, n’Ele e com Ele todos os que professarem a Sua fé terão a vida salva. Aliás, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova
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