No Evangelho de hoje está o caminho da santidade que
passa pelo seguimento a Cristo. Fazer-se seus discípulos, isto é, o
caminho da santidade é, na realidade, um caminho na verdade e na
liberdade. De fato, Jesus diz: ”Se permanecerdes fiéis à minha palavra,
sereis verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade e a
verdade libertar-vos-á”.
Propor a santidade de vida não é mais do que propor o caminho da verdade e da liberdade.
À luz da fé, a santidade é vida na verdade total não limitada às
realidades materiais ou apenas à vida terrena. Com efeito, o santo tem
em consideração tanto os bens materiais como os espirituais; tem em
consideração tanto a realidade terrena como a sobrenatural; contempla a
própria vida não apenas na perspectiva temporal, mas também eterna. Por
outras palavras, o santo vive na verdade considerando todos os aspectos
da própria existência.
Aquele que deseja a santidade abre-se a Deus, bem supremo e fonte da
verdade. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).
Depois da Sua Morte e Ressurreição, prometeu que nos enviaria o
Espírito Santo como “o Espírito de verdade” (Jo 16, 13), que nos
“guiaria à verdade total” (Jo 16, 13). Rezou ao Pai pelos seus
discípulos: ”Consagra-os na verdade. A tua palavra é verdade” (Jo 17,
17). Diante de Pilatos disse: ”Foi por isso que nasci e para isso vim ao
mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Seguindo
radicalmente Cristo, caminhamos na verdade, na verdade total, na verdade
que não desilude (cf. Rm 9, 33).
A santidade de vida e a abertura à graça ajudam-nos na realidade a
compreender, mais profundamente, as verdades de Deus. São Paulo
justamente escreve: ”O homem natural não compreende as coisas do
Espírito de Deus; para ele são loucura, e não é capaz de as compreender”
(1 Cor 2, 14). Ou ainda: “Todo aquele que peca não viu Deus nem o
conheceu” (1 Jo 3, 6). Não alcançamos a contemplação plena do rosto do
Senhor unicamente com as nossas forças, mas deixando-nos guiar pela
graça.
Somente a experiência do silêncio e da oração oferece o horizonte
adequado no qual pode maturar e desenvolver-se o conhecimento mais
verdadeiro, aderente e coerente do mistério de Deus. Por este motivo,
com frequência nos surpreende a compreensão perspicaz da verdade de Deus
que os santos demonstram, mesmo os que não fizeram muitos estudos.
Sim, o caminho da santidade é um caminho na verdade, na verdade total.
No Evangelho, Jesus diz também que “a verdade libertar-vos-á”. O
Mestre Divino fala aqui da liberdade verdadeira, espiritual. Na
realidade, o caminho na verdade, isto é, o olhar sobre todos os aspectos
da nossa existência, ajuda-nos a encontrar uma justa escala de valores.
Ajuda-nos, por conseguinte, a não nos tornarmos – ou a permanecermos –
escravos dos bens materiais e das nossas concupiscências, dos vícios, do
pecado, mas estimula-nos e torna-nos capazes de desejar os valores mais
importantes, indestrutíveis, perenes.
Jesus, no Evangelho de hoje, responde aos judeus de maneira
clara: ”Em verdade, em verdade vos digo: aquele que cometer pecado é
escravo do pecado”. Vem à nossa mente tantos jovens que hoje são
escravos da droga, do sexo, do prazer, do dinheiro, do orgulho, da
preguiça, da inveja, etc. Não são livres. Não são livres de desejar os
valores maiores. Contudo, quem de nós não experimentou e não experimenta
– em maior ou menor medida – a escravidão de vários vícios e
debilidades? Santo Agostinho, que depois de uma vida tão libertina teve
que se esforçar bastante para encontrar esta liberdade espiritual, isto
é, para partir as correntes dos seus maus hábitos e da paixão carnal,
depois escreveu com convicção: ”Ouso dizer que, na medida em que
servimos a Deus, somos livres, enquanto que na medida em que servimos a
lei do pecado somos escravos”.
Santo Agostinho também tinha a consciência de que a liberdade
espiritual não se alcança plenamente com as próprias forças, mas
unicamente por meio da graça, da ajuda do Senhor. Contudo, Jesus afirma
isto de maneira clara no Evangelho que ouvimos: ”Por conseguinte, se
o Filho vos libertar sereis verdadeiramente livres”. Portanto, seremos
verdadeiramente livres se o Filho nos libertar!
O caminho da santidade é um caminho para a liberdade verdadeira,
espiritual, que pode se manifestar “até em condições de constrição
exterior” como nos ensinou o beato João Paulo II, na carta Encíclica
Redemptor hominis, 12. A condição da sua autenticidade é “a exigência de
uma relação honesta em relação à verdade [...] a toda a verdade acerca
do homem e do mundo”, continua Sua Santidade. Assim, voltam à nossa
mente as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: ”a verdade
libertar-vos-á”.
Peçamos ao Senhor que nos ajude a aceitar seriamente o convite à
santidade nas nossas condições de vida cotidiana, que não é mais do que
um convite a caminhar na verdade total e na liberdade autêntica. Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova
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