Irmãos e irmãs, o contexto do Evangelho segundo João 7,
1-2.10.25-30 está intimamente ligado à festa judaica chamada “Festa das
Tendas” ou “Cabanas”. Uma festa marcada pela alegria devido ao fim das
colheitas e pelo reconhecimento das intervenções do Senhor para com o
seu povo no tempo do Êxodo. Esta festa era também um momento de recordar
e anunciar os bens messiânicos.
E quem estava para ir, como os seus familiares, para esta festa em
Jerusalém? Àquele que é o maior fruto colhido da Providência e
Misericórdia Divina, a manifestação plena e eterna da salvação prometida
por Deus para com os povos e o Messias em Pessoa, a cumprir as
promessas messiânicas outrora anunciadas: «Acontecerá então que todos os
sobreviventes das nações que tiveram marchado contra Jerusalém subirão,
ano após ano, à cidade para se prosternarem diante do rei, o Senhor de
todo poder, e para celebrar a festa das Tendas» (Zc 14, 16).
Portanto, nesta grande festa de ação de graças, eles tiveram a
oportunidade de reconhecerem e se renderem, em meio aos louvores, a
Jesus (Deus salva), o Senhor Todo-Poderoso e Rei dos reis. Mas isto tudo
a conjugar com o mistério da liberdade humana e optar por aceitar a
crer nas revelações de Deus.
Infelizmente, já no seio familiar, Cristo encontrou resistência (cf.
Mc 3, 21), igualmente por parte também de muitos outros judeus, que
neste caso incluiu principalmente os líderes religiosos do tempo de
Cristo (cf. Jo 7, 1.25). No entanto, movido pela obediência ao Pai de
onde veio, não deixou de se arriscar para anunciar a Boa Nova, mesmo em
meio a um ambiente alegre para todos e hostil a Ele: «Em alta voz, Jesus
ensinava no templo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim
por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse não o conheceis,
mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou»
(Jo 7, 28-29).
Assim Jesus se apresentou não como um “estraga festas”, mas como o
fundamento da alegria que festeja as manifestações do Amor de Deus no
passado, presente e na certeza que não falhará no futuro.
Também hoje podemos perceber que existem muitas motivações e
sensibilidade para com o bom humor e, propriamente, a alegria. Agora,
somente pela livre adesão a Jesus Cristo, por uma fé obediente,
poder-se-á experimentar os frutos do Espírito Santo, do qual a alegria,
vinculada ao amor é que promove o verdadeiro e edificante bom humor:
«Mas eis o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade,
benevolência, fé, doçura, domínio de si; contra tais coisas não há lei»
(Gl 5, 22-23).
Deus quer que os frutos do Espírito Santo, que sinalizam o Reinado do
Amor de Deus em nós, também nos faça sinais do mesmo Reino, a partir
nós, inclusive nos nossos relacionamentos. Verdade que, de certa forma,
desejou o novo Papa para o relacionamento dele com todos os fiéis: «E
agora iniciamos este caminho, Bispo e povo…este caminho da Igreja de
Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um
caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós» (Papa
Francisco).
Primeiras palavras como Bispo de Roma e Vigário de Cristo que apontam
para um estilo de vida possível com a graça de Deus. Com Jesus, no
Espírito Santo e como Igreja, podemos continuamente contemplar e
anunciar as intervenções deste Deus que continua salvando e abençoando a
Igreja e o mundo , inclusive através de cada sucessor de São Pedro.
Por isso tudo, estamos em Quaresma, mas sem perder os motivos de uma festa que não passa. LOUVOR E GLÓRIA AO SENHOR!
Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova
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