E foi para dar essa visibilidade ao país
caribenho que a Agência de Informação Frei Tito, ADITAL, decidiu
elaborar o livro-reportagem Haiti por si. Depois de mais de um ano de
trabalho intenso, o livro será lançado nesta quinta-feira (14), na
Assembleia Legislativa do Ceará, em Fortaleza, às 15h30. A expectativa é
que participem do ato políticos, representantes do setor social e
movimentos populares, além de jornalistas e veículos de comunicação.
De acordo com o diretor executivo da
Adital, padre Ermanno Allegri, a ideia de fazer uma reportagem para dar
destaque ao Haiti surgiu depois que ele viu a situação do país há alguns
anos. “Quem chega lá logo repara que Haiti é outra coisa, se pode dizer
que não é América Latina. É uma situação de pobreza, de exploração, de
massacre tão forte, que a gente diz ‘não, espera, o que está acontecendo
aqui?’”, comentou, lembrando que depois do terremoto a situação só
piorou cada vez mais.
Então, em 2011 surgiu a oportunidade
para fazer o livro e iniciaram as pesquisas com professores,
economistas, lideranças populares até a visita técnica ao Haiti, que
indicaram que o caminho não era ressaltar a situação de pobreza do país,
mas sim demonstrar por meio de outro olhar que é possível reconstruir a
nação através de sua própria população. “Como o Haiti quer realizar o
seu futuro, a sua sociedade, para ser um país autônomo, que não depende
das potências de fora”, explicou padre Ermanno.
Para ele, o livro vai ajudar a dar
visibilidade ao país esquecido e, sobretudo, valorizar “tudo aquilo que
aparece e que é promovido pela população”, e que costuma ser ignorado
pela grande mídia.
“O que mais me chamou atenção foi a
força das pessoas. O ambiente é muito inóspito, muito lixo, muita lama. E
a gente já tinha visto tanta desgraça na televisão e nas fotografias
que de alguma forma a gente já estava preparado para isso. O que eu não
estava preparada era para aquela força das pessoas, elas transmitem uma
força muito grande”, comentou a jornalista Adriana Santiago,
coordenadora geral da obra, ao relembrar a visita ao país, em dezembro
de 2011.
Ela reforçou que o objetivo do livro é
“mostrar o Haiti que é possível, um outro Haiti feito por eles mesmos,
sem ninguém fazer, nem colonizar novamente, nem escravizar, na verdade.
Nem os franceses, nem os estadunidenses e nem as pessoas da ONU, da
ajuda internacional, porque eles não estão ensinando a pescar, o
dinheiro que vem é usado por eles mesmos para eles mesmos”.
Todo o histórico de dominação
estrangeira e a herança escravagista são retratados no livro que aborda
seis eixos temáticos: a história, agricultura, economia, democracia
participativa, cultura e reconstrução.
Para Adriana, a experiência foi
enriquecedora. “Como jornalista, eu cresci muito e descobri que é
possível acabar com a pobreza, com o sofrimento, incentivando e
mostrando que tem condições de fazer com que seja uma realidade pra
eles. Então é um serviço social do jornalismo para se fazer”, disse. O
jornalista Benedito Teixeira, quem também participou da construção do
livro, comentou que a obra “no mínimo” favorecerá para que o próprio
povo haitiano conheça mais sobre o seu país.
O livro Haiti por si já pode ser
adquirido através do site da Adital. A próxima apresentação da obra
ocorrerá no dia 10 de abril na Paróquia da Paz, em Fortaleza. A previsão
é que até maio o livro seja lançado também no Rio de Janeiro e em
Brasília (DF).
A obra tem colaboração de Frei Betto e é prefaciada por Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz.
Para mais informações, acesse: www.adital.com.br ou no facebook: Notícias Adital.
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