Pois bem, imagino que como
todo tema controverso deve haver quem defenda o direito das mulheres
serem mães tardiamente, assim como opositores dessa situação. Gostaria
de saber, no entanto, quem defende o direito das crianças resultantes
desse procedimento. Sim; porque essas crianças terão seus pais por
quanto tempo? Esta é uma questão levada a sério quando se trata de uma
adoção. A prioridade não é arrumar crianças para casais, e sim pais para
quem não os têm. O foco são as crianças e não os adultos. Nestes casos,
dá-se o contrário: o foco são os adultos.
Analisando os rumos que a
nossa sociedade vem tomando não me causa espanto tal procedimento, pois é
apenas mais um meio de satisfazermos nossos caprichos. Mais uma vez
exercitamos nosso egocentrismo, pensando em nós mesmos, e deixando de
pensar no outro. Afinal, tais crianças são troféus diferenciados. Pouco
importa quem vai cuidar delas depois; se vão se tornar órfãos
prematuramente; a diferença de pensamento e atitudes motivada pelo
conflito de gerações... isso pouco importa. O que importa mesmo é poder
ser pai e mãe quando nos convêm. Antes não tínhamos tempo, pois
estávamos preocupados em ganhar dinheiro; também não tínhamos preparo e
amadurecimento para sermos pais nem pensávamos em adotar uma criança
abandonada, queríamos um filho que fosse nosso, ainda que depois ele
fosse criado por outras pessoas.
Existe uma inversão de
valores hoje em dia. Enquanto antes o “nós” era priorizado, hoje o “eu” é
prioridade. Imagino que deva haver uma razão para as mulheres deixarem
de menstruar e se prepararem para o ocaso de suas vidas. Mas, não...
Precisamos ser eternamente jovens, e a maternidade tardia nos dá essa
sensação de juventude. Até porque, atualmente responsabilizamos nossos
filhos por suas atitudes; não nos sentimos mais responsáveis por suas
más escolhas. Educar é um verbo que deixou de ser conjugado.
Presentemente, só se conjuga o verbo parir. E cada filho fica lançado ao
mundo e à própria sorte, como se isso fosse natural e não fruto da
omissão e despreocupação dos pais.
Convido a todos para a
reflexão do tema, trocando ideias com pessoas esclarecidas, analisando
prós e contras desses procedimentos antinaturais. E quero também lançar
um questionamento: até que ponto temos o direito de brincar de Deus?
Por Maria Regina Canhos Vicentin
Fonte: catolicanet
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