O amor de Deus marcou para
sempre nossas vidas. Ele nos tirou das trevas e nos fez enxergar a luz
da eternidade. Não há mais razão para ficar triste ou viver amargurado
se Deus está conosco e no meio de nós. Grande significado tem para nós,
hoje, o dedo indicador de João: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo”.
Cordeiro de Deus – em latim – é “Agnus
Dei”, uma expressão utilizada pela religião cristã para se referir a
Jesus Cristo, identificado como o Salvador da humanidade, ao ter sido
sacrificado em resgate pelo pecado original. Na arte e na simbologia
icônica cristã, é frequentemente representado por um cordeiro com uma
cruz. A expressão aparece no Novo Testamento, principalmente no
Evangelho de hoje, no qual João Batista diz de Jesus: “Eis o Cordeiro de
Deus, Aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).
Os hebreus tinham o costume de matar um
cordeiro em sacrifício a Deus para remissão dos pecados. O sacrifício de
animais era frequente entre vários grupos étnicos, em várias partes do
mundo. Na Bíblia é referido, por exemplo, o caso de Abraão que, para
provar a sua fé em Deus, teria de sacrificar o seu único filho,
imolando-o e queimando-o numa pira de lenha, como era costume para os
sacrifícios de animais – o relato bíblico, contudo, nos mostra que Deus
não permitiu tal execução.
A morte de Jesus Cristo, considerado
pelos cristãos como Filho unigênito de Deus, tornaria estes sacrifícios
desnecessários, já que sendo considerado perfeito, não tendo pecado e
tendo nascido de uma virgem por graça do Espírito Santo, semelhante a
Adão antes do pecado original, seria o sacrifício supremo, interpretado
como o maior ato de amor de Deus para a humanidade.
João Batista tem uma atuação fundamental
no projeto de Deus realizado em Jesus. O batismo de João tinha
características originais e sua proclamação foi tão marcante que o
tornou conhecido como “o Batista”. Enquanto as abluções de purificação
com água, tradicionais entre os judeus, eram repetidas com frequência, o
mergulho nas águas do batismo, com João, era feito uma única vez e
tinha o sentido de sinalizar uma mudança de vida para um compromisso
perene com a prática da justiça que fortalece a vida.
Jesus assume a proclamação de João
dando-lhe um novo sentido de atualidade e eternidade, identificando-a
com o projeto de Deus de conferir vida plena e eterna à humanidade. O
Espírito sobre Jesus é a confirmação de sua divindade e da divinização
de toda a humanidade n’Ele assumida em todos seus valores e em toda sua
dignidade. A presença de Jesus, Filho de Deus, entre nós renova a nossa
vida e nos impele ao empenho na construção do mundo novo possível de
justiça e paz.
Interpelado estou eu – e está você também
– a ser este “dedo” nos nossos dias. Hoje e agora, eu e você devemos
ser a voz que clama e o dedo que aponta para Jesus, o Cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo. Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova
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