No Evangelho de João, temos
uma simbologia abrangente do início da vida humana: o berço e o núcleo,
tanto da Igreja quanto de toda e qualquer sociedade humana. Por se
tratar do princípio da vida, Jesus faz questão de marcar ou inaugurar
Seu ministério. Nele encontramos algo extraordinariamente novo, que
extrapola as expectativas e observâncias do Judaísmo. Na tradição
profética, a aliança de Deus com Seu povo é apresentada como núpcias.
Nesta narrativa de João, a festa de
núpcias não oferece vinho suficiente. Por quê? Precisamente por se
tratar de uma bebida passageira.
Assim sendo e havendo seis talhas de
pedra vazias, destinadas às purificações rituais dos judeus, Jesus pede
que se preencham com água. O ensino que tiramos desse texto é que água
de purificação não é solução. É preciso transformá-la. A atual prática
do Judaísmo deixa a desejar. Mas é preciso termos em conta a intervenção
de Maria. A mãe de Jesus que, tendo percebido o problema, não olha
pelos lados para ver de quem era a responsabilidade de arranjar ou
proporcionar a alegria da festa.
Com seu simbolismo, João não pretende
realçar a relação amorosa “mãe-filho”, mas sim a relação de maternidade
entre Maria e a humanidade.
“Jesus respondeu-lhe: ‘Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou’”
(Jo 2,4). Jesus referia-se, nesse momento, à hora de Sua glorificação
na cruz, a qual consagra uma vida toda dedicada à renovação do mundo,
pelo amor, até o fim, sem temer a morte.
Apesar de não ter chegado a sua hora,
Jesus faz como que um prelúdio, uma sinalização da sua “hora” e associa a
água, fonte da vida, ao vinho, fonte de alegria! O amor de Jesus
liberta da lei e gera vida e alegria.
Então, retomando o tema da família, que
por meio das bodas nupciais se edificam como sendo – parafraseando o
Concílio Vaticano II – o “Santuário da vida” e a célula da Igreja e da
sociedade, pois a casa é a primeira escola, é a primeira experiência
social e de Igreja, é o ninho de amor onde se edifica pessoas – a
começar pelos pais – Jesus atende aos apelos de sua mãe. Faz algo
extraordinário: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando
os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu
guardaste o vinho bom até agora!” (Jo 2,10).
Falar do casamento num mundo como o
nosso, onde existe a filosofia do “ficar”, sem compromissos definitivos,
onde todos os homens e mulheres têm medo do compromisso para sempre é difícil, mas não impossível.
No texto de hoje, João nos diz que o
casamento é uma prova de que é possível “casar-se para sempre” quando o
Mistério de Deus envolve toda a vida e preparação dos noivos. Sobretudo,
quando está presente Maria que, intercedendo pelos jovens e famílias já
constituídas, seu Filho entra imediatamente em ação. Este Evangelho
deixa bem claro que os principais convidados deste casamento são Jesus,
Maria e seus discípulos.
Para você que é jovem e quer casar (ou já
está casado), quero lembrá-lo de que poderá passar por dificuldades e
situações difíceis, mas quando o amor é construído de dentro para fora e
quando os dois entendem a missão e a responsabilidade do que estão
fazendo, com Deus fica tudo mais fácil. “Mais fácil”, não porque Deus
facilita, mas porque tem consciência da escolha, que envolve renúncia,
capacidade de esquecer-se de si pelo outro, e o grande propósito de
fazer feliz primeiro a pessoa amada e não a si.
A missão da esposa é fazer feliz o esposo
e a missão do esposo é fazer feliz a esposa. É proporcionar o “melhor
vinho” para o outro. Através da sua oração você colocará o seu esposo ou
esposa, noiva ou noivo, namorada ou namorado no céu. Por outras
palavras, que a santidade da sua vida santifique a do outro!
A santidade, julgo eu, é o melhor vinho
que nunca deve faltar no seu lar. E este é fruto de uma intimidade
profunda com o Espírito Santo, dispensador das graças de Deus, doado
gratuitamente pelo Pai através de Jesus Cristo, por interseção de Maria,
Nossa Mãe e Mãe da Igreja: “Filho, eles não têm mais vinho”.
Assim quero hoje sugerir a você que
dirija sua súplica a Jesus por meio de Maria. O que inferna a sua vida,
que vinho falta na sua casa? Que tipo de vinho você necessita hoje?
Falta compreensão, perdão, paciência, fidelidade e, principalmente, o
amor?
Lembro a você que a garantia da sua
felicidade vem da confiança, da esperança e da fé em Jesus Cristo, Filho
de Deus e de Maria, minha e sua Mãe.Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova
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