Se a família é o primeiro grupo no qual estamos inseridos, o apoio que ela dá ao paciente revela-se fundamental tanto na recuperação como na aceitação da enfermidade. Estudos revelam que pacientes, quando são acompanhados por sua família com maior constância, demonstram reações positivas acerca da melhora e superação. O tempo é um fato importante na aceitação da condição do paciente; inicialmente, percebe-se situações de choque, tristeza e negação, como os principais sentimentos manifestados por ele. O tempo traz aceitação facilitada por alguns e dificultada por outros. Muitas vezes, a própria família faz com que a aceitação da doença seja mais dificultada ao cultivar sentimentos de desesperança e ansiedade.
A família
pode ser uma grande fonte de cura ao promover uma visão de esperança,
fé e de disponibilidade (pois, muitas vezes, o paciente sente incomodar a
família) e ao transmitir, por mais difícil que seja, a força que a
pessoa adoecida não tem nesse momento. O suporte social, especificamente
o familiar, possibilita às pessoas enfrentarem os seus problemas de
modo mais eficaz, amenizando a dor e o sofrimento, diminuindo a
ansiedade e a depressão, fazendo com que estejam emocionalmente mais
estáveis.
É
importante reconhecer que uma pessoa adoecida vive muitas fantasias a
respeito do seu diagnóstico; muitas destas são criadas por aquilo que
ela ouviu do médico, pelas crendices, por elementos conscientes ou
inconscientes gerados a partir do que viu ou viveu, as quais [fantasias]
podem também fazer parte do imaginário da família. Para que ambos
possam reconhecer e compreender as limitações e perdas que a doença
acarreta, é importante que adaptações sejam feitas e que aprendam a
lidar com as mudanças desse tempo.
Usar a
expressão da verdade do que está ocorrendo sempre é um fator muito
importante; quanto mais conscientes estamos, tanto mais possibilidades
de compreensão teremos para passar ao paciente. É importante estimulá-lo
para que, à medida do possível, possa retomar sua vida e voltar à
normalidade considerando sua nova condição. Além disso, é importante que
os sentimentos das pessoas envolvidas, como o enfermo e sua família,
não interfiram na vida de cada um e que seus sentimentos sejam
trabalhados e vivenciados de forma adequada. Fica aqui o alerta: muitas
vezes a família tende a um sofrimento e depressão maior do que o próprio
paciente. Por isso, é importante que todos possam compreender o que
ocorre nesse momento, acalmando sentimentos e ansiedade latentes.
Quando a
doença tem um significado para toda a família, possibilitamos que ela
seja compreendida de forma mais efetiva. Há possibilidade de uma
reorganização familiar para acompanhar esta pessoa, bem como facilitar
uma vivência coletiva, evitando a sobrecarga em um dos membros apenas. Como
núcleo central de nossa formação, a família que nega a doença, nega
também que adoecer faz parte do ciclo da vida, alimentando fantasias que
não favorecem o processo de cura ou melhora dos sintomas do enfermo
Não temos
dúvida de que todo o cenário do adoecimento traz sofrimento para ambas
as partes [enfermo e família], mas o cuidado, a fé, a esperança e a
busca de ajuda especializada, quando já não temos força para superar os
desafios da enfermidade, bem como as práticas espirituais, permitirão
que consigamos transcender esta etapa.
Elaine Ribeiro
Fonte: cancaonova.com
Fonte: cancaonova.com
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