O terceiro domingo do Advento tem um sabor de alegria.
É o “domingo da alegria”, pedagogicamente colocado pela Igreja nesta
proximidade do Natal. É como quem está fazendo uma viagem e, depois de
uma boa caminhada, avista além da última curva da estrada o lugar para
onde está viajando. Que alegria! E esse lugar para onde vamos caminhando
é o Natal. É o nosso encontro com Deus, com o Messias, o Deus-conosco
que veio morar em nossa terra: “Alegrai-vos, O Senhor está perto”.
A alegria é tão grande que, a Liturgia, para bem expressá-la, vai
buscar uma página de Isaías, onde se fala da volta do exílio. É como se a
Palestina, terra tradicionalmente árida como o deserto e a estepe, se
cobrisse de uma exuberante vegetação, e por toda parte brotassem as
flores, lembrando a majestosa beleza do Líbano e do Carmelo. Só mesmo
Isaías, grande profeta e grande poeta, sabe dizer as coisas com tão
cativante beleza.
Cristo vem transformar o mundo numa terra de paz e de verdadeira
alegria. Isaías o diz com expressões vigorosas. Prevê os cegos
recuperando a vista, os surdos recuperando a audição, os paralíticos
readquirindo os movimentos, e até os mortos ressuscitando. E,
particularmente precioso no meio de tudo isso, a Boa-nova sendo
anunciada aos pobres. Tudo isso está no Evangelho, no lugar onde Jesus
mostra aos discípulos de João Batista o que estava acontecendo ao redor
dele. Era a resposta concreta que dava a esses discípulos, que lhe
vinham perguntar se ele era o Messias ou se deviam esperar outro.
Notemos que as curas e as ressurreições anunciadas por Isaías são
apenas sinais da ampla transformação moral que a doutrina de Jesus,
vivificada pela sua morte e ressurreição, vinha realizar no mundo. A
humanidade é como a terra árida do deserto, onde brotam os espinhos do
pecado e de toda a maldade. Sobre ela cai a chuva do céu trazida por
Jesus – gotejai, ó céus lá do alto, derramem as nuvens a justiça, e o
mundo se transforma. Tudo são flores de vida e de virtude.
Essa transformação não acontece de repente. Ela pede de nós uma longa paciência: “Como a do agricultor que espera o precioso fruto da terra, aguardando pacientemente as chuvas do outono e as da primavera”.
Há um belo provérbio europeu que diz que os moinhos de Deus moem
devagar. E é assim mesmo. Nós que vivemos num mundo caracterizado pelo
ritmo da velocidade, da eletrônica, da informática, não sabemos mais
descobrir como tudo o que se refere à vida, à saúde, à educação, ao
cultivo do espírito tem que ser feito com respeitosa tranquilidade. Uma
árvore não cresce de repente. Uma criança não se educa de repente. Não
se faz um santo de repente. E, para sermos bem práticos, não se reforça
de repente uma sociedade, sobretudo, quando nela cresceram e se
desenvolveram longamente a corrupção e a irresponsabilidade. É preciso
um trabalho persistente e confiante, onde todos colaborem. Com
seriedade, com perseverança, com iluminada esperança.
E temos que dizer que esse é o trabalho que o Cristianismo se empenha
em realizar ao longo dos séculos. E temos que reconhecer, sem falso
otimismo, que muita coisa melhorou no mundo. No relacionamento das
pessoas, na superação do radicalismo, no reconhecimento dos valores de
cada um, na capacidade de diálogo, inclusive diálogo entre as nações,
deixando cada vez mais para trás o recurso à guerra como único caminho
para se resolverem os conflitos, no respeito à própria natureza,
crescendo sempre mais a consciência de que é preciso defender os bens
que são de todos, como a água, o verde e até o silêncio e a harmonia. E,
se muita coisa continua errada – como atestam os assaltos e as
violências de todo tipo – é porque os homens não estão aceitando a
proclamação do Evangelho.
É porque nós, cristãos, não sabemos ser esse fermento na massa que
modifica o mundo numa santificadora levedação espiritual. Não sabemos
ser essa luz que ilumina pelo exemplo de sabedoria. Não sabemos ser o
sal que tempera a sociedade com o sabor do bem e da virtude. Temos que
aprender de São João Batista a não sermos caniços que o vento dobra, nem
criaturas cheias de vaidade.
Espírito que converte para Deus, que eu permaneça atento aos apelos
de conversão que me são dirigidos, para merecer ser acolhido no Reino
proclamado pelo Messias Jesus. Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova
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