Por Pe. Marcelo Gualberto
“Se
o Rosário for bem apresentado, estou certo de que os próprios jovens
serão capazes de surpreender novamente os adultos, ao fazer esta oração
própria e recitá-lo com o entusiasmo típico da sua idade”.
(Beato João Paulo II, RVM - 43)
A palavra rosário deriva do latim rosarium,
que significa "buquê, série de rosas, grinalda". Na Igreja Católica, o
Rosário são os 20 ministérios que nos falam da encarnação, paixão, morte
e ressurreição de Jesus Cristo, Pentecostes, Assunção e coroação de
Maria Santísima. Cada Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória rezados são como
rosas espirituais colocadas aos pés do Senhor e de sua Mãe.
O que dá
embasamento a esta prática é que o Pai-Nosso foi a oração ensinada pelo
próprio Cristo aos seus discípulos. A Ave-Maria repete as palavras
pronunciadas pelo anjo Gabriel e a verdade de que ela é a Mãe de Deus
(Theotókos), reconhecida no Concílio de Nicéia, no ano 431 D.C.
Surgiu,
no sul da França, certa seita de hereges, propagadora de doutrinas
perniciosíssimas e extremamente cruéis para a Igreja e para a própria
sociedade civil.
Infelizmente,
depressa aumentou o número dos seus adeptos, cuja violência se
manifestava pelo incêndio das igrejas, pelo saque das cidades e pelo
assassínio de gente pacífica, só porque recusava aceitar os seus vis
ensinamentos. Pouco a pouco atraíram a si homens de grande influência.
O Papa mandou vários santos missionários para tentar convertê-los, mas em vão.
Os reis
enviaram contra eles os seus exércitos, mas sem resultado. Eram tais os
excessos por eles praticados que mais pareciam demônios saídos do
inferno do que homens.
Foi
então que surgiu São Domingos (1170 – 1221); por muito santo que fosse,
nem mesmo ele conseguiu demovê-los. Estavam bastante endurecidos, e não
se convertiam.
Nas suas
dificuldades, este grande servo de Deus costumava pedir auxílio a Nossa
Senhora. Dizem as maiores autoridades, entre elas Santo Antonino, que
São Domingos teve em vida muitíssimas visões de Nossa Senhora. Ele mesmo
confessou que a Virgem Santíssima não recusara escutá-lo.
Maria
declarou solenemente, por três vezes, que a ordem de São Domingos era a
Ordem dela e deu aos frades dominicanos o escapulário branco, que forma a
parte distintiva do seu hábito.
São
Domingos recorreu a Maria, com confiança ilimitada e, em resposta à sua
oração, ela inspirou-lhe o Rosário como arma, pela qual ele haveria de
conseguir as mais extraordinárias vitórias sobre o mal. Mas o Rosário de
Domingos não era tal qual o temos hoje. Consistiria na pregação dos
Mistérios principais da nossa salvação, o mais popular possível, sem
deixar de ser bíblica, levando os ouvintes depois à recitação do Pai
Nosso (Oração dominical) da Ave Maria (Saudação Angélica) sem a "Santa
Maria" que foi introduzida posteriormente.
O Papa
S. Pio V (1565-1572) foi o primeiro a instituir a devoção, em
comemoração à grande vitória contra os muçulmanos, na Batalha de
Lepanto, pois havia pedido, na batalha anterior, que toda a Cristandade
rezasse o Rosário. Também por este motivo, ele criou a invocação "Nossa
Senhora, Auxílio dos Cristãos". Em 1716, o Papa Clemente XI instituiu a
festa de Nossa Senhora do Rosário no primeiro domingo de outubro, que
coincide proximamente com esta grande vitória. A devoção expandiu-se em
todos os tempos, sendo rezada inteira ou em três terços.
Com esta
maneira de pregar e orar, Domingos converte, num espaço de tempo
incrivelmente breve, milhares de hereges, e tão eficientemente que,
muitos dos convertidos, se tornaram eminentes na santidade.
Foi esta, digamos assim, a primeira grande vitória do Rosário.
Desde
então, milhares de Santos, Bem-aventurados, apóstolos e missionários da
Ordem Dominicana, tem espalhado esta devoção por toda a Cristandade.
Sobressaíram
no século XV o Bem-aventurado Alano de La-Roche, na Bretanha (França),
Félix Fábri e Tiago Sprenger, em Colônia (Alemanha). Foi Tiago Sprenger
quem, em Colônia, fundou a primeira Confraria do Rosário divulgada,
depois por toda a Igreja.
A Batalha de Lepanto
No ano de 1571 tinham os turcos atingido o apogeu do seu poder. Pareciam ter a Cristandade nas mãos.
Os seus
exércitos inebriavam-se com a vitória. Sentiam-se poderosos, estavam bem
equipados e eram conduzidos por generais habilíssimos. A sua armada era
superior em tudo à armada que os cristãos tinham para se defender.
Estavam
já em seu poder províncias das mais belas e tinham agora por objetivo
dominar a França e a Itália, apoderar-se de Roma e transformar a
Basílica de São Pedro em mesquita turca. São Pio V governava a Igreja; e
este santo e grande Pontífice estava aterrorizado com o perigo que
ameaçava arruinar a própria civilização cristã.
Além de
fracos, os governos cristãos estavam, infelizmente, muito divididos
entre si. Intrigas, animosidades pessoais, ambições de cargos
importantes impediam aquela união perfeita que se tornava tão necessária
para resistir ao inimigo comum.
São Pio V
pôs toda a sua confiança no Rosário, trabalhando, ao mesmo tempo,
incansavelmente por unir as, aliás fracas, forças cristãs.
Por fim,
deu ordem para que a armada dos cristãos se fizesse ao largo; e, embora
eles fossem inferiores aos turcos em número, equipamento, artilharia e
navios, incitou-os a que se batessem sem receio em nome de DEUS e de
Nossa Senhora.
As duas esquadras defrontaram-se no dia 7 de Outubro.
Como
para aumentar as dificuldades dos cristãos, o vento era lhes contrário,
circunstâncias que, nesses tempos de navegação à vela, podia tornar-se
desvantagem fatal.
Mas,
obedecendo às ordens do Sumo Pontífice e colocando-os debaixo da
proteção de Maria, a armada cristã investiu contra o inimigo com ânimo
admirável.
E de súbito, o vento, que se mostrava tão adverso, mudou soprou com violência contra os infiéis.
A batalha durou umas poucas horas, com fúria encarniçada acabando pela total derrota da armadura turca.
Tão completa e esmagadora foi a vitória que o poder do Islã ficou esmagado e salva a Cristandade.
Durante
esses terríveis dias, e especialmente no dia da batalha São Pio V orava
fervorosamente a Nossa Senhora do Rosário co fervor intenso, recorrendo
assim à Mãe de Nosso Senhor JESUS CRISTO.
No momento da vitória entrou em êxtase e teve a revelação de que os cristãos tinham vencido.
Voltando-se
para os que o rodeavam, São Pio V deu-lhes a boa notícia e todos
ajoelharam para dar graças a DEUS e à Nossa Senhora.
Para
recordar e agradecer a DEUS pela vitória de Lepanto, alcançada pelas
armas cristãs nesse 7 de Outubro de 1571, a Santa Igreja instituiu a
festa de Nossa Senhora do Rosário. Prescrita primeiramente por Gregório
XIII para certas Igrejas, foi estendida por Clemente XI ao mundo
católico, em ação de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI
da Hungria sobre os Turcos em 1716.
Dos Salmos as Ave - Maria
Desde o
século IX, a recitação dos salmos era a oração oficial da Igreja,
conhecida como Liturgia das Horas. Os 150 Salmos recitados pelos monges
eram assistidos pelos fiéis que desejavam participar desta prática de
oração. Isto, porém, para a época era muito difícil, pois a maioria do
povo não tinha acesso ao estudo, poucos sabiam ler e, para decorá-los
era impossível.
Foi então, que um monge teve a iniciativa de recitar 150 Pai-Nossos em substituição aos Salmos.
Paralelamente
à recitação dos Pai-Nossos, foram introduzindo a expressão bíblica da
Saudação Angélica e a Exclamação de Isabel, como recitamos hoje na
Ave-Maria.
No
século XIII alguns teólogos perceberam que alguns Salmos continham
certas profecias sobre os mistérios da redenção. Assim, compuseram uma
série de louvores e preces a Jesus e deram o título de “Saltérios de
Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.
Por
volta do ano 1365, o monge Cartuxo Henrique de Halkar separou as 150
saudações angélicas em dezenas, intercalando entre cada dezena um
Pai-Nosso.
Mas foi,
especificamente, por meio de um frade Dominicano – Alan de Rupe -, em
1470, que teve origem o Rosário com um pensamento recitado junto a cada
Ave-Maria.
No
século XV, com o Renascimento, houveram grandes mudanças no pensamento,
nas artes, na vida cristã e na liturgia da Igreja. Era um novo
florescimento e um novo desafio para a Igreja.
O
Rosário também passa por reformulações. Passa a citar um só pensamento
entre cada dezena, relembrando os principais mistérios da redenção,
formando-se assim os 15 mistérios do Rosário.
Em 16 de
outubro de 2003, o Papa João Paulo II acrescenta um novo bloco de 5
mistérios (mistérios luminosos), para as contemplações do mistério de
Cristo, totalizando em 20 mistérios.
O que é o Rosário Missionário?
O
Rosário missionário é uma oração simples e popular. Saudamos e louvamos
Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa, de forma carinhosa e confiante.
Por ser
uma oração simples todos podemos rezá-la. Rezando o Rosário, tornamo-nos
discípulos de Jesus Cristo, com Maria e nos dispomos, como Maria, pela
força do Espírito Santo, a realizar a missão de Jesus Cristo, o enviado
do Pai.
Pela
oração do Rosário Missionário podemos nos encontrar com todos os povos,
raças e culturas da terra. Atingimos, desta forma, os imensos horizontes
da missão.
Rompem-se os egoísmos e as intenções particulares, em nossas orações, para rezar pelas necessidades de todos os povos da terra.
Entendendo as cores do Rosário Missionário
O bispo
Fulton Sheen (8 de maio de 1895 – 9 de dezembro de 1979), quando era
diretor das POM dos Estados Unidos, teve a idéia de um Rosário
Missionário. O rosário é formado por cinco dezenas, que são rezadas
meditando-se em cinco "mistérios" da vida cristã. Cinco também são os
continentes do mundo.
Ele
escolheu uma cor para cada continente que, de alguma forma, recorda suas
características. A cor representa cada povo e cada cultura. O Rosário
Missionário, além da devoção a Maria, mãe de Jesus, tem como objetivo
unir pela oração todos os filhos de Deus presentes no mundo inteiro. Por
isto a contemplação de cada mistério traz uma reflexão sobre cada
continente.
A Finalidade do Rosário Missionário é oferecer um meio simples e prático de rezar pelas missões e pelos missionários.
Um
testemunho eloqüente desta forma de oração tem sido o Papa João XXIII
que rezava o rosário missionário todos os dias pelo mundo inteiro
dedicando uma dezena a cada continente: “Como Papa, devo rezar pela
humanidade inteira e o faço ao rezar o Santo Rosário Missionário”.
Assim
recordemos o que o Documento de Aparecida nos diz e sejamos missionários
através desta bonita oração do Rosário: “... o mundo espera de nossa
Igreja Latina Americana e caribenha, um compromisso mais significativo
com a missão universal em todos os continentes. Para não cair na
armadilha de nos fechar em nós mesmos devemos formar como discípulos
missionários sem – fronteiras, dispostos a ir ao outro lado, aquele em
que Cristo não é reconhecido como deus e senhor, e a Igreja não está
presente”. (Dpa. 376)
A cor verde recorda a África, com suas florestas e também a esperança do crescimento da Fé cristã, graças também aos missionários que lá se encontram.
A cor vermelha lembra as Américas, por causa da cor da pele dos primeiros habitantes, os índios, (“os peles-vermelhas”,
como foram chamados na América do Norte) e também o sangue dos
mártires, derramado por estes povos na época da conquista destas terras
pelos europeus e nos nossos dias. Mártires de ontem e de hoje.
A cor branca representa a Europa, terra da raça branca. É também o continente que tem a presença do Papa, o grande mensageiro e missionário da paz.
A cor azul lembra a Oceania,
continente formado por muitas ilhas e necessitado de missionários, mas
que já envia seus missionários para outras terras, inclusive para o
Brasil. É também o continente da ecologia, ou seja, o que mais luta pela
preservação da natureza.
A cor amarela representa a Ásia,
continente da raça amarela, berço das antigas civilizações, culturas e
religiões. Lá se encontra quase metade da população do planeta e a
menor porcentagem de cristãos. Vivem os extremos da riqueza e da
pobreza.
Rezando o Rosário Missionário
Rezamos o
Rosário Missionário como o Rosário Tradicional, em cada mistério um Pai
Nosso, dez Ave Maria, um Glória ao Pai. Ao final de cada mistério
invocamos a virgem dizendo: “Maria Rainha das missões, rogai por nós!”.
A
particularidade deste Rosário Missionário são as cores de cada dezena,
cujo objetivo é ajudar –nos a rezar pelas missões e pelos missionários
presente em cada continente.
Sugerimos
que em cada mistério tenhamos em conta a situação da missão em cada
continente, Isto nos ajudará a rezar pelas alegrias e esperanças de cada
um de seus habitantes.
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Mistérios Gozosos
Segundas e Sábados
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Mistérios Luminosos
Quintas-feiras
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Mistérios Dolorosos
Terças e Sextas
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Mistérios Gloriosos
Quartas e domingos
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1º Mistério
Reza-se pela África
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Anunciação
(Lc 1,28 - 31)
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Batismo de Jesus
(Mt 3,17)
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Horto das Oliveiras
(Lc 22, 41 - 42)
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Ressurreição de Jesus (Mc 16, 9 – 11)
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2º Mistério
Reza-se pela América
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Visitação
(Lc 1,41 - 42)
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Bodas de Caná
(Jo 2,1-12)
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Flagelação
(Jo 18,40)
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Ascensão de Jesus
(Lc 24,50-53)
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3º Mistério
Reza-se pela Europa
|
Natal
(Lc 2, 7)
|
Anúncio do Reino de Deus (Mc 1,14 - 15)
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Coroação de Espinho (Jo 19, 2 - 3 ) |
Vinda do Espírito Santo (At 2, 1 - 4)
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4º Mistério
Reza-se pela Oceania
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Apresentação
(Lc 2, 22 - 23)
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Transfiguração
(Lc 9,35)
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Subida ao Calvário
(Jo 16,18)
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Assunção de Maria
(1 Tes. 4, 13 - 14)
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5º Mistério
Reza-se pela Ásia
|
Perda e encontro
(Lc 2,46 - 47)
|
Instituição da Eucaristia (Jo 13,1)
|
Crucificação e morte (Lc 23, 44 - 46)
|
Coroação de Maria
(A
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