Ano da Fé, Solenidade da Padroeira do Brasil – Nossa Senhora da
Conceição Aparecida – e, no âmbito civil, dia das crianças. Quantas
realidades que o Evangelho vem dar um sentido mais profundo. Mas para
tal procuremos contemplar o Mistério de Cristo apresentado pela Boa
Nova, segundo São João (Jo 2, 1-11).
Jesus encontrava-se no norte da Galileia, numa festa de casamento
como os seus discípulos e a sua Mãe Santíssima. Uma festa que, até
então, transcorria bem, até que uma anormalidade tendia marcá-la com
tristeza, pois faltava vinho, o qual era um elemento festivo
imprescindível àquela cultura. Mas a percepção de uma santa mulher e sua
fé num filho, nada comum, abriu um rastro de esperança aos noivos e
demais.
Aquela que nunca desconfiou do que Ele é capaz, fez o que era
preciso… Por uma fé que operou naquele momento pela intercessão amorosa,
disse ao Filho de Deus e seu: «Eles não têm vinho!» (v. 3). A resposta
de Jesus a Sua mãe soa estranha, para um filho tão bem educado e não
menos sensível às necessidades dos outros: «Mulher, para que me dizes
isso? A minha hora ainda não chegou» (v.4). Noutra tradução, as
palavras do Filho amado, causa ainda mais estranheza: «Por que te
intrometes?».
No entanto, não tem como aquele Coração Imaculado passar ao lado da
necessidade de tantos, assim como podemos dizer o mesmo do Coração
Sagrado que acolheu tão amorosa e poderosa intercessão: «Jesus disse aos
que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!” E eles as encheram
até à borda» (v.7).
O desfecho deste primeiro sinal, de uma série de sete sinais
apresentados teologicamente pelo evangelista, apontou para a abundância
da Nova e Eterna Aliança em relação à Antiga e foi eficaz para os
discípulos do verdadeiro Noivo das Bodas Eternas: «Jesus o realizou em
Caná da Galileia. Manifestou sua glória, e os seus discípulos creram
nele» (v. 11).
Assim, a palavra do encarregado ao noivo, após experimentar –
literalmente – o primeiro sinal de Jesus (cf. Jo 2, 10), inspira-nos uma
oração, adequada aos homens e mulheres de todos os tempos, quando aos
poucos vão procurando compreender o tempo de Deus em sua vida pessoal e
na história da Salvação universal: “Senhor, apresentastes uma Aliança,
onde muitos estavam já satisfeitos…mas deixastes para o final dos tempos
o envio do Teu Messias, para uma Nova e melhor Aliança. Da água da
purificação ritual, revelastes um “Vinho Sagrado”, sinal do cumprimento
da superabundância prometida” (cf. Am 9, 13-14; Hb 1, 2-4).
Por isso, no Ano da Fé, precisamos também ficar sensíveis às
necessidades uns dos outros. Mas da realidade a Jesus, do jeito da Mãe
de Deus e segundo a Palavra que nos orienta: «Com os olhos fixos em
Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição» (Hb 12, 29).
Portanto, a Solenidade e devoção à Nossa Senhora da Conceição
Aparecida, tornam propícias à Igreja e ao mundo contemporâneo aquela
qualidade de testemunho desejado pelo Papa Bento XVI, para este Ano
bendito e não só: «A renovação da Igreja realiza-se também através do
testemunho prestado pela vida dos crentes: de fato, os cristãos são
chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de
verdade que o Senhor Jesus nos deixou» (BENTO XVI, Porta Fidei, nº 6).
Irradiar esta Luz, principalmente às crianças é ser canal, sinal e
presente de um amor intraduzível em apenas um dia do ano. Para tudo
isto é preciso FÉ! Aproveitemos a graça própria deste Ano da Fé! Louvor e Glória ao Senhor!
Padre Fernando Santamaria- Canção Nova
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