Um adágio popular afirma: “há uma grande
diferença entre um fim sem esperança e uma esperança sem fim”. Promessa
é uma realidade dinâmica, que abre novas chances na vida, evidentemente
olhando para frente, mas enraizada numa relação com Deus, a falar aqui e
agora, dizendo-me que tenho que fazer algo de concreto em minha vida,
consciente de que o futuro encontra-se na minha relação com Deus, vivida
no presente. As bem-aventuranças anunciam a futura realização da
esperança, na certeza de que devemos aguardá-la, com confiança e
paciência, o que não se vê, uma vez que transcende a realidade visível
aqui da terra.
Sem arriscar não se vive a esperança. A
humanidade viveu arriscando, mas na expectativa de um futuro, no que lhe
foi anunciada, na realização da esperança, que teve um papel
imprescindível, tanto na vida religiosa, como na vida de cada ser
humano, pelo fato de que a religião no Antigo Testamento exerceu uma
função, no cumprimento da aliança e de suas promessas (cf. Mt 5, 1-11).
Já no Novo Testamento, com evento Jesus
Cristo, a esperança tornou-se uma expectativa de confiança, de proteção e
de benção de Deus, apontando o caminho do céu, mas não só, porque ao
mesmo tempo, o homem deve se tornar mais humano e a terra, que é dádiva
de Deus, mais habitável e generosa, no seu papel de cumprir as promessas
da aliança, em que fé e esperança caminham intimamente unidas e não
dissociadas.
Nos dias de hoje, com a nossa realidade
exigente, é preciso ter sempre mais coragem de lançar a semente, pensado
na esperança de um futuro esplendoroso, insistindo, é claro, na
importância do momento presente, por mais insignificante de que se possa
parecer (cf. Mc 4, 26-27). Que o nosso sonho, seja de realizar, aqui e
agora, nesse dado momento histórico em que vivemos, a missão redentora
da Igreja, que é a continuação e o prolongamento de Jesus Cristo,
Salvador e Esperança dos homens e mulheres de boa vontade, que aguardam
sua manifestação gloriosa, no final dos tempos (cf. Gl 4, 7-8).
A vida humana, segundo Santo Agostinho,
na sua preciosa obra, a Cidade de Deus, se desenvolve entre duas grandes
forças, dois dramáticos e contrastantes amores, a saber: “Dois amores
edificaram duas cidades: O amor próprio, levado pelo desprezo a Deus, a
cidade terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a
cidade celestial”. Vemos, pois, que o primeiro gira em torno de si
próprio e o segundo é evidente que gira em torno de Deus.
Nascemos para a esperança, para sonhar,
que é, sobretudo, no dizer de Dom Helder: “crer na aventura do amor,
jogar nos homens e pular no escuro, confiando em Deus”, na expectativa
dos bons frutos aqui e na vida futura, na ressurreição definitiva junto
de Deus, naquele presente muito eterno e feliz! “Tenho para mim que as
aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em
nós há de ser revelada, porque a criação aguarda com ardente expectativa
a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 18-19).
Os Latinos diziam: Fortuna audaces
juvat, isto é, a sorte favorece os corajosos. O mundo conturbado em que
vivemos necessita de uma âncora para não sucumbir ao naufrágio. Essa
âncora é a esperança e ela tem nome: a salvação.
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza,
Escritor, Membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará
(ALMECE), e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza. Pároco de
Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com
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