Por Marcio Antonio Reiser
20 / Set / 2012 14:32
O
documento de Aparecida item 145, nos diz que: "A missão não se limita a
um programa ou projeto, mas a compartilhar a experiência do
acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de
pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da igreja a todos os
confins do mundo."
Como
cristão católico pertenço à Ordem Franciscana Secular, Fraternidade São
Luchésio e Buonadona de Balneário Camboriú, onde professei em 2004. Sou
catequista há 25 anos e sou Legionário de Maria, na Paróquia do
Santíssimo Sacramento de Itajaí-SC.
O desejo
de participar das santas missões populares foi despertado em meu
coração quando li o livro: "Nos sertões do São Francisco", do amigo, Pe.
José Artulino Besen. A descrição do mundo de missão me encantou e me
deixou inquieto.
Confesso
que por várias vezes fui convidado a participar do projeto missionário
das dioceses irmãs, Arquidiocese de Florianópolis e a Diocese da Barra,
São Francisco das Chagas.
Eu, e
mais dois jovens, Marcel de Florianópolis e Luzineide de Morpará (BA),
fomos designados para a ilha do Mucamo, distante quase 5 horas de barco,
do centro da cidade. Um lugar de muita seca, calor e privações, porém
cheio da graça de Deus e de Homens e mulheres de fé e de corações
generosos.
No olhar das crianças encontramos o brilho da inocência e nos gestos e brincadeiras a pureza e a simplicidade.
Ainda
hoje trocamos correspondências, e a cada carta que chega, um aperto de
saudade de um tempo que marcou profundamente nossas vidas para sempre...
Em julho deste ano de 2012, o nosso destino foi a cidade baiana de Brotas de Macaúbas, mais precisamente a comunidade do Cocal. Foram quase três dias de ônibus, mais ou menos 3.260 Km para ir e o mesmo para voltar.
Em julho deste ano de 2012, o nosso destino foi a cidade baiana de Brotas de Macaúbas, mais precisamente a comunidade do Cocal. Foram quase três dias de ônibus, mais ou menos 3.260 Km para ir e o mesmo para voltar.
A
comunidade do Cocal ou Pró-Paróquia do Cocal é bastante distante do
centro, um povo alegre e acolhedor nos recepcionou na entrada, fogos,
cânticos e saudações alegres. O Bispo da Barra, Dom Frei Luis Capio,
veio ao nosso encontro e a cada um dos missionários, saudou com palavras
de gratidão e estímulo; um pastor cheio de bondade.
Os
grupos foram definidos, logo após o almoço, servidos com muito carinho e
generosidade. Todas as equipes receberam de Dom Capio, o envio e a
provisão temporária para o tempo de missão.
Nosso grupo foi designado para a comunidade de Santo André, distante 45 minutos do Cocal. Éramos três de nossa Arquidiocese e três da Diocese da Barra, e mais o Pe. Yuri, também da Diocese da Barra.
Fomos acolhidos com tanto carinho, que parecíamos velhos conhecidos que se reencontravam. O baiano é por natureza um povo que acolhe com alegria.
Nosso grupo foi designado para a comunidade de Santo André, distante 45 minutos do Cocal. Éramos três de nossa Arquidiocese e três da Diocese da Barra, e mais o Pe. Yuri, também da Diocese da Barra.
Fomos acolhidos com tanto carinho, que parecíamos velhos conhecidos que se reencontravam. O baiano é por natureza um povo que acolhe com alegria.
A cada
dia visitávamos as casas e a cada visita os moradores nos acompanhavam,
ao final éramos um grupo enorme, e todos se alegravam com as visitas e
as bênçãos das casas.
O dia da
missão iniciava com a reza do Santo Terço às 5h da manhã. Em todas as
comunidades, a religiosidade popular é um diferencial do povo do sertão.
A beleza das cantigas e o simbolismo dos gestos enriquecem a nossa vida
de fé. Somos eternos aprendizes!
Um povo
que pede a benção e abençoa, é um povo abençoado. Quantas bênçãos
recebemos daqueles idosos de rostos queimados e mãos calejadas pelo
trabalho. Quantas histórias, quantos causos e quantas lendas.
O ofício de Nossa Senhora, o Santo terço, são devoções caríssimas para o sertanejo, o Santo Reis, a Bandeira do Divino e o Estandarte de São Sebastião percorrem as comunidades e cada um com uma característica própria.
O ofício de Nossa Senhora, o Santo terço, são devoções caríssimas para o sertanejo, o Santo Reis, a Bandeira do Divino e o Estandarte de São Sebastião percorrem as comunidades e cada um com uma característica própria.
E o que
dizer das crianças! Eram sempre momentos de alegria, todas as tardes às
15h, as crianças sempre bem arrumadas, aguardavam a nossa chegada na
igreja, para as orações, cantos, brincadeiras, leituras, pinturas e
desenhos e no final doces, e uma pequena lembrança daquele momento.
A
despedida é o pior momento, impossível é não chorar, impossível é não se
comover com as expressões de carinho de todos. São bilhetes, desenhos,
uma bala, um abraço muito apertado e um soluço quase abafado...
A missão é um eterno aprendizado! Trazemos muito mais do que levamos, deixamos um pedaço de nossos corações, e trazemos um pedacinho de cada um para preencher o nosso espaço.
A missão é um eterno aprendizado! Trazemos muito mais do que levamos, deixamos um pedaço de nossos corações, e trazemos um pedacinho de cada um para preencher o nosso espaço.
Concretamente
falando; deixamos um grupo do terço dos homens com 52 membros. Foram
dados os primeiros passos para a criação da pastoral do idoso. Foram
criados mais dois grupos bíblicos. O grupo de jovens e a pastoral
catequética ganharam um novo impulso e a pastoral da criança ganhou mais
duas voluntárias.
Quando
estávamos entrando em nosso ônibus, uma jovem, chorando, disse: “Nossas
vidas nunca mais serão as mesmas..." Eu digo a mesma coisa...
PAZ E BEM!
*Marcio Antonio Reiser O.F.S.PAZ E BEM!
marcioreiser.blogspot.com.br
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