Escrito por Fúlvio Costa
Seg, 11 de Junho de 2012 09:57
Mais de
500 mil crianças no Haiti estão sem escola, o índice de analfabetismo
absoluto é superior a 50% e o direito à educação é negado a milhares de
famílias: é o alarme lançado pela conferência "Direito à educação no
Haiti: desafios e horizontes", realizado recentemente na capital
haitiana, Porto Príncipe. O evento reuniu representantes de organizações
da sociedade civil e educadores haitianos, bem como uma delegação
internacional da "Campanha latino-americana pelo Direito à Educação"
(Clade), com especialistas de oito países estrangeiros.
Conforme
referido à Agência Fides, os participantes deram origem a um debate e
efetuaram visitas no local para conhecer o estado da educação no país,
verificando a realidade "emergência educacional" que existe no Haiti
após dois anos do terremoto de 2010.
Outro
problema que foi assinalado é o nível de privatização da educação.
Atualmente, 92% das escolas são particulares, dado considerado o mais
alto do mundo. Esta realidade constitui um impedimento para milhares de
crianças, uma vez que a mensalidade exigida para cada estudante, cerca
de 70 dólares por ano, é uma cifra impossível de se obter para a maioria
das famílias haitianas. Os participantes também verificaram as péssimas
condições das estruturas educacionais do país, caracterizadas pela
superlotação com o caso-limite de 225 estudantes numa só classe,
encontrados numa escola rural. Além disso, as aulas são ministradas em
francês, embora a língua nativa do país seja o crioulo.
O
documento conclusivo da conferência, enviado à Agência Fides, pede ao
Estado para garantir o direito à educação em todo o país," promovendo a
educação pública, gratuita e de qualidade, sobretudo no ensino
fundamental, sem nenhuma discriminação.Por: POM
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