"O CORAÇÃO NÃO É UMA PRAÇA,MAS UM TEMPLO"
Bento XVI, comentando o Evangelho de hoje, escreveu: "Na purificação do templo, Jesus agia em harmonia com a lei, evitando um abuso do templo ... a sua reivindicação era mais profunda porque com o seu agir queria dar cumprimento à Lei e aos Profetas"(Jesus de Nazaré, segunda parte, p. 23s).
Bento XVI, comentando o Evangelho de hoje, escreveu: "Na purificação do templo, Jesus agia em harmonia com a lei, evitando um abuso do templo ... a sua reivindicação era mais profunda porque com o seu agir queria dar cumprimento à Lei e aos Profetas"(Jesus de Nazaré, segunda parte, p. 23s).
Sublinhando a ideia do cumprimento da Lei, o Papa quer dizer que cada
um dos dez mandamentos (Êxodo 20,1-17), consiste basicamente numa
modalidade particular do mandamento do amor. Portanto: cumprimento como
plenitude de significado e de observação perfeita, como afirma também
Paulo: “A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a
caridade é a plenitude da Lei” (Rom 13,10).
E eis aqui, de forma coerente, a conclusão de Bento XVI: "Jesus não
vem como destruidor; não vem com a espada do revolucionário. Vem com o
dom da cura. Dedica-se à todos aqueles que, por causa dos seus males são
empurrados para as margens da vida e para as margens da sociedade. Ele
mostra Deus como Aquele que ama, e o seu poder como o poder do amor
"(idem., p. 34).
Entendemos, portanto, que o zelo que devora o coração de Jesus é a
urgência irreprimível do amor, irresistível e transformador como o fogo.
Tinha profeticamente anunciado, alguns séculos antes, o profeta
Isaías com estas palavras: "Em Sião os pecadores ficaram apavorados: o
tremor se apoderou dos ímpios. Quem dentre nós poderá permanecer junto
ao fogo devorador? Quem dentre nós poderá manter-se junto aos braseiros
eternos?"(Isaías 33,14-16).
Se esta pergunta retórica pode historicamente fazer pensar na inação
dos ‘homens do templo’ (guardas e soldados) que não intervieram em
Jerusalém para parar com o gesto do Senhor, ela nos orienta hoje na
reflexão sobre os "homens do templo" de hoje, sacerdotes e leigos.
Começamos do catecismo.
Todo cristão batizado sabe, ou deveria saber, quem é Aquele cuja
ardente Presença eucarística na "casa do Pai" (a igreja) é indicada
apenas por uma fina chama, símbolo da "chama de fogo", revelada a Moisés
(Êx 3,2).
Ele também sabe que o Senhor Jesus, vivo e presente dia e noite na
tenda fixa do tarbernáculo, não renunciou de ser o companheiro, o amigo
dos nossos passos, como o foi com os Israelitas, no tempo do êxodo, no
deserto.
Instituindo o Batismo, de fato, Deus manifestou a sua vontade de
habitar no mesmo coração do homem, como íntima e sagrada “tenda do
encontro” onde pode dialogar com Ele.
Somos assim levados de volta para o Evangelho de hoje, que é também o
Evangelho da verdade do templo, seja aquele material das nossas
igrejas, seja aquele constituído pela pessoa batizada, "Templo do
Espírito Santo" (1 Cor 6, 19).
E a verdade é esta: o coração do homem não foi criado para ser uma
"Praça" pagã, um movimentado mercado de confusão moral e espiritual, mas
para ser o sagrado lar, o Templo do Deus vivente. Se em Jerusalém, há
dois mil anos, a intenção fundamental da ‘purificação’ feita por Jesus
foi aquela de eliminar da praça "o que é contrário ao comum conhecimento
e adoração de Deus, (Bento XVI, id.), hoje é o nosso coração que
necessita radicalmente da purificação da Palavra de Deus.
Para este fim, por conseguinte, é necessário em primeiro lugar fazer silêncio, dado que:
"Os distúrbios, a escuridão cultural e religiosa que dominam a terra
são compostos principalmente do não escutar à Deus, do não acolher a
vida que é o Verbo encarnado, aquele que ilumina todo o homem. A
sociedade, como tal, rejeita a idéia de um Criador, de um Senhor que nos
ama, e pretende organizar a própria vida deixando-o de lado. É a
desordem cultural principal do nosso tempo, que resulta em desordem
social, injustiças, fome, miséria, perseguições, exploração "(C.M.
Martini, Il caso serio della fede, p.88s, tradução minha).
Só no silêncio poderá ser acolhido o feliz e sempre novo anúncio do
Evangelho: Deus não está distante, o homem não é uma Praça, o templo do
seu coração foi definitivamente purificado e salvo pelo “Templo do corpo
de Cristo” (Jo 2 , 21), e a Glória de Deus não se desviará dele nunca
mais, apesar da abominação dos ídolos, que ainda se encontra nele. Jesus
não é Deus contra nós, mas Deus conosco!
Devora-o um tal zelo de amor pessoal que cada um pode exclamar espantado: Me amou e se entregou por mim" (Gal 2,20).
[Tradução Thácio Siqueira]
ZP12030804 - 08-03-2012
Por: Permalink: http://www.zenit.org/article-29862?l=portuguese
Por: Permalink: http://www.zenit.org/article-29862?l=portuguese
Ceiça, obrigado! [sorrio] Não tema! Um ótimo domingo pra você também, linda! Abraço!
ResponderExcluir